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Por 11:38 Bancos, Recentes

Master: Irmão de Ciro Nogueira contrata advogado indicado por Bolsonaro

Alvo da Operação Compliance Zero por ser administrador da CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda, empresa que tem as iniciais do nome do irmão, Ciro Nogueira (PP-PI), e teria sido usada para receber propinas do Banco Master, segundo a Polícia Federal, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima contratou para fazer sua defesa o criminalista Rodrigo Mudrovitsch, indicado em 2020 por Jair Bolsonaro (PL) para a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Na Presidência da Corte até 2027, Mudrovitsch pode julgar uma ação de bolsonaristas que pedem a revisão da condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a permanência do ex-presidente em prisão domiciliar.

O juiz brasileiro foi indicado por Bolsonaro à corte em um momento de aproximação com o ministro Gilmar Mendes, do STF, que teria feito a indicação.

Além de professor do curso de Direito do Instituto de Direito Público (IDP), instituição fundada por Mendes, Mudrovitsch atuou na defesa do ministro do Supremo em uma ação contra o jornalista Rubens Valente por trechos do livro Operação Banqueiro, que relata os bastidores da Operação Satiagraha e a relação do banqueiro Daniel Dantas, do Oppotunity, em uma prévia do que seria o Caso Master, de Daniel Vorcaro.

A indicação do nome de Mudrovitsch por Bolsonaro foi cercada de críticas, já que o advogado, então com 36 anos, não tinha histórico de atuação em Direitos Humanos, tampouco de Direito Internacional.

Ao contrário, o advogado atuou na defesa de ruralistas no processo referente ao chamado Marco Temporal, cunhado para legalizar invasão de terras indígenas.

Mudrovitsch ganhou notoriedade durante a Lava Jato, atuando em acordos de delação de investigados ligados à Odebrecht e empresários como Eike Batista e Eraí Maggi, o “Rei da Soja”, primo do ex-governador do Mato Grosso Blairo Maggi.

Mensalão do Master

Em troca de comandar o lobby de Vorcaro no Congresso, o ex-ministro da Casa Civil seria o principal contemplado no Mensalão do Master, recebendo mensalmente repasses de R$ 300 mil, que somariam cerca de R$ 18 milhões em propinas pagas em transações identificadas como “parceria BRGD/CNLF”.

Operacionalizada por Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro preso na operação, e pelo pai dele Oscar Vorcaro, a BRGD S.A. fazia os repasses à CNLF Empreendimentos Imobiliários. A sigla é referente ao nome Ciro Nogueira Lima Filho, mas é comandada pelo irmão Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, que recebeu tornozeleira eletrônica e está proibido de falar com o senador.

A investigação mostra também que a mesada a Ciro Nogueira foi aumentada para R$ 500 mil em janeiro de 2025, em meio à tramitação da Emenda Master, que acabou arquivada.

Em troca de mensagens, Felipe comunica ao primo sobre o pedido para aumentar o valor em meio milhão de reais. “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, indaga ao banqueiro, que dá carta branca ao parente para liberar o pagamento.

Segundo a investigação, Daniel Vorcaro ainda cede gratuitamente a Ciro Nogueira, por tempo indeterminado, um “imóvel de elevado padrão”, além de bancar “hospedagens, deslocamentos e demais despesas inerentes a viagens internacionais de alto custo”.

Na decisão, Mendonça diz que “tais vantagens teriam compreendido hospedagens no Park Hyatt New York”, hotel de luxo que tem diárias que podem ultrapassar os R$ 22 mil.

O relator ainda transcreve troca de mensagens em que Léo Serrano, que intermediava as operações, pergunta a Vorcaro se era para continuar pagando as despesas de Ciro Nogueira e da esposa durante viagem aos EUA.

“Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até Sábado?”, escreve o assessor. “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”, responde o banqueiro, citando o refúgio de luxo francês no Caribe.

Ciro Nogueira ainda recebeu do banqueiro 30% das ações da Green Investimentos S.A. por módico R$ 1 milhão, sendo que “de acordo com a representação policial, nada obstante o valor de mercado das ações negociadas entre a Green Investimentos e a CNLF fosse de aproximadamente R$ 13.062.315,30”.

Além de ser alvo de busca e apreensão, Ciro Nogueira foi proibido apenas de manter contato com outros investigados pelo colega André Mendonça, que negou a colocação de tornozeleira eletrônica e chegou a citar que “mostra-se desnecessária, neste momento, a adoção de prisão cautelar”.

Texto: Plinio Teodoro

Fonte: Revista Fórum

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