fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 23:00 Sem categoria

Trabalhadores bancários à espera de propostas sem truques

Bancos apresentam proposta global nesta terça 28, Dia do Bancário

Após três rodadas duplas de negociação, a Fenaban apresentará ao Comando Nacional nesta terça-feira 28, Dia dos Bancários, uma proposta global para as reivindicações da categoria na Campanha 2012.

“A expectativa dos bancários é que os bancos, para valorizar o processo de negociações, entreguem uma proposta que contemple aumento real de salário, valorização do piso, PLR maior, garantia de emprego, melhores condições de saúde e trabalho, mais segurança e promoção à igualdade de oportunidades”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

“Pelos lucros fantásticos que o sistema financeiro continua produzindo, graças principalmente ao aumento da produtividade dos bancários, há condições objetivas para atender as nossas reivindicações. Somente os seis maiores bancos tiveram lucro líquido de R$ 25,2 bilhões, mesmo usando o truque de fazer provisões para devedores duvidosos de R$ 39,15 bilhões para uma inadimplência que cresceu apenas 0,7 pontos percentuais no período”, acrescenta Cordeiro.

O Comando Nacional mostrou à Fenaban na terceira rodada de negociações, na quarta-feira 22, que o sistema financeiro nacional é o mais rentável do mundo, recompensa seus altos executivos com bônus milionários, mas paga a seus empregados um dos salários mais baixos dentre os bancários sul-americanos. “São injustiças como essas que tornam o Brasil o país com a quarta pior distribuição de renda na América Latina, segundo estudo da ONU. Isso não pode continuar”, critica o presidente da Contraf-CUT.

Confira a seguir as principais reivindicações da categoria na Campanha 2012, aprovadas pela 14ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada entre 20 e 22 de julho, em Curitiba.

Remuneração

 Reajuste salarial de 10,25% (reposição da inflação mais 5% de aumento real).

 Piso salarial de R$ 2.416,38, equivalente ao salário mínimo do Dieese.

 PLR de três salários mais R$ 4.961,25 fixos.

 PCS para todos os bancários.

 Reajuste para R$ 622,00, valor do salário mínimo nacional, para o auxílio-refeição, a cesta-alimentação, o auxílio-creche/babá e a 13ª cesta-alimentação, além da criação do 13º auxílio-refeição no mesmo valor.

 Parcelamento do adiantamento de férias em até dez parcelas iguais.

 Salário do substituto igual ao do substituído.

Emprego

 Mais contratações.

 Garantias contra demissões imotivadas.

 Fim da rotatividade.

 Respeito à jornada de seis horas.

 Fim das terceirizações.

 Universalização dos serviços bancários em substituição aos correspondentes.

Saúde e condições de trabalho

 Fim das metas abusivas.

 Combate ao assédio moral.

 Programa de Reabilitação Profissional.

Segurança bancária

 Obrigatoriedade da porta de segurança em todas as agências e postos.

 Fim da guarda das chaves do cofre e das unidades por bancários e vigilantes.

 Proibição ao transporte de numerário por bancários.

 Biombos e divisórias para garantir privacidade nos saques.

 Melhoria da assistência de saúde às vítimas de assaltos e sequestros.

Igualdade de oportunidades

 Inclusão na Convenção Coletiva dos planos de ação dos bancos de combate às discriminações, elaborados a partir do Mapa da Diversidade.

 Realização de novo censo para avaliar resultados das medidas em defesa da igualdade já implantadas.

Relembre como foram as três rodadas de negociações anteriores:

Bancários negociam remuneração e Fenaban fará proposta global dia 28

Negociação sobre igualdade emperra; Comando propõe projeto de segurança

Avança negociação sobre saúde entre Comando Nacional e Fenaban

Banqueiros se negam a discutir metas abusivas que adoecem bancários

Banqueiros dizem que bancários não estão preocupados com emprego

Fonte: Contraf-CUT

========================

Com truque das provisões, bancos escondem lucro para reduzir a PLR

Os seis maiores bancos do sistema financeiro nacional registraram em seus balanços lucro líquido conjunto de R$ 25,2 bilhões no primeiro semestre de 2012. E debitaram como provisões para devedores duvidosos (PDD) R$ 39,15 bilhões – 64,3% a mais que o lucro líquido.

O aumento das PDDs variou de 22,2% (Caixa) a 63,43% (HSBC), enquanto o índice de inadimplência do sistema financeiro como um todo no período, segundo o Banco Central, subiu apenas 0,7 pontos percentuais na média.

Confira na tabela a seguir:

Resultados dos seis maiores bancos no 1º semestre de 2012

  Lucro líquido (R$) Provisões para devedores duvidosos (PDD), em R$  Evolução das PDDs (*) Variação da inadimplência (*)
Itaú 7,1 bilhões (recorrente) 12,02 bilhões +26,7% 1,0 p.p.
Banco do Brasil 5,7 bilhões (ajustado) 6,93 bi +26,58% 0,1 p.p.
Bradesco 5,7 bilhões

(ajustado)

6,95 bi +33,14% 0,5 p.p.
Caixa 2,8 bilhões 3,64 bi +22,2% 0,0 p.p.
Santander 3,2 bilhões (IRFS) 7,8 bi +36,15% 0,6 p.p.
HSBC 602 milhões 1,81 bi +63,43% 1,2 p.p.
Total 25,2 bilhões 39,15 bilhões    

(*) Comparação com o primeiro semestre de 2011.

Fonte: Demonstrações financeiras dos bancos. Elaboração: Dieese – Rede Bancários

“Sempre soubemos que a maquiagem dos balanços é um velho truque dos bancos para esconder seus lucros, mas isso nunca ficou tão claro como agora. As instituições financeiras cumprem vários objetivos com essa mágica e um deles é reduzir a PLR dos bancários. Na campanha nacional deste ano, queremos discutir essa questão a sério”, adverte Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

Além de tirar PLR dos trabalhadores, com a maquiagem dos balanços para reduzir contabilmente o lucro, os bancos tentam justificar a contenção da oferta de crédito e a manutenção das maiores taxas de juros, spreads e tarifas do mundo. “É uma chantagem do sistema financeiro para com a sociedade brasileira”, critica Cordeiro.

O Comando Nacional defende outra fórmula de distribuição da PLR, propondo três salários mais uma parcela fixa de R$ 4.961,25. Uma regra simples e mais justa.

Além das mudanças de critérios frequentes que os bancos fazem nos balanços, este ano ainda se soma o superdimensionamento das provisões para devedores duvidosos. “Se seguirmos o modelo atual, em muitas instituições os bancários receberão PLR menor que no ano passado, apesar de os lucros terem aumentado. Queremos também discutir as PDDs”, avisa o presidente da Contraf-CUT.

Os bancos reconheceram que a atual fórmula é complexa e “diabólica” e que um modelo simples seria melhor, mas salientaram que não pretendem mudar neste momento as atuais regras da PLR.

“Os bancários, principais responsáveis pelos lucros dos bancos, não podem ser prejudicados, enquanto os altos executivos recebem bônus milionários. Quem produziu todos esses resultados gigantescos precisa ser valorizado com uma boa PLR, além de uma proposta global decente que atenda às reivindicações da categoria”, conclui Cordeiro.

Fonte: Contraf-CUT

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.contrafcut.org.br

Close