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Conferência da Juventude cobra Estatuto e volta da reforma agrária

Após quatro dias de debates, II Conferência Nacional da Juventude reivindica do Senado votação do Estatuto da Juventude, que garante meia entrada em transporte e eventos esportivos e culturais, e retomada da reforma agrária pelo governo, que não desapropria nem tem metas. “Campo está sendo esvaziado. Juventude vai toda embora por falta de alternativa’, diz MST.

Najla Passos

BRASÍLIA – A aprovação do Estatuto da Juventude pelos senadores e a retomada da reforma agrária pelo governo Dilma Rousseff são duas das reivindicações que devem fazer parte do documento final II da Conferência Nacional da Juventude, que termina nesta segunda-feira (12).

Realizado em Brasília, o encontro reúne desde sexta-feira (9) cerca de 2,4 mil jovens, com o objetivo de avaliar a implantação das prioridades definidas na I Conferência, de 2008, e traçar metas até 2015. Durante os quatro dias de evento, além das plenárias, os estudantes participaram de oficinas de capacitação e eventos esportivos e culturais.

Na avaliação da União Nacional dos Estudantes (UNE), a aprovação do Estatuto, que já passou pelos deputados e agora está em comissões do senado, é fundamental para amarrar ao menos quatro das principais demandas da juventude brasileira: a criação o Sistema Nacional de Juventude, para estruturar a efetivação das políticas nos diferentes poderes, a instituição de um fundo para financiar essas políticas, a meia-entrada em eventos esportivos e culturais e a meia-passagem.

“A Conferência não garante essas vitórias, até porque os movimentos sociais brasileiros não podem atuar de forma burocratizada. Mas ela aproxima os movimentos e possibilita o debate para que reforcemos nossa atuação no dia a dia”, disso o presidente da UNE, Daniel Iliescu.

Para a juventude camponesa, o abandono da reforma agrária pela administração Dilma Rousseff, que não assinou nenhum decreto de desapropriação de terras nem divulgou um plano de assentamentos, apesar de já ter prometido, é um problema, pois alimenta o êxodo rural. Daí a necessidade de incluir essa reivindicação no documento final, junto com fornecimento de subsídios e financiamentos e educação gratuita e de qualidade.

“Do governo Lula para cá, a reforma agrária não está sequer na pauta do governo”, disse Thaile Cristina Lopes Vieira, do Coletivo Nacional de Juventude do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). “O campo está sendo esvaziado. A juventude vai toda embora por falta de alternativa de trabalho, e a gente quer mudar esse cenário”.

Apesar das queixas específicas, os jovens não deixaram de reconhecer a relevância da Conferência em si, uma iniciativa do governo. E a aparente unidade das entidades organizadas formalmente representadas no evento, também.

“É um processo que fortalece a democracia no país, através da interação positiva entre sociedade civil e Estado”, disse Iliescu, da UNE. “Principalmente neste momento de explosão demográfica, com mais de 52 milhões de jovens no país, com o maior percentual já visto de jovens em relação à população em geral e à população economicamente ativa.”

“Nós das comunidades do campo fomos historicamente invisíveis para a sociedade e este é um espaço em que nós temos que mostrar a cara, mostra o que queremos e quais são nossas pautas e necessidades”, afirmou Thaile.” A maioria dos representantes da juventude camponesa presente no evento tinha um perfil progressista, o que possibilitou que conseguimos fazer uma aliança, e garantir que não só a pauta do MST, mas também a dos demais, fosse aprovada.”

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NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cartamaior.com.br

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