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Presidência do Banco Central ficará com ex-comandado de Armínio Fraga

Em 2013, Ilan Goldfajn defendeu “desaquecimento” do mercado de trabalho para combater inflação. E o novo secretário de Acompanhamento Econômico, filiado ao PSDB, trabalhou na campanha de Aécio Neves
por Redação RBA publicado 17/05/2016 14:12, última modificação 17/05/2016 15:00
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Antes de assumir, Goldfajn terá de passar por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado

São Paulo – “A sociedade está preparada para (temporariamente) reduzir o consumo e desaquecer o mercado de trabalho para reduzir a inflação?”, perguntava, em março de 2013, o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, também sócio da instituição. Na época, a afirmação, em artigo, irritou os trabalhadores. Ex-diretor de Política Econômica (2000-2003) do Banco Central, na gestão Armínio Fraga, ele foi indicado hoje (17) pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para o comando do BC. Políticos do PSDB e do DEM já elogiaram a indicação.

Antes de assumir, Goldfajn, 45 anos, terá de passar por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que atualmente tem Gleisi Hoffmann (PT-PR) na presidência e Raimundo Lira (PMDB-PB, o presidente da comissão especial do impeachment) na vice. Por enquanto, Alexandre Tombini segue na direção do BC. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para 7 e 8 de junho.

Em análise feita no início do mês, o economista-chefe do Itaú Unibanco afirmou que o Copom dava em sua ata um “sinal claro” de que manterá, nessa reunião, a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. E identificava alguns sinais positivos.

“Acreditamos que as chances de um novo esforço de ajustes e reformas fiscais adiante vêm aumentando. A inflação em 12 meses deve continuar recuando, conforme os efeitos do ajuste de preços relativos de 2015 ficam para trás. Neste contexto, as expectativas de inflação também devem recuar gradualmente”, afirmou. “Esta melhora esperada do balanço de riscos, se confirmada, deve trazer conforto ao Copom para iniciar um ciclo de cortes de juros no segundo semestre.”

Mercado

De 2000 a 2002, a taxa básica manteve-se sempre acima dos atuais 14,25%. No final do governo Fernando Henrique Cardoso, chegou a 25%. Chegou a subir em 2003, primeiro ano do governo Lula, sob gestão de Meirelles, agora na Fazenda: foi a 26,50%, mas ainda naquele ano iniciou trajetória de cortes e fechou em 16,50%.

Bem visto no mercado por sua formação e pelo conhecimento tanto do setor público como do privado, Goldfajn também foi diretor (2006-2009) na Casa das Garças, centro de “notáveis” com forte participação tucana, já chamada de “ninho dos liberais” pela revista Exame. Durante três anos (2003-2006), exerceu a função de economista-chefe da Gávea Investimentos, criada por Armínio Fraga – que esteve cotado para assumir a Fazenda na gestão do interino Michel Temer, mas teria recusado o convite. Trabalhou no Fundo Monetário Internacional de 1996 a 1999.

Outro nome anunciado hoje por Meirelles, o do secretário de Acompanhamento Econômico, Mansueto Facundo de Almeida Jr. também já trabalhou no governo, como coordenador-geral de Política Monetária e Financeira na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, de 1995 a 1997, na gestão de Pedro Malan. Foi assessor econômico do senador tucano Tasso Jereissati (CE) e é funcionário de carreira do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Licenciou-se em 2014 para trabalhar na campanha de Aécio Neves à Presidência da República. É filiado ao PSDB desde 1995.

No referido artigo de 2013, Goldfajn esperava crescimento de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB) daquele ano (ficou em 2,3%), com expectativa confirmada de taxa de desemprego baixa e aumento real de salários. “Boas notícias para um lado da economia, mas, por outro, dificultam o combate à inflação”, comentou.

“Pleno emprego, salários altos e consumo forte têm sido valiosos para a economia brasileira. A inflação sob controle também é um valor. Não está claro se há consciência na sociedade de que, para manter a inflação sob controle, possa ser necessário temporariamente reduzir o consumo e desaquecer o mercado de trabalho”, disse o economista na ocasião. O mercado já anda bem “desaquecido”.

Notícia colhida no sítio http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2016/05/meirelles-indica-para-comandar-bc-ex-diretor-da-era-arminio-fraga-7793.html

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Ilan Goldfajn é indicado para o Banco Central

Daniel Lima e Kelly Oliveira – Repórteres da Agência Brasil
Illan Goldfajn
O economista Illan Goldfajn é indicado para presidente do Banco Central Foto Wilson Dias – Agência Brasil

O economista Ilan Goldfajn foi indicado hoje para a presidência do Banco Central. Ele terá que ser sabatinado e ter o nome aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e pelo plenário. O anúncio do nome foi feito pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Na condição de presidente do Banco Central, Goldfajn vai coordenar a política monetária e cambial do país.

Meirelles disse que continuará estudando com calma o cenário econômico e que a próxima decisão será relativa aos bancos públicos – Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia.

O ministro admitiu que alguns dos atuais gestores poderão ser mantidos. O ministro da Fazenda também disse que o atual secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, permanecerá no cargo. Otávio Ladeira será mantido na Secretaria do Tesouro.

Ilan Goldfajn tem experiência no setor público: exerceu o cargo de diretor de Política Econômica do BC, entre 2000 e 2003, na gestão de Armínio Fraga. Goldfajn assumirá o cargo após passar por sabatina no Senado. Ele é economista-chefe do Itaú Unibanco, de onde é sócio.

No seu histórico profissional também está a diretoria do Centro de Debates de Políticas Públicas. Foi também diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa em Economia da Casa das Garças, entre 2006 e 2009, sócio-fundador da Ciano Consultoria (2008 e 2009), sócio-fundador e gestor da Ciano Investimentos (2007-2008) e sócio da Gávea Investimentos (2003-2006), onde foi responsável pelas áreas de pesquisas macroeconômicas e análise de risco.

Goldfajn é economista, com mestrado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Atuou como consultor de organizações internacionais (como Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e Nações Unidas), do governo brasileiro e do setor privado.

Repercussão

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, considera a escolha de Goldfajn positiva. “Acho um nome excepcional, muito qualificado com passagem pelo governo, com muitos trabalhos publicados, acadêmicos, na área de política monetária. Tem experiência do lado público e do lado privado. E acho que ele tem credibilidade com sobra para poder cortar os juros”, disse.

O professor de macroeconomia do Ibmec-RJ e economista da Órama Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Alexandre Espírito Santo também ressaltou a formação acadêmica de Goldfajn e a experiência no mercado financeiro e no BC.

“É um dos mais competentes e preparados economistas que o país tem. Já mostrou isso quando foi diretor do Banco Central e tem uma formação extraordinária, acadêmica. Tem muita experiência como economista e sócio do Itaú”, disse.

Para o professor do Ibemec, haverá uma transição “bem tranquila” no BC. “A atual equipe do Banco Central também é muito competente. Pode ter um pouco de divergência em termos de pensamento econômico, mas vai ser uma transição tranquila. Aliás, na minha cabeça parece que vai ser a única transição tranquila pela competência de ambos. Tanto de quem vai sai, quanto de quem vai entrar”, acrescentou Espírito Santo.

(*) Texto atualizado às 8h51 para acréscimo de informações

Edição: Kleber Sampaio
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