Segundo pesquisa trimestral do Ibope feita por encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI), combate à fome e à pobreza é o campeão de popularidade do governo Dilma, com 56% de aprovação. Emprego e meio ambiente são as outras duas áreas, entre oito, com aprovação superior à desaprovação. Saúde e impostos terminam ano em baixa.
Da Redação
BRASÍLIA – O combate à fome e à pobreza é a área do governo que termina o primeiro ano do mandato da presidenta Dilma Rousseff com o maior nível de aprovação popular. E como uma das três áreas que recebem mais avaliações positivas do que negativas, ao lado de meio ambiente e combate ao desemprego.
O combate à miséria é aprovado por 56% dos brasileiros e desaprovado por 39%, segundo pesquisa feita pelo Ibope por encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta sexta-feira (16).
Desde o início da pesquisa, realizada com cerca de 2 mil pessoas a cada três, que esta área é a campeão de popularidade. Mas a aprovação já foi maior (61% em março).
O combate ao desemprego é aprovado por 50% a 45% e o meio ambiente, por 48% a 44%.
A pesquisa pede aos entrevistados que avaliem outras cinco áreas federais: educação, combate à inflação, taxa de juros, impostos, saúde e segurança pública. A saúde tem a maior desaprovação (67%) e os impostos, a menor aprovação (26%). São as lanterninhas no ranking de popularidade.
Educação é desaprovada por 51%. Combate à inflação por 52%. Segurança, por 60%. E taxa de juros, por 56%.
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Balanço do combate à miséria aponta mais 400 mil no Bolsa Família
Saldo do programa Brasil sem Miséria em seis meses mostra que ‘busca ativa’ por pobres de fora da transferência de renda encontra metade dos excluídos e supera meta de 2011. Dilma Rousseff assina os últimos pactos com estados e diz que erradicação da pobreza extrema já é política de Estado. Em café com jornalistas, presidenta estava curiosa sobre como balanço seria noticiado. Para ela, haveria “dois Brasis”, um do governo, outro dos jornais.
Najla Passos
BRASÍLIA – Menina dos olhos da presidenta Dilma Rousseff, o programa Brasil Sem Miséria, lançado há seis meses com o objetivo de acabar com a pobreza extrema até 2014, termina o ano tendo batido a meta que o governo se impôs para 2011 em um dos tripés do projeto, a transferência de renda.
Com apoio de estados e municípios, o programa identificou 407 mil famílias que estavam fora do Bolsa Família mas que, para o governo, teriam direito de receber benefícios. Por meio de processo que chamado de “busca ativa”, as pessoas foram encontradas e já estão na lista de pagamentos. A meta era achar 320 mil delas neste ano. Segundo o governo, 800 mil estavam na mira da “busca”.
O cumprimento de metade da meta global em seis meses reforçou o otimismo da presidenta, que celebrou a conquista em um evento de balanço do programa nesta sexta-feira (16), em Brasília.
“Na minha posse, eu disse que a luta mais obstinada do meu governo seria pela erradicação da pobreza extrema e pela criação de oportunidades para todos”, afirmou. “Hoje, somos exemplo de como fazer transferência de renda de forma efetiva e eficaz.”
Além de balanço, o evento serviu também para que Dilma celebrasse um pacto com governadores dos estados da região Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal) sobre o combate à miséria. O compromisso dos estados é ajudar na busca ativa e na implementação das ações que compõem os outros dois tripés do programa – inclusão produtiva das pessoas miseráveis e ampliação do acesso a serviços públicos (água, por exemplo).
O Centro-Oeste é a última região a firmar esse pacto. Na maioria dos acordos pelos país, os estados também topam complementar a renda das famílias já beneficiadas com o Bolsa Família. Nesta sexta-feira (16), assinaram convênios para unificar seus programas sociais com o federal os governadores de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), e Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
Os dois estados concentram 70% da população miserável da região que, apesar de ser a segunda maior do país em extensão, é a que concentra o menor percentual de extremamente pobres. Entretanto, o número é significativo: são 557,4 mil pessoas que vivem com renda mensal inferior a R$ 70. Entre elas estão 115 mil indígenas e um número grande de remanescentes quilombolas, públicos prioritários do programa.
Para Dilma, o fato de ter assinado o compromisso com todas as regiões mostra que o programa hoje já teria adquirido caráter “de Estado”, não de governo.
Antes de participar do evento, Dilma recebera cerca de 50 jornalistas para um café da manhã de confraternização de fim de ano e, nele, havia demonstrado certa curiosidade sobre como o balanço seria noticiado pela imprensa depois.
Depois de um ano participando de eventos como presidenta, Dilma contou ter notado que “é como se houvesse dois Brasis”. Um do governo, que faz anúncios e lança programas, outro dos jornais, que privilegiam denúncias. “Obviamente que escândalo vende mais jornal”, dissera.
Outros resultados
O governo enfatizou a superação da meta na área da transferência de renda, durante o balanço, porque, segundo Carta Maior apurou, é a parte do tripé com mais resultados efetivos este ano. As outras dimensões – inclusão produtiva e acesso a serviços – exigiriam mais tempo para se concretizar e mais articulação entre áreas do próprio governo.
Mesmo assim, a ministra do Desenovolvimento Social, Tereza Campello, afirmou que, além da inclusão de mais 407 mil famílias, o Programa beneficiará mais 1,3 milhão de crianças e adolescentes que passaram a receber o Bolsa Família, a partir da ampliação de três para cinco o número de filhos que poderia ser beneficiados por família.
Com as medidas de ampliação do programa, 92 mil nutrizes e 25 mil gestantes agora têm acesso ao benefício. Outras 9,2 mil famílias já receberam a primeira parcela do Bolsa Verde, programa que visa a conservação ambiental e, até janeiro, outras 6,8 mil também serão contempladas com a bolsa de R$ 300.
Na área rural, o Brasil Sem Miséria garantiu assistência técnica para 37 mil famílias, que poderão receber crédito para fomento de R$ 2,4 mil, em três parcelas, a fundo perdido. As duas mil famílias que serão as primeiras beneficiárias já terão o crédito liberado em janeiro. 82 mil famílias também foram incluídas no Programa de Aquisição de Alimentos. O programa água para todos garantiu 315 mil cisternas para pequenos agricultores pobres do semi-árido.
Em relação à inclusão produtiva urbana, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) destinou 71 mil vagas em cursos de formação em 160 municípios, nas áreas de construção civil, serviços, hotelaria, comércio, indústria, bares e restaurantes e cuidados com idosos, entre outros.
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Com Ibope em alta, Dilma avisa: tolerância zero com desvio continua
Presidenta reúne jornalistas para café da manhã de confraternização, faz balanço do primeiro ano e manda recado a aliados. Não abre mão de ‘tolerância zero’ com desvios éticos, e ministro tem de seguir ‘critérios do governo’, não de partidos. Na última pesquisa Ibope/CNI de 2011, avaliação do modo Dilma de governar fecha em 72%. Popularidade do governo sobe para 56%.
André Barrocal
BRASÍLIA – A presidenta Dilma Rousseff encerra o primeiro ano de mandato com a popularidade tão alta quanto no início, quando a expectativa ainda prevalecia sobre a realidade. Uma das marcas mais fortes de Dilma nestes 12 meses, talvez a principal na área política, foi a pouca disposição dela para segurar ministros com encrencas éticas. Essa “tolerância zero” com “malfeitos” vai continuar em 2012. Quem avisa é a própria presidenta.
Dilma recebeu nesta sexta-feira (16), no Palácio do Planalto, cerca de 50 jornalistas para um café da manhã de confraternização. Antes de responder a perguntas, fez uma exposição de uns 40 minutos com um balanço de seu primeiro ano. Reservou boa parte da análise para a economia. No final, disse que 2011 foi um ano de grandes desafios e, por iniciativa própria, mandou recados para os partidos aliados.
“Meu governo não tem nenhum compromisso com qualquer prática inadequada de malfeitos”, disse a presidenta, que espontaneamente definiu essa postura como “tolerância zero” com irregularidades.
“Vou exigir cada vez mais que a governança [dos ministérios] siga critérios internos do governo”, afirmou Dilma, explicando, também por iniciativa própria, sem ser perguntada por jornalistas, que o oposto de “critérios internos do governo” é orientação de partidos.
Para a presidenta, uma governança que obedece “critérios internos do governo”, algo que pode ser traduzido como “critérios dela, Dilma”, é importante para tornar o Estado brasileiro mais eficiente e profissionalizando.
O risco que a presidenta corre com essa atitude enérgica, que às vezes dentro do próprio governo se classifica como técnica demais e política de menos, seria perder apoio de partidos.
Mas a ausência de uma alternativa de poder forte na oposição até agora – o escolhido pelo PSDB, senador Aécio Neves, ainda precisa empolgar – e a popularidade em alta não estimulam a debandada. Ao contrário. Será mais fácil disputar a eleição para prefeito no ano que vem colado na popularidade de Dilma.
Ibope em alta
Nesta sexta-feira (16), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou a última pesquisa trimestral do ano que encomenda ao Ibope sobre a opinião que os eleitores têm do governo. E os resultados foram animadores para Dilma.
A avaliação positiva do governo (ótimo e bom) subiu de 51%, em setembro, para 56% agora, mesmo patamar observado em março, no primeiro levantamento CNI/Ibope do ano. A aprovação ao modo de a presidenta governar subiu de 71% para 72% – o que não quer dizer que aumentou de fato, pois variou dentro da margem de erro da pesquisa (dois pontos para cima ou para baixo) – e fecha quase igual a março (73%).
Nos dois casos – avaliação positiva do governo e aprovação do modo de o presidente governar -, Dilma bate os antecessores Lula e FHC, que não tinham índices tão altos em dezembro no primeiro ano de cada um de seus dois mandatos.
Só a confiança individual na presidenta é que não voltou ao patamar do início do ano, época de expectativas maiores. Manteve-se em 68% de setembro para agora, mas estava em 74% em março.
Para o gerente de pesquisas da CNI, Renato Fonseca, que divulgou o levantamento e fez uma análise dos resultados em uma entrevista coletiva, dois fatos explicam a popularidade de Dilma durante o ano.
O primeiro, que ele considera mais importante, foi a economia. Apesar de o país ter parado de crescer, a sensação de bem estar-estar das pessoas, proporcionada por geração de empregos e aumento da renda, continua. E quando a economia vai bem, o governo seria bem avaliado.
O segundo é que a presidenta “conseguiu se manter descolada” das denúncias de corrupção que já custaram a demissão de vários ministros.
Diante disso, não haveria mesmo porque Dilma abandonar a “tolerância zero”. Mas, como fez ao longo do ano, a presidenta também amenizou um pouco as palavras, talvez para não assustar demais os aliados. Ela disse que o governo “também tem que preservar sua capacidade de não criar caça às bruxas”, pois já se viu isso no passado, e “nunca leva a coisa boa”. E que é preciso defender o direito de resposta dos acusados.
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Com crise global à frente, Dilma vende confiança para salvar 2012
Em balanço de fim de ano durante café com jornalistas, Dilma Rousseff assume postura otimista para manter ‘espírito animal’ vivo na sociedade, em momento de incerteza global. E reafirma pacto pelo crescimento: ‘Meu cenário é entre 4,5% e 5%, mas a minha meta é 5%’. Segundo ela, país conhece e rejeita receita recessiva ‘sem luz no fim do túnel’ que domina Europa em crise.
André Barrocal
BRASÍLIA – A presidenta Dilma Rousseff termina 2011 com um balanço “otimista” de seu primeiro ano e uma visão também “otimista” sobre 2012, como disse a jornalistas nesta sexta-feira (16), em café da manhã de confraternização. Com o horizonte embaçado pela crise econômica global, Dilma fez aquilo que entende ser papel do governo numa hora dessas, vendeu confiança, numa tentativa de influenciar o ânimo da sociedade e, assim, tornar o “otimismo” autorealizável.
O símbolo máximo da confiança presidencial foi a previsão que fez de crescimento econômico no ano que vem, de 4,5% a 5%. Em linha com o que diz o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mas bem acima do que estimam empresários e gente do “mercado”.
Dois dias antes, por exemplo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que não pode ser chamada de “contra Dilma” – o mesmo não pode ser dito do “mercado” -, divulgara documento com suas previsões para 2012 e a aposta de 3% de crescimento. O “mercado” que o Banco Central (BC) ouve toda a semana crava 3,5% há mais de um mês.
Mais importante do que a projeção da presidenta, porém, foi o que ela assumiu como meta. “Meu cenário e da equipe econômica é entre 4,5% e 5%, mas a minha meta é 5%”.
A meta significa, na verdade, um compromisso político do governo. Postura que nasceu há quase cinco anos, em janeiro de 2007, junto com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de que Dilma era “mãe”, segundo o ex-presidente Lula.
Ao bradar que tudo fará para o país crescer 5%, o governo tenta estimular o “espírito animal” do empresariado, cujos investimentos e contratações de trabalhadores são decisivos para a economia crescer de fato.
Dilma não ignora que o Brasil, por mais preparado que esteja para suportar ventos adversos, acaba sofrendo os efeitos da crise global. E o PIB zero do terceiro trimestre é um exemplo disso – ainda que as ações deliberadas do governo para frear a economia, por causa da inflação, tenham contribuído também. Mas a presidenta acha importante não transmitir nenhum sinal de esmorecimento “à tropa”.
Com esta premissa, aproveitou o café para, na maior parte do tempo em que pode escolher o assunto durante sua exposição inicial de uns 40 minutos, abordar a economia.
Afirmou aos jornalistas, multiplicadores do que estava sendo dito no café da manhã, que “o quadro [internacional] ainda não está muito claro”, mas o Brasil tem “recursos próprios para enfrentar esse momento”.
Segundo Dilma, o país não para de receber investimentos estrangeiros, animados justamente pelo fato de o Brasil estar relativamente bem em meio a um mar de dúvidas e pessimismo. O país tem ainda os investimentos do PAC e do programa de construção de 2 milhões de moradias, a injetar dinheiro e fôlego na economia.
Não mencionou, mas poderia tê-lo feito, a previsão de reajuste polpudo do salário mínimo, na casa de 13%, no ano que vem, que também vai ajudar a roda da economia a girar, via consumo. “A demanda reprimida do povo brasileiro é uma das coisas mais fortes” que o Brasilpossui hoje contra a crise, disse Dilma. “Temos uma economia em expansão, e a tendência é expansiva.”
É o contrário do que vive a Europa, por exemplo, afirmou a presidenta, destacando que o fazia “sem soberba”. Na União Europeia, foco central de todas as atuais incertezas globais, a perspectiva é desalentadora, por causa de um receituário que o Brasil conhece, a cartilha do velho FMI. “Ficamos 20 anos no ajuste fiscal sem luz no fim do túnel, sabemos aonde vai dar”, disse.
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