São Paulo – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje (4), em São Bernardo do Campo, que as empresas Aracruz e Sadia estavam especulando e por isso tiveram perdas com a valorização do dólar no mercado financeiro brasileiro. Lula negou a adoção de um pacote de medidas para fazer frente à crise financeira internacional e disse que os efeitos serão combatidos com medidas pontuais, quando necessárias.
“Essas empresas, no fundo, no fundo, estavam especulando contra a moeda brasileira. Portanto, não tiveram prejuízo. Elas praticaram, por conta própria, por ganância, esse prejuízo. Portanto, não coloque isso na crise não. Isso é problema delas, que tentaram especular de forma pouco recomendada”, afirmou o presidente.
As duas empresas apostaram na cotação baixa do dólar e realizaram contratos futuros na expectativa da não valorização da moeda norte-americana. Se o dólar caísse abaixo do que foi contratado, as empresas obteriam lucro. A manobra é conhecida como hedge. Mas com a valorização do dólar diante do real, tiveram perdas nas operações, o que motivou a queda de suas ações.
A assessoria de imprensa da Aracruz disse que não iria responder os comentários do presidente Lula. A Agência Brasil não conseguiu, até o momento, falar com a assesssoria da Sadia.
O fato de a General Motors (GM) ter comunicado ontem ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos que vai conceder férias coletivas aos seus funcionários entre 20 de outubro e 21 de novembro não tem relação com a crise financeira internacional, segundo Lula. “O que eu sei é que a GM está produzindo como nunca no Brasil e que anunciou novos investimentos no país. Talvez faça parte da estratégia dela para trabalhar no ano que vem a todo vapor”, afirmou.
De acordo com o presidente, a crise americana “é um tsunami” nos Estados Unidos e vai chegar ao Brasil como “uma marolinha, não dando nem para esquiar”.O presidente comparou o pacote de socorro às instituições financeiras com o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer), criado no Brasil na década de 90 para reestruturar o sistema financeiro. “O governo [americano] teve que cobrir um buraco de US$ 850 bilhões. Só para o povo brasileiro ter uma idéia, é equivalente a R$ 1,7 trilhão. É importante lembrar que no Proer brasileiro foram R$ 24 bilhões. É uma crise muito forte”, disse.
Apesar disso, o presidente fez elogios ao pacote anunciado pelos Estados Unidos e ao apoio do Congresso ao apelo feito pelo presidente George W. Bush e pelos dois candidatos à Presidência, John McCain e Barack Obama, mesmo que leve algum tempo para ser implementado.
Lula negou que o governo brasileiro esteja pensando em adotar um pacote de medidas para conter os efeitos da crise econômica mundial. “Não existirá pacote. Nós vamos tomar medidas pontuais para que a gente acompanhe a economia mundial e o seu desenrolar. O povo brasileiro pode ficar tranqüilo”, disse. Para o presidente, o Brasil vai ensinar ao mundo “como é que se vence uma crise”. “Não podemos ficar olhando de papo para ar, chorando e esperando que o Bush resolva a crise. Somos nós que temos que resolver”.
Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil.
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Lula diz que Brasil está tranqüilo em relação à crise internacional
São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse agora à noite, durante comemoração dos 70 anos do Sindicato dos Químicos, em Santo André, na região do ABC paulista, que o Brasil está tranqüilo em relação à crise internacional. “Temos US$ 207 bilhões, que é bem mais do que o que devemos, pagamos o FMI e hoje estamos tranqüilos para enfrentar a crise, porque temos o nosso Fundo Soberano.”
Lula afirmou que os políticos devem parar de criticar seu governo. “Se as pessoas deixassem de mexericar o problema dos outros, o mundo seria mais feliz. São iguais aqueles que olham o filho do vizinho e não olham para o seu. Quando acordam, o seu filho tem um problema maior do que o do vizinho.”
Segundo o presidente os Estados Unidos são um bom parceiro comercial, mas não são o único. “Há 20 anos, os americanos correspondiam a 30% das nossas exportações e hoje são 15%. Em compensação, temos com a Argentina US$ 35 bilhões em negócios hoje, contra US$ 9 bilhões de 20 anos atrás. Com a China, temos US$ 35 bilhões, e com a África, que não tínhamos [trocas comerciais], hoje temos US$ 17 bilhões.”
“A gente olha a crise, mas com tranqüilidade, por causa da nossa boa carteira de exportações”, disee o presidente. Lula afirmou ainda que não fará pacote econômico. “No meu governo não terá pacote econômico. Terão medidas, porque até hoje nenhum pacote deu certo. Não vou inventar nada e nem causar surpresa, mas sempre vou olhar com lupa para não causar prejuízo à economia brasileira.”
Por Ivy Farias – Repórter da Agência Brasil.
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