Análise contida no Comunicado da Presidência nº 35 compreende 18 meses, período que antecedeu e sucedeu a instabilidade econômica em 12 países
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou nesta quinta-feira, dia 19, o Comunicado da Presidência nº 35, intitulado Crise internacional: balanço e possíveis desdobramentos. As explicações foram feitas pelo assessor técnico da Presidência do Ipea Milko Matijascic e tiveram transmissão on-line pelos sites www.ipea.gov.br e www.agencia.ipea.gov.br. O documento mostra que o Brasil encontra-se em situação privilegiada no cenário posterior ao momento mais crítico da crise, se comparado a outros países. No entanto, de acordo com Matijascic, ainda não pode se considerar completamente livre de novos desdobramentos.
O Comunicado da Presidência nº 35 sintetiza informações (como PIB, inflação e desemprego) de 12 países, mais a União Europeia, relativas a um período de 18 meses ? desde antes do agravamento da crise até outubro deste ano. Matijascic afirmou que o Brasil já superou as maiores dificuldades da crise, mas ressaltou que o panorama mundial ainda pode gerar desdobramentos, como uma deflação ou a perpetuação das taxas de desemprego.
O assessor da Presidência do Ipea explicou que, neste momento, o processo deflacionário é mais perigoso que a inflação, pois a economia pode não se movimentar enquanto os preços do mercado não se estabilizam. Para que o cenário volte a ser confiável, Matijascic afirmou que os países devem prosseguir com o monitoramento da economia internacional e com a intervenção estatal, investindo principalmente em corporações domésticas por meio de estímulos fiscais.
Ele também disse que a situação é interessante para analisar como instituições financeiras estrangeiras estão lidando com os problemas resultantes da crise, ajudando a entender futuras turbulências econômicas e suas consequências. O documento foi apresentado no auditório do Ipea (SBS, Quadra 1, Ed. BNDES, subsolo).
Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 35, para tanto, acesse o endereço eletrônico http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/comunicado_presidencia/09_11_19_ComunicaPresi_35_CriseInternacional_desdobramentos.pdf
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Setores intensivos em tecnologia foram afetados pela crise
(18/11/2009 – 11:48)
Publicação Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior nº 4 avalia a produção industrial por intensidade tecnológica
A Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, Inovação, Produção e Infraestrutura (Diset) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou nesta quarta-feira (18) a quarta edição do boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior.
O primeiro artigo da publicação revela que, no período mais grave da crise, entre setembro de 2008 e fevereiro de 2009, a produção física dos setores de maior intensidade tecnológica caiu 25% no grupo de média-alta intensidade e 17% no grupo de alta. Nesse mesmo período, a produção da indústria de transformação de modo geral decresceu 16%.
No entanto, esses setores mais intensivos em tecnologia são os que vêm se recuperando mais rapidamente. Entre fevereiro e agosto, a produção cresceu, respectivamente, 12% e 11% nos grupos de alta e média-alta intensidade tecnológica. O crescimento foi impulsionado pelos setores de informática e eletrônico e de comunicações, no caso do grupo de alta intensidade tecnológica, e pelo setor automotivo no caso do grupo de média-alta intensidade.
Já o artigo O setor de serviços e o emprego examina como o emprego no setor de serviços foi impactado pela crise. São avaliados o comportamento dos diferentes segmentos que compõem esse complexo setor, a dimensão regional, o impacto no tamanho das empresas, e alguns dados sobre a escolaridade dos empregados.
Os segmentos de serviços prestados às empresas e o de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios foram os que mais sofreram com a crise. Os serviços prestados às empresas refletiram a grande queda da produção industrial, acompanhando o Produto Interno Bruto (PIB) industrial.
Conclui-se que a região Sudeste foi a que mais demitiu. Entretanto, novamente como reflexo das medidas anticrise tomadas no final de 2008, já no segundo trimestre de 2009 o setor demonstrou sinais de recuperação na região. Ressalte-se também o comportamento atípico e desproporcional da região Norte, que apresentou saldo negativo no emprego formal durante o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009, sem sinais claros de recuperação posterior.
O boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior traz ainda o artigo O Fundo Verde-Amarelo na política brasileira de inovação: uma aproximação preliminar. O estudo avalia um dos principais Fundos Setoriais que financiam projetos de ciência, tecnologia e inovação.
Leia a quarta edição do boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior, para tanto, acesse o endereço eletrônico http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/pdf/09_11_18_radar.pdf
NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.ipea.gov.br.
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Estudo do Ipea constata que atuação social foi a grande vantagem do Brasil na crise
Brasília – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou hoje (19) análise técnica com um balanço sobre a crise financeira internacional, deflagrada em setembro de 2008, e seus possíveis desdobramentos. O trabalho, feito por pesquisadores do Ipea, destaca o reconhecimento mundial de que o Brasil saiu maior do episódio.
Ao divulgar o trabalho, o pesquisador Milko Matijascic, integrante do grupo técnico que o elaborou, disse que o Brasil reagiu à crise de maneira exemplar, principalmente porque deu prioridade a ações de cunho social, como a garantia de crédito pessoal por meio dos bancos públicos e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), sobretudo para material de construção.
“O Brasil venceu as etapas mais difíceis da crise”, afirmou Matijascic. Ele reconheceu, entretanto, que “a fatura ainda não está ganha”, porque é possível que ainda haja reflexos da crise com impacto negativo para os países emergentes, em especial, por causa da deflação provocada nos Estados Unidos, no Japão, na China e em parte da União Europeia.
Na deflação, ocorre uma redução do nível geral de preços de um país e a moeda em circulação ganha valor relativamente às mercadorias, serviços e moedas estrangeiras. Isso é quase sempre lesivo à promoção de um nível mais sólido de atividade econômica, diz o Ipea. Em outras palavras, prejudica os países exportadores, pois os preços de seus produtos perdem competitividade.
Matijascic salientou que o Brasil é visto lá fora como exemplo de recuperação sustentada, tendo hoje uma situação mais cômoda, do ponto de vista macroeconômico, do que a maioria dos países. Ele enfatizou, contudo, que não se pode “deixar de monitorar a situação de turbulência ainda vivida pelos países desenvolvidos”.
O estudo do Ipea ressalta a existência de uma nova ordem econômica mundial pós-crise, com consolidação do Grupo dos 20 (G20) como foro privilegiado, no qual o Brasil, a China e a Índia passam a ser ouvidos de forma direta e a ter influência decisiva. Com isso, o outrora fechado grupo dos oito países mais desenvolvidos (G8) deverá ser naturalmente ampliado.
Por Stênio Ribeiro – Repórter da Agência Brasil. Edição: Nádia Franco.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.