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Deputado federal Marco Maia quer aprovação das reformas política e tributária; ele é candidato à presidência da Câmara dos Deputados

Aprovar as reformas política e tributária será uma das prioridades do deputado Marco Maia (PT-RS), caso seja reeleito para a Presidência da Câmara em fevereiro de 2011. “Dedicaremos esforços especiais no sentido de estimular os debates e amarrar os acordos necessários para garantir as mudanças que a sociedade aguarda e o Estado precisa”, disse.

Marco Maia pretende assegurar “um ambiente de diálogo permanente” e “negociações construtivas” com o governo da futura presidente, Dilma Rousseff. “Certamente, teremos temas complexos a serem discutidos e implementados logo após a posse da presidente Dilma, como as medidas para enfrentar a crise cambial internacional, de ajuste fiscal e para redução da dívida pública”, afirmou.

Aclamado nesta semana como candidato petista ao cargo, Marco Maia avalia que é necessário aproximar a sociedade do Parlamento. “Popularizar os trabalhos e debates que acontecem na Câmara é fundamental para a consolidação da democracia representativa e para melhorar a imagem da Casa”, disse. Leia abaixo a íntegra da entrevista concedida ao Informes.

O senhor foi aclamado candidato do PT à Presidência da Câmara em uma disputa que envolveu outros três colegas de bancada. Como garantir que o partido e a base aliada vão chegar unidos à eleição da Mesa Diretora?

Marco Maia – O primeiro passo, que era o PT indicar de forma unificada um candidato à Presidência da Câmara, já foi dado. O partido mostrou muita maturidade política e capacidade de diálogo até chegar à indicação de meu nome. Os companheiros, deputados Cândido Vaccarezza, Arlindo Chinaglia e João Paulo Cunha deram uma verdadeira aula de postura política e foram protagonistas de um grande episódio da democracia interna petista. O segundo passo para assegurarmos a unidade da base aliada e, se possível, também para conquistarmos apoios junto aos demais partidos, é o fato de os companheiros Vaccarezza, Chinaglia e João Paulo terem se colocado à disposição para coordenar nossa campanha à Presidência da Casa. O respeito de que esses companheiros desfrutam junto aos parlamentares de todos os partidos é enorme, e isso será importante para nossa eleição à Mesa Diretora. Um outra ação importante, que já colocamos em prática e estamos assumindo como compromisso permanente, é o de dialogar com todos os parlamentares do PT, dos partidos da base aliada e da oposição para, ouvindo suas sugestões e demandas, criarmos as condições para dar efetividade aos resultados de seus trabalhos.

Que propostas de campanha o senhor vai apresentar aos deputados?

Marco Maia – Já começamos a procurar todos os parlamentares e todos os líderes partidários para receber as demandas dos partidos e discutir nossa plataforma. Pretendemos viajar pelo Brasil durante o mês de janeiro realizando esse trabalho. Nosso compromisso é o de compartilhar, de forma equilibrada e de acordo com a força de cada grupo político existente na Casa, os diversos espaços do Legislativo, como, por exemplo, a indicação para as relatorias, para as comissões. Isso, claro, sem perder de vista os pressupostos do projeto político que venceu as eleições, ou seja, uma distribuição que reproduza o resultado que veio das urnas. Outra questão importante é que pretendemos, ao mesmo tempo em que estabelecermos uma dinâmica para a votação de medidas provisórias, também assegurarmos fluxos de votações que valorizem os projetos oriundos dos parlamentares, atualmente prejudicados pelo atual processo legislativo. Queremos, com isso, estabelecer mecanismos que valorizem o exercício do mandato. Outro compromisso é que pretendemos estreitar a relação Presidência-parlamentares, garantindo uma interação direta e mais transparente. Neste mesmo sentido, queremos afirmar a todas as bancadas que buscaremos, com diálogo e transparência, concertar acordos que assegurem o debate e a aprovação das importantes matérias que estão colocadas para a próxima legislatura, atendendo a expectativa depositada no Parlamento por milhões de brasileiros nas últimas eleições.

Caso eleito, quais serão os temas prioritários de sua gestão à frente da Câmara?

Marco Maia – Aproximar o cidadão do Parlamento, ou seja, popularizar os trabalhos e debates que acontecem na Câmara dos Deputados é fundamental para a consolidação da democracia representativa e, por consequência, para melhorar a imagem da Casa junto á opinião pública. Essa é uma das tarefas prioritárias com certeza. Para colocá-la em prática, há duas frentes de ações: uma com viés mais interno, de aprimoramento da infraestrutura da Casa e de qualificação das pessoas que apoiam o trabalho legislativo; outra, de consolidação de fluxos ou na criação de mecanismos que valorizem o exercício do mandato de cada parlamentar. Ao mesmo tempo, teremos alguns grandes temas que, quase consensualmente, estarão na ordem do dia. Por exemplo, as reformas tributária e política, para os quais dedicaremos esforços especiais no sentido de estimular os debates e amarrar os acordos necessários para garantir as mudanças que a sociedade aguarda e o Estado precisa. Mas, independente da complexidade do tema que venha a ser pautado, tudo será, sempre, encaminhado de maneira transparente e em busca do entendimento.

Como o senhor pretende estabelecer a relação com o Poder Executivo? O senhor pretende recomendar, por exemplo, a redução no volume de medidas provisórias remetidas ao Congresso Nacional para dar mais visibilidades às iniciativas do Poder Legislativo?

Marco Maia – Respeitando a autonomia de cada um dos Poderes, buscaremos assegurar um ambiente de diálogo permanente para termos negociações construtivas com o governo da presidente Dilma Rousseff. Certamente, teremos temas complexos a serem discutidos e implementados logo após a posse da presidente Dilma, como as medidas para enfrentar a crise cambial internacional, de ajuste fiscal e para redução da dívida pública. Mas vou, sim, dialogar com o governo no sentido de buscar limitar a edição de medidas provisórias. Por outro lado, é prerrogativa do Poder Executivo encaminhar ao Congresso as MPs que julgar necessárias. Com certeza, nenhum governo encaminha MPs para diminuir a importância do Congresso, mas porque são matérias que exigem celeridade na sua execução, e não é possível aguardar o tempo do trâmite legislativo. Mas também precisamos mudar a cultura da Câmara, pois cada vez que um partido propõe a obstrução da votação de uma MP, impede a votação dos projetos de autoria dos parlamentares.

Há queixas generalizadas entre os deputados sobre o Regimento Interno da Câmara, considerado defasado em alguns aspectos. O senhor pretende estimular a atualização da norma?

Marco Maia – Um dos maiores problemas que vejo na Câmara refere-se ao ritmo do processo legislativo. Acredito ser possível buscarmos novas fórmulas que permitam a discussão e a aprovação de mais projetos. Se houver essa compreensão de todas as forças políticas da Casa para mexermos nessa situação, terão em mim um entusiasta.

O senhor é metalúrgico e sindicalista. Como se sente ao ocupar um cargo tão importante na República em um governo liderado pelo Partido dos Trabalhadores?

Marco Maia – Com muito orgulho e ciente da responsabilidade que teremos pela frente. Como diz o presidente Lula, nós do PT não podemos errar. É com essa convicção e certo de contar com o apoio de todos os companheiros de bancada e da base de governo que estamos uma expectativa otimista em relação aos próximos dois anos.

Por Dante Accioly.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ptnacamara.org.br.

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