Responsáveis por projetos relacionados à Copa do Mundo e às Olimpíadas debatem o estágio atual das obras e das demais intervenções urbanas. Aumento dos custos recebe críticas
Por: Maurício Thuswohl, da Rede Brasil Atual – Publicado em 24/08/2012, 15:19 – Última atualização às 15:19
Rio de Janeiro – Algumas das autoridades responsáveis pelos diversos projetos relacionados à Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas de 2016 se encontraram na quinta-feira (23) para debater o estágio atual das obras e demais intervenções urbanas planejadas para os dois eventos. Ao longo da discussão, promovida pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco) no Rio de Janeiro, foi feito um balanço sobre a reforma do Maracanã, a construção do Parque Olímpico e as obras em torno do Engenhão, além dos projetos de mobilidade urbana e de revitalização da zona portuária (Porto Maravilha) levados a cabo pelo governo estadual e pela Prefeitura do Rio.
Os debatedores concordaram que os principais projetos voltados aos dois megaeventos esportivos caminham a bom termo e devem cumprir os cronogramas inicialmente planejados, mas ressaltaram a importância de fazer com que não se transformem em “elefantes brancos” e efetivamente se tornem um legado para a cidade e o país (no caso da Copa). Outro ponto quente do debate, a indefinição sobre os custos de alguns desses projetos, que não param de crescer, foi alvo de críticas.
“Os números da Copa e sua imprecisão face à alta de [custos dos] projetos são impressionantes. Só para a construção ou remodelação dos doze estádios que serão usados, a CBF estimou em 2007 um custo de R$ 1,9 bilhão. Esse custo está estimado hoje em quase R$ 7 bilhões. O Maracanã, que deverá custar R$ 800 milhões, é o terceiro estádio mais caro, perdendo apenas para o Itaquerão em São Paulo e para o Mané Garrincha em Brasília, cada um com custos próximos a R$ 1 bilhão”, disse Márcio Amorim, presidente do Sinaenco no Rio de Janeiro.
Amorim afirmou que alguns investimentos inicialmente imaginados para a Copa não se concretizaram: “Um exemplo é o trem de alta velocidade ligando Rio, São Paulo e Campinas, que inicialmente ficou para as Olimpíadas 2016 e agora já foi adiado para 2020, sendo que até o presente não há projeto que permita definir seu traçado, seu custo e sua viabilidade”, disse o empresário. Ele também criticou os projetos de reforma dos aeroportos brasileiros, “estimados em mais de R$ 5 bilhões e com cronograma bastante atrasado”.
Diretor Executivo da Autoridade Pública Olímpica (APO) e ex-secretário-executivo do Conselho das Cidades durante o governo Lula, Elcione Diniz Macedo afirmou que o modelo de governança dos projetos relativos aos grandes eventos, ditado pela autonomia entre as esferas de poder Executivo no país, influencia no aumento de custos.
“Só no Brasil, o presidente, o governador e o prefeito são autoridades que não têm hierarquia entre si. Nos outros países não existe isso, a autonomia é relativa. A nossa é uma autonomia profunda, e isso nos traz bastante facilidade na hora de trabalhar e cada um desempenhar o seu papel, mas algumas dificuldades na hora de distribuir o dinheiro, porque o bolo acaba ficando maior. Além disso, temos que promover uma ampla discussão para garantir a entrega da infraestrutura”, disse.
PPP
Sobre o financiamento das instalações esportivas para as Olimpíadas, o dirigente da APO explicou que haverá um plano-mestre (Master Plan, no jargão em inglês utilizado pelo mercado) para todo o Parque Olímpico, com requalificação urbana da área e definição do domínio das instalações, além de um plano em separado para a construção das instalações em si: “Três grandes ginásios e a infraestrutura urbana do Parque Olímpico serão feitas em regime de Parceria Público-Privada (PPP), desonerando o governo federal desse dispêndio de recursos. A prefeitura do Rio licitará obras para as instalações que serão utilizadas para competições aquáticas, handebol e tênis, além do velódromo”, disse.
A estimativa total de custos para a construção do Parque Olímpico é de R$ 1,4 bilhão e o vencedor do concurso para a efetivação da PPP foi o consórcio formado pelas construtoras Carvalho Hosken, Odebrecht e Andrade Gutierrez, que participou do pleito sem concorrentes. Já a vencedora do concurso para elaboração do Master Plan do Parque Olímpico foi a empresa norte-americana de arquitetura, engenharia e planejamento Aecom, presente no Brasil há 15 anos.
Maracanã
Presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop) e responsável imediato pelas obras de reforma do Maracanã, Ícaro Moreno garantiu que o cronograma do projeto está sendo respeitado e que o estádio estará operacional a tempo do grande evento-teste, a Copa das Confederações, previsto para o meio do ano que vem. “Estamos trabalhando muito forte para entregar o Maracanã bem antes da Copa das Confederações. Estaremos entregando em fevereiro ou março esta obra para que possam ser feitos todos os testes necessários antes da competição”, disse.
Indagado sobre a possibilidade de ocorrência de um novo aumento na previsão de custos da reforma do Maracanã, Moreno deixou tudo em aberto: “Os recursos estão sendo suficientes. Por enquanto, dá”, limitou-se a dizer, acrescentando que “os governos estadual, municipal e federal estão juntos e trabalhando muito”.
O Sinaenco irá organizar eventos semelhantes ao ocorrido no Rio de Janeiro em todas as cidades que poderão receber os jogos da Copa das Confederações. O próximo debate acontecerá em Fortaleza, no dia 30 de agosto, reunindo autoridades municipais e estaduais, além de dirigentes da APO.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www.redebrasilatual.com.br/temas/esportes/2012/08/autoridades-discutem-elevacao-de-custos-e-legado-da-copa-e-das-olimpiadas
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Copa do Mundo e grandes obras: redes são essenciais para combate à exploração sexual de menores
Guilherme Jeronymo
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – A ministra dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, defendeu, em evento na manhã de hoje (22), a necessidade de um trabalho conjunto entre governo, terceiro setor e setor produtivo para evitar abusos e exploração sexual de crianças e adolescentes nos grandes eventos e obras de infraestrutura que o país realiza e que fará nos próximos anos.
“Se nós já temos um mapa de onde vamos instalar estes grandes empreendimentos, para onde direcionamos redes e grupos populacionais, grupos de trabalhadores tão amplamente significativos em termos numéricos, nós devemos atuar com as empresas”, declarou.
A ministra chamou a atenção, ainda, para a necessidade de um trabalho em prol de cinturões de proteção à criança e ao adolescente, nas obras e nos megaeventos, que seriam resultado de campanhas de fiscalização e informação e envolveriam empregadores, governos locais, polícias, entidades do terceiro setor e governo.
“Todos nós violamos profundamente os direitos humanos se não reconhecemos o direito à infância, que fica completamente destruído com a violência sexual. Nós não queremos ser, na Copa do Mundo, um país tolerante com a violência sexual. Devemos atuar juntos, ter um plano de ação nas cidades da Copa e no seu entorno turístico”, disse.
A ministra propôs hoje a criação de uma rede tripartite entre governo, sociedade civil e setor produtivo, visando a formação dos cinturões para a Copa de 2014 e a instalação de grupo de trabalho entre as entidades no começo de 2013. A proposta foi aceita pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que a capitaneará entre os empresários.
Edição: Fábio Massalli
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Plano de segurança da Copa de 2014 prevê gastos de R$ 1,17 bi
Jorge Wamburg
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O plano de segurança da Copa do Mundo de 2014 será dividido em 15 áreas temáticas que vão custar R$ 1,170 bilhão ao governo federal, dos quais três quartos para a compra de equipamentos e o restante para o custeio do sistema. A criação da comissão que vai redigir o plano ficou decidida hoje (15), na segunda reunião entre secretários de Segurança Pública dos estados-sede do evento e a Secretaria Extraordinária para Segurança de Grandes Eventos, do Ministério da Justiça.
As novas tecnologias e equipamentos de segurança que serão usados na Copa de 2014 e na Copa das Confederações em 2013 também foram discutidos na reunião. Entre os equipamentos que vão integrar os centros de comando e controle (regionais e móveis), haverá dispositivos de imageamento aéreo (realização de fotografias terrestre a partir de um avião, visando à realização de fotomapas, entre outras aplicações) e plataformas de observação.
Serão implantados 14 centros de comando e controle, dois nacionais – com sedes em Brasília e no Rio de Janeiro – e 12 nas nove capitais que receberão jogos. Esses centros estarão conectados entre si para dar suporte tecnológico e de telecomunicações à integração das forças policiais para a Copa.
Os centros de comando e controle serão um dos legados na área de segurança que a Copa do Mundo deixará para o país, permitindo uma integração do policiamento entre os estados após o evento. O secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, Valdinho Jacinto Caetano, disse que a reunião teve a finalidade de detalhar a atuação dos órgãos envolvidos no plano de segurança da Copa, “para que haja uma total sinergia entre todos eles”.
Para que isso aconteça, segundo o secretário, ficou decidido que os equipamentos de segurança serão comprados pela secretaria extraordinária e repassados aos estados. Ele justifica que, dessa forma, o custo é menor do que se as compras fossem feitas isoladamente pelos governos estaduais das cidades-sede. Além disso, apenas uma equipe cuida das aquisições e os estados enviam técnicos para acompanhar esse trabalho.
“O que queremos é deixar para a população, depois da Copa, um legado na forma de atuar do setor de segurança pública. O que fica é justamente a integração entre os estados”, disse Caetano. Ele citou os assaltos a bancos que vêm ocorrendo no interior do país como um exemplo de integração que vai assegurar maior eficiência na atuação da polícia.
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, destacou que os estados fizeram “o dever de casa” e já estão prontos para receber os equipamentos que serão fornecidos pelo governo federal. Ele considerou que o encontro serviu para detalhar a gestão do plano de segurança da Copa, “o que facilitará a ação de todos”.
O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, disse que serão adquiridas pelo governo de Brasília 2 mil câmeras de monitoramento e equipamentos de rádio para o policiamento da cidade durante a Copa do Mundo, com um custo previsto de R$ 220 milhões. Além, disso, deverão ser contratados por concurso público 1.000 policiais militares e 700 policiais civis.
Os locais onde funcionarão os centros de comando nacional e local já estão escolhidos e o governo do Distrito Federal aguarda os equipamentos que serão comprados pelo Ministério da Justiça para que sejam montados.
Edição: Davi Oliveira
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Copa do Mundo e Olimpíadas deixarão legado econômico e esportivo gigantesco, diz governo
Danilo Macedo
Enviado Especial da EBC
Londres (Reino Unido) – Os Jogos de Londres terminaram com sucesso e teve início um novo ciclo olímpico visando às competições do Rio de janeiro, em 2016. Hoje (12) o secretário executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, disse que a realização tanto da Copa do Mundo de 2014 quanto das Olimpíadas de 2016 trarão um retorno financeiro “gigantesco” ao país, além do legado imaterial que, segundo ele, deve melhorar as condições de vida da população e elevar o patamar esportivo do país.
Ao comparar os legados das competições no Reino Unido e no Brasil, Fernandes disse que uma grande diferença é que, enquanto um foi o berço da Revolução Industrial no mundo, o outro é um país em desenvolvimento. Segundo ele, sediar esses eventos é uma oportunidade para investir de forma massiva em obras de infraestrutura que poderiam demorar até 20 anos para ser construídas. “O retorno econômico para o país é gigantesco. O que estamos montando são infraestruturas que vão alavancar o desenvolvimento do país por mais de uma geração, ou várias gerações”.
Quanto ao legado imaterial, o secretário destacou os investimentos feitos em segurança nas cidades-sede, que serão permanentes, a promoção da saúde por meio do estímulo à prática esportiva, e a melhor estruturação do esporte nas escolas. “As deficiências do nosso esporte de base se referem, sobretudo, às deficiências do esporte no sistema educacional brasileiro”, disse em coletiva na Embaixada do Brasil em Londres.
Fernandes destacou que faz parte da agenda olímpica “a massificação da prática esportiva” nas escolas, com investimento em infraestruturas esportivas. Segundo ele, um projeto de escolas olímpicas está sendo construído em conjunto com o Ministério da Educação, com um novo desenho das Olimpíadas escolares. “Há uma perspectiva de promoção do desenvolvimento nacional a partir desses dois megaeventos esportivos que é a verdadeira razão pela qual nós lutamos tão duramente para sediá-los no Brasil.”
Edição: Juliana Andrade
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