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Governador petista abre seus sigilos e constrange tucano

Após o governador do Distrito Federal, Agnello Queiroz (PT), autorizar a CPMI do Cachoeira a quebrar seus sigilos fiscal, bancário e telefônico, iniciou-se uma campanha nas redes sociais, para que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), fizesse o mesmo. Em poucos horas, a hastag “PerilloAbraOSigilo” figurava entre os dez temas mais comentados no país. Constrangido, Perillo voltou atrás na posição manifestada ontem.

Najla Passos

Brasília – O governador do Distrito Federal, Agnello Queiroz (PT), autorizou a quebra dos seus sigilos fiscal, bancário e telefônico, durante seu depoimento à CPMI do Cachoeira, nesta quarta (13). Imediatamente, iniciou-se nas redes sociais uma campanha para que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), fizesse o mesmo. Em poucos horas, a hashtag “PerilloAbraOSigilo” já figurava entre os dez assuntos mais comentados no país. Constrangido, o governador de Goiás voltou atrás e informou, por meio do líder do PSDB na Câmara, deputado Bruno Araújo (PE), que também disponibilizaria seus dados.

Em seu depoimento na CPMI, na terça (12), o tucano havia se negado a abrir seus sigilos, alegando “não ver necessidade para isso”. O relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), chegou a enfrentar um bate-boca com os oposicionistas por questionar o governador sobre a possibilidade. Já Queiroz se antecipou e ofereceu ele mesmo a autorização. Com isso, foi aclamado pelos parlamentares e coroou seu bom desempenho no depoimento, considerado positivo até mesmo por adversários.

“Esse jogo terminou 1 a 1”, avaliou o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), já na reta final das mais de dez horas de depoimento. Para ele, é preciso ficar claro que os governadores que depuseram não compõem a organização criminosa do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Nem todos concordaram. “Não dá para colocar no mesmo balaio as duas situações, até porque são muito diferentes. O governo Perillo já está comprovadamente envolvido, como demonstram as investigações. O de Agnello, não”, afirmou o deputado Dr. Rosinha (PT-PR).

“Eu votei pela sua convocação, com base no critério de que o senhor foi citado nas investigações, mas saio daqui hoje com a convicção de que o senhor é um homem honrado, que está enfrentando uma grande perseguição do crime organizado”, justificou o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Outros parlamentares, como o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-DF), avaliaram que ainda restam questões mal explicadas, como a rápida evolução patrimonial do governador e a suposta relação de seu chefe de gabinete, Cláudio Monteiro, com membros da Delta e da quadrilha. Mas também elogiou a atitude de Agnello de abrir seus sigilos.

No depoimento, o governador do DF negou envolvimento com Cachoeira ou favorecimento à construtora Delta, considerada o principal braço de atuação da quadrilha e considerada inidônea pela Controladoria Geral da União (GCU). Também aproveitou os holofotes da mídia para destacar os feitos de sua administração. Mas fez denúncias contundentes. Segundo ele, seu governo vem sendo perseguido pelo crime organizado, que se utiliza de arapongagem e até mesmo de parte da imprensa convencional para tentar enfraquecê-lo. “Planejavam uma forma de me derrubar.

Derrubar um governo eleito pelo povo que estava impedindo que o crime entrasse no governo”, denunciou. Como exemplo, ele destacou a conversa flagrada pelas escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal, na qual Cachoeira comemora reportagem da revista Veja que atacava seu governo, dois antes da edição da revista chegar às bancas.

Negou com veemência qualquer favorecimento à Delta. “O GDF tem um único contrato com a Delta, assinado antes da minha posse e por decisão judicial”. Segundo ele, a Delta entrou no GDF em licitação de 2007, ainda durante a administração do ex-governador José Roberto Arruda, cassado por envolvimento no escândalo conhecido como “mensalão do DEM”.

Embora tenha apresentado preço 30% mais barato, foi desclassificada por problemas de documentação. A Justiça, entretanto, decretou a vitória da construtora que, por isso, firmou contrato com o governo, em 2010.

Agnello disse que nunca recebeu Cachoeira, não manteve relações com ele durante a campanha e não recebeu contribuições de suas empresas. Também nunca ligou ou recebeu ligações do contraventor. Agnello é citado 50 vezes nas interceptações da PF. Segundo ele, seu único contato com o líder da quadrilha foi quando, como diretor da Anvisa, visitou a empresa de medicamentos Vitaplan, localizada em Anápolis, o segundo maior polo farmacêutico do país. Cachoeira é um dos sócios da Vitaplan e estava no local.

Disse que tinha uma relação cordial com Demóstenes, quando ambos foram parlamentares. “Minha surpresa foi o ataque violento dele contra a minha pessoa, após as eleições. Ele fez pronunciamento contra mim na tribuna do Senado, apresentou requerimento e pediu meu impeachment, em novembro de 2011. Só agora entendo a virulência dele contra mim”, comentou.

O governador defendeu o ex-chefe de gabinete, Claudio Monteiro, considerado por ele vítima do esquema de Cachoeira. “Tenho total confiança nele. Claudio é citado em diálogos de terceiros. Não tem nenhuma interceptação dele em todo esse tempo de investigação. Não tenho nenhum motivo para desconfiar dele porque não houve nenhuma ação dele que favorecesse à Delta”.

Sobre sua evolução patrimonial, que cresceu 12 vezes de 1992 até agora, afirmou ser compatível com sua renda familiar. Agnello lembrou que ele e a mulher são médicos e, se o crescimento foi grande, é porque eles não possuíam patrimônio algum no início das respectivas carreiras. “A quebra dos meus sigilos irá sanar todas as dúvidas dos senhores”, afirmou.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cartamaior.com.br

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