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Em Cúpula do Mercosul, Lula diz que Senado vai aceitar Venezuela no bloco

Montevidéu (Uruguai) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (8) que o Senado brasileiro aprovará o ingresso da Venezuela no Mercosul, em sessão marcada para amanhã (9). A afirmação foi feita durante discurso na Reunião de Cúpula do bloco econômico, que ocorre em Montevidéu. No Senado, porém, o projeto gera controvérsias e aguarda há mais de um mês para ser votado. Na semana passada, os líderes partidários assumiram compromisso de apreciar a matéria nesta quarta-feira, no entanto, segundo o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), o acordo não trataria do mérito.

A declaração de Lula provocou risos na mesa da Cúpula por causa das várias vezes em que a votação da pauta foi adiada no Senado. “A adesão da Venezuela agrega escala e complementa nosso bloco”, disse aos presidentes dos países do Mercosul e da Venezuela, além de representantes dos demais países associados ao bloco.

No discurso, Lula também disse acreditar que o Mercosul precisa ter cada vez mais representatividade no cenário internacional. “Temos todas as condições de ser um núcleo de integração e de desenvolvimento sustentável. Dispomos da maior reserva agrícola do mundo. Somos um dos principais polos mundiais de produção de veículos. Somos também uma potência energética em expansão, com tecnologias avançadas na área das energias limpas e renováveis.”

Lula disse que é preciso avançar em pontos como o fim da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) e superar divergências conjunturais, para “atacar de frente as assimetrias” existentes entre os países do bloco.

O presidente ainda defendeu o aprimoramento do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) e o fortalecimento institucional do bloco econômico, com a eleição direta para representantes do Parlamento do Mercosul e a criação do Instituto Social do Mercosul.

Lula ainda falou sobre a crise econômica internacional e disse que o Brasil reagiu bem à crise “Em 2010, vamos crescer pelo menos 5%. Reagimos à crise com mais produção, mais emprego, maior combate às desigualdades”, disse.

Logo no início do discurso, Lula parabenizou José Mujica pela eleição no Uruguai e Evo Morales pela reeleição na Bolívia. “Uruguaios e bolivianos disseram sim a projetos de mudança em proveito dos trabalhadores e dos excluídos. Mas também fizeram uma aposta irrevogável pelo Mercosul e por uma América do Sul mais integrada.”

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil. Edição: Talita Cavalcante.

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Mercosul se esforçará para negociar acordo com União Europeia

Montevidéu (Uruguai) – A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou na tarde de hoje (8) que o Mercosul se esforçará para avançar nas negociações de um acordo comercial com a União Europeia, diálogo que está paralisado há alguns anos. Segundo a presidente, o próximo encontro reunindo representantes dos dois blocos ocorrerá em maio, em Madri, na Espanha.

Kirchner assumiu hoje (8) a presidência temporária do Mercosul, que liderará pelos próximos seis meses. A presidência temporária foi passada das mãos do presidente uruguaio, Tabaré Vásquez, à presidente argentina no encerramento da 38ª Cúpula do Mercosul, realizada na manhã de hoje em Montevidéu.

Na cúpula, foi assinado um comunicado com 40 pontos firmados pelos representantes do Mercosul, que até o momento não foi divulgado à imprensa. Na primeira coletiva à frente do bloco, Kirchner disse que o Mercosul precisa se focar na redução das assimetrias entre os países, pleito do Uruguai e do Paraguai, os dois países mais pobres do grupo.

Por Vitor Abdala – Enviado Especial. Edição: Lílian Beraldo.

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Lugo critica postura protecionista de países do Mercosul durante crise econômica

Montevidéu (Uruguai) – O presidente paraguaio, Fernando Lugo, aproveitou seu discurso na 38ª Cúpula do Mercosul hoje (8), em Montevidéu, para criticar a postura dos países do Mercosul durante a crise econômica internacional. Segundo o presidente, em vez de buscar “sinergia entre as economias”, os países adotaram o caminho de uma “agenda protecionista”.

Segundo ele, graças ao resultado da combinação de crise e protecionismo houve uma diminuição considerável nas exportações paraguaias para seus vizinhos. “A balança comercial do Paraguai com os demais países do Mercosul continua altamente deficitária”, disse.

Lugo disse que é preciso avançar na integração econômica, em setores como o energético.

“A superação das assimetrias é uma condição imprescindível para aperfeiçoar a união aduaneira. Para avançar na integração, é necessário ter em conta as possibilidades dos estados partes, com um critério pragmático, que nos permita desenvolver não um Mercosul com diferentes velocidades, mas de mecanismos inclusivos através dos quais avancemos todos”, disse Lugo.

Por Vitor Abdala – Enviado Especial. Edição: Lílian Beraldo.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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Sem medo

A política externa brasileira tem longa tradição de pragmatismo. Nela, privilegiam-se os interesses de longo prazo dos Estados. Acertadamente, governos específicos e suas ideologias são vistos como secundários. Apesar disso, mais de três anos após a assinatura da adesão da Venezuela ao Mercosul, há setores no Brasil que ainda discutem essa incorporação como se fosse um plebiscito sobre Chávez.

A miopia estratégica que nutre esse debate superficial pode ser danosa para os interesses brasileiros. A adesão da Venezuela ao Mercosul é, do ponto de vista do Brasil, a culminação de um processo histórico de adensamento de relações bilaterais que perpassou governos de distintos matizes políticos, tanto em nosso país quanto na Venezuela. Contudo, há setores da oposição que insistem em colocar a adesão da Venezuela ao bloco no quadro estreito do “chavismo” e “antichavismo”. Os argumentos são frágeis. O principal aponta uma suposta incompatibilidade entre o regime político venezuelano e a cláusula democrática do Mercosul. Ora, o Protocolo de Ushuaia é claro: sanções só são aplicáveis em caso de “ruptura da ordem democrática”, o que não aconteceu na Venezuela. A cláusula não deve ser ignorada, mas não se deve ir além dela. Outro argumento tange à possibilidade de Chávez vir a “perturbar” o Mercosul, em razão de sua “agenda política contrária ao capital estrangeiro e ao livre comércio”. Bem, os nossos produtos são muito bem-vindos na Venezuela, como demonstram os US$4,6 bilhões de superávit que obtivemos em 2008, mais de duas vezes o que obtivemos com os EUA, e os US$15 bilhões que a iniciativa privada brasileira investiu naquele país. Essa boa acolhida deverá ser revertida, caso o Brasil rejeite o ingresso da Venezuela.

O Mercosul representa oportunidade para que os países cresçam, inclusive democraticamente. Com a integração, tendemos todos a melhorar. A oposição da Venezuela já reconheceu isso. Só falta a nossa, em reconhecimento à longa tradição de pragmatismo da nossa política externa, votar pela Venezuela no Mercosul. Sem medo.

Por DOUTOR ROSINHA, que é deputado federal (PT-PR) e integrante do Parlamento do Mercosul.
Artigo publicado no Jornal O Globo

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.ptnacamara.org.br.

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