O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou alta de 0,6 ponto em junho e alcançou 53,0 pontos no Brasil, segundo pesquisa divulgada pela Ipsos nesta segunda-feira (29). O resultado mantém o indicador em território positivo e reforça um cenário de estabilidade que começou a se consolidar nos últimos meses, mesmo diante de desafios econômicos e de um ambiente de intensa exposição a notícias negativas.
De acordo com a Ipsos, a permanência do índice acima da linha de equilíbrio sugere que o consumidor brasileiro encontrou, ao menos no curto prazo, um patamar de sustentação para suas expectativas. O avanço ocorre em um contexto considerado paradoxal pelo instituto, já que o início de junho foi marcado por notícias desfavoráveis na economia, como revisões para cima das projeções de inflação, debates sobre a taxa Selic e os níveis de juros, oscilações no mercado financeiro e preocupações relacionadas a possíveis tensões tarifárias internacionais.
Apesar desse cenário, a pesquisa aponta que a percepção dos consumidores tem sido influenciada por fatores que vão além dos indicadores econômicos tradicionais. Segundo a Ipsos, a dinâmica do consumo de informações ajuda a explicar o aparente descolamento entre a realidade econômica e os níveis de confiança da população.
Banco Master
O instituto destaca que os brasileiros vivem atualmente sob um ciclo intenso de notícias, marcado pela ampla cobertura de escândalos corporativos, como os episódios recentes envolvendo o Banco Master, além da forte exposição a casos de violência e feminicídio.
“Esse excesso de ‘ruído’ atua como uma distração constante que desvia o foco do aperto financeiro imediato, fazendo com que o humor geral da população oscile de forma abrupta, guiado muito mais pela emoção do noticiário do que pelos fundamentos da economia”, afirmou a Ipsos.
A pesquisa também mostrou avanço na percepção da população sobre os rumos do país. O percentual de brasileiros que acreditam que o Brasil está na “direção certa” chegou a 42% em junho, registrando alta de três pontos percentuais em relação a maio e de cinco pontos percentuais na comparação com o mesmo período do ano passado.
Apesar da melhora na confiança, alguns problemas continuam sendo apontados como as principais preocupações da população. Crime e violência lideram o ranking, mencionados por 47% dos entrevistados, seguidos pela corrupção, citada por 39%. Segundo a Ipsos, esses temas permanecem no topo das preocupações nacionais, impulsionados pela forte exposição midiática.
Brasil contrasta com cenário internacional
Enquanto o Brasil apresenta sinais de estabilização da confiança do consumidor, o cenário internacional mostra resultados mais modestos. Globalmente, o índice atingiu 47,9 pontos, refletindo um ambiente de maior cautela em diversas economias.
Um dos contrastes mais relevantes foi observado nos Estados Unidos. Enquanto o índice brasileiro avançou para 53,0 pontos, o indicador norte-americano recuou 0,5 ponto, atingindo 49,1 pontos e permanecendo em território pessimista.
Na Argentina, a adaptação ao programa de ajuste econômico implementado pelo presidente Javier Milei continua impactando a percepção dos consumidores. O país registrou queda de 3,4 pontos no índice de confiança, chegando a 37,4 pontos e ocupando a penúltima posição entre os 30 países analisados pela pesquisa.
A Índia segue liderando o ranking global de confiança do consumidor, com 63,8 pontos. O Brasil, por sua vez, aparece na quinta colocação entre as economias cujos consumidores demonstram maior otimismo em relação ao cenário econômico nacional.
Texto: Julinho Bittencourt
Fonte: Revista Fórum