O Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região se manifesta em apoio e solidariedade ao deputado estadual Renato Freitas, do Partido dos Trabalhadores, que na última segunda-feira, 11 de maio, teve diversas decisões desfavoráveis no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa, que culminaram na indicação pela cassação de seu mandato.
“Cada vez fica mais evidente a necessidade de silenciar o deputado Renato pelo grupo que está no poder há anos. As denúncias feitas por ele, são gravíssimas. E é por compreender a importância do seu mandato para o povo trabalhador, que externamos apoio e solidariedade”, afirma Cristiane Zacarias, presidenta do Sindicato.
Entenda
Renato Freitas atribui a “perseguição implacável” a decisão do Conselho de Ética, que recusou punições alternativas e enviou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, ao Plenário da Assembleia Legislativa a recomendação pela cassação de seu mandato.
Entre os processos que tramitam no Conselho de Ética, 70% são contra o parlamentar e entre os que já foram julgados, Renato Freitas foi punido no Conselho de Ética com a suspensão das prerrogativas parlamentares por 30 dias, por ter participado de uma manifestação contra uma morte nos arredores do supermercado Muffato; em outra ocasião por ter discutido com o deputado Márcio Pacheco e um assessor do parlamentar do Republicanos; e, no pedido de cassação, diz respeito ao caso em que Freitas se envolveu em um confronto com um manobrista na rua. O parlamentar reagiu a uma tentativa de atropelamento dele e da companheira, grávida de sua filha.
O parlamentar enfrenta um processo judicial e representações contra o mandato depois que participou de mobilizações por justiça para Beto Freitas, espancado até a morte por seguranças do Carrefour, em Porto Alegre; e para Rodrigo Boschen, espancado e assassinado por funcionários do Muffato, em Curitiba.
Para o deputado, a concentração do grande número de ações contra apenas um único parlamentar aponta para um uso desproporcional do órgão disciplinar e reforça a tese de perseguição política contra um deputado negro.
Denúncias de Renato
Para Renato Freitas, a decisão do Conselho de Ética sugere um assassinato político, fruto do racismo institucional. Segundo ele, é o roteiro da vingança do deputado Ademar Traiano, ex-presidente da Assembleia, que foi denunciado como corrupto confesso, que fez acordo com o Ministério Público para não ser preso por cobrar e receber propina.
Denúncia contra Ademar Traiano
O ex-presidente da Alep e atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Ademar Traiano (PSD) fez um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), junto com o ex-deputado Plauto Miró Guimarães, em 20 de dezembro de 2022, para evitar uma condenação por corrupção passiva, por propinas envolvendo Traiano e a TV Icaraí, empresa contratada para produção de conteúdo da TV Assembleia.
Em depoimento ao Ministério Público (MP-PR), o empresário Vicente Malucelli afirmou que, numa reunião na Assembleia Legislativa, em agosto de 2015, com Ademar Traiano e Plauto Miró, o presidente da Assembleia pediu R$ 300 mil como condição para manter o contrato. Conforme documentos do MP, expostos por Renato Freitas, cada parlamentar pagou R$ 187.860,00 para encerrar a investigação.
Denúncia contra Ricardo Arruda
O deputado Renato Freitas expôs em plenário uma investigação do Ministério Público do Paraná (MP-PR) contra o deputado Ricardo Arruda (PL), acusado de operar um esquema de “rachadinha” em seu gabinete, com desvio estimado em R$ 1 milhão.
Denúncia sobre irregularidades no Sistema Penal
Renato Freitas responde a outro processo no Conselho de Ética por declarações em plenário sobre irregularidades na transferência de um preso, que terminou em morte registrada como suicídio, com possíveis interferências administrativas nas investigações. A atinge o ex-secretário de Segurança Pública do Paraná, coronel Hudson, um irmão do ex-secretário e a ex-diretora do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen-PR), Ananda Santos, que acionou o Conselho de Ética contra o deputado.
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Foto: Joka Madruga
Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região