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Trabalhadores unidos em defesa do patrimônio do povo paranaense

MILITANTES DEBATERAM SOBRE A LUTA CONTRA A VENDA DA COPEL E PEDIRAM ATENÇÃO AO NOVO PERFIL DO SETOR ENERGÉTICO

O Sindicato dos Bancários de Curitiba e região sediou, nesta quinta-feira, 01 de setembro, um ato que resgatou os 10 anos da luta contra a venda da Copel, que deixou de ser vendida no ano 2001 depois de intensa mobilização dos movimentos sociais e da população.

Participaram militantes que contaram suas memórias da época e alertaram sobre as consequências da tentativa de privatização da Companhia Paranaense de Energia: a mudança de perfil da estatal de economia mista, que atua visando o lucro. “O que sobrou da Copel juridicamente, como concessionária, é submetido aos interesses econômicos”, contextualiza João Cascaes, ex-presidente da Copel e membro do Fórum Popular Contra a Venda da Copel em 2001. “O atual modelo elétrico brasileiro virou balcão de negócios, não estimula o racionamento de energia. Não vemos a presença do consumidor”, explica.

Privatização não acabou – João Cascaes foi o primeiro a expor suas memórias durante o ato. Ele contou que no ano 2000 soube por um amigo que atuava no governo que a Copel seria passada ao Itaú. “Eu era funcionário da Copel mas procurei ver com isenção sobre o potencial da estatal de investimento e de promover o desenvolvimento do Estado. Como impedir?” Ele, junto com um grupo de interessados, procurou advogados e conseguiu uma liminar para impedir o repasse para o banco Itaú.

Depois disso, o governador à época, Jaime Lerner, foi para a TV anunciar que a Copel seria vendida porque dava prejuízo. “Começamos um trabalho de formiguinha. Mandamos e-mails, participamos de debates, conversamos nas ruas, participamos de entrevistas para pequenas rádios, procuramos a Câmara de Vereadores”, explicou João Cascaes. “O povo, devidamente informado e mobilizado, pôde reverter esse processo”.

João Cascaes diz que em 2001, com a doação de empresas públicas, o neoliberalismo desabou. Mas a privatização não acabou. “As fundações de estatais estão entrando como sócias nos processos de privatização. É um paradoxo, só falam em lucro”. Ele quer maior mobilização nos processos atuais. “Quem acompanhou a licitação do lixo, do transporte coletivo? Vemos alienação, omissão, oportunismo. Nunca houve tanta alienação na história recente deste país”, finalizou.

Sociedade dirigida – “Temos que impedir a privatização das cabeças”, conceituou Ivo Pugnaloni, membro do Fórum Popular. O militante começou sua exposição falando de um consenso: “Os serviços essenciais não podem ser dominados por grupos econômicos”. Para ele, atualmente, a informação é privada. Contou de quando a esquerda produzia jornais e de como os partidos não precisam mais de veículos próprios de comunicação, porque já têm a mídia.

Ivo Pugnaloni resgatou a lembrança do dia da votação da lei, na Alep, que permitiu que a Copel fosse vendida. “Nesse dia faltou luz na Assembleia Legislativa. E não há registro do motivo que causou a queda de luz em todo o Centro Cívico. Não teve carro que bateu em poste, não teve nada”.

Mobilização popular – Ulisses Kaniak, presidente do Sindicato dos Engenheiros (Senge-PR), falou da mobilização das entidades sindicais e dos movimentos sociais desde quando saíram os primeiros burburinhos sobre a privatização. Todos atuavam para pressionar os deputados. Mais de 400 entidades do Paraná assinaram a adesão ao Fórum Popular Contra a Venda da Copel, retomado em 2011.

Foram feitas passeatas e a distribuição de velas na Boca Maldita, com o mote “Essa é a Copel do futuro”, uma realidade que se concretizou em locais onde houve a privatização das empresas elétricas, como no Rio de Janeiro e em São Paulo, que sofrem com apagões.

Para Kaniak, o momento da ocupação da Assembleia Legislativa, no dia 14 de agosto de 2001, foi o maior ato de cidadania e solidariedade que o Paraná já viu. “Tudo o que foi privatizado está sucateado. Infelizmente, as regulamentações do setor elétrico estão seguindo modelos privatistas. Estatais estão cortando benefícios e direitos dos trabalhadores”, denunciou o dirigente sindical. “O fantasma da privatização voltou com o novo governo do Estado. Ele recuou, retirou o Projeto de Lei das Agências Reguladoras da pauta de votações, mas Richa vai tentar de outra forma”, alerta.

Os participantes informaram ainda diversos fatos que remetem à volta das privatizações: estão sendo criados cargos comissionados, não concursados, nas gerências; está em tramitação um projeto de lei que trata das parcerias público-privadas; e o mais grave, de acordo com os militantes: antes do Banestado ser privatizado, ações da Copel foram deixadas como caução em troca de títulos podres. E todas essas ações foram repassadas ao Itaú. Existem ações judiciais que atualmente impedem a posse dessas ações, mas o imbrólio termina em 2012 e ainda depende de determinação judicial.

Violência social – A bancária Marisa Stédile, secretária-geral da CUT-PR, resgatou os atos de violência social que precederam as privatizações: apreensão de boletins informativos, escutas, espionagens, perseguição. “Uma ditadura constitucional desde 1997”. A dirigente relatou que as votações mais importantes nos processos privatistas eram realizadas durante feriados e datas festivas, para desviar o foco, como no caso da lei que autorizou a privatização do Banestado, que foi votada no mesmo dia que a seleção brasileira de futebol jogava contra a Noruega, na Copa do Mundo de 1998.

Ela contou da pernoite na Alep, entre os dias 14 e 15 de agosto de 2001. “Os deputados discursavam, discursavam e se revezavam em discursos intermináveis, para impedir a votação durante a madrugada”, relata. “A história sempre se repete e a juventude vai passar por tudo o que nós passamos, mas não podemos deixar que a história se apague”. Marisa Stédile também aconselhou que mobilizações populares não podem ser desvinculadas do aparato jurídico e da comunicação.

União de segmentos – O bancário Roberto Von der Osten, o Betão, era presidente da CUT-PR em 2001. Ele contou sobre a diferença entre a mobilização popular contra a venda da Copel e as demais mobilizações anteriores, que foram fracassadas, como ocorreu no caso do Banestado e de outras estatais do país, que a venda e privatização foram concretizadas.

Para ele, a diferença foi na proporção, na união das categorias de trabalhadores e entidades, que trabalharam no repasse de informações e esclarecimento da população. “Durante o processo de privatização do Banestado, muitos funcionários do banco eram favoráveis à venda, acreditavam que iria melhorar, e no final, muitas demissões aconteceram. O Sindicato lutou praticamente sozinho”, relembra. “No caso da Copel, houve mobilização de todos os segmentos, que resultou no primeiro e único Projeto de Lei de Iniciativa Popular do Paraná”, relata.

14 de agosto de 2001 – O ato e debate sobre os 10 anos da luta contra a venda da Copel costurou memórias que se complementaram e culminou no dia da ocupação da Assembleia Legislativa do Paraná por representantes de sindicatos, de movimentos sociais e pelos estudantes. Nesse dia, os portões da Alep foram derrubados e muita gente foi acompanhar os discursos. Os manifestantes pernoitaram no local.

No encerramento do Ato, André Machado, secretário de imprensa do Sindicato dos Bancários, que participou da ocupação na Alep representando o movimento estudantil, lembrou que aquele momento enterrou o neoliberalismo e o lernismo, e alavancou o lulismo. “Temos que relembrar a luta vitoriosa, mas não só lembrar, temos que nos preparar para lutas futuras”.

O dirigente irá reunir todos esses depoimentos, que foram gravados, e o conteúdo será veiculado na internet e na TV Comunitária (CWB TV), para que os registros não se apaguem.

Por: Paula Padilha.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bancariosdecuritiba.org.br

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