Odesempenho das exportações brasileiras em junho impulsionou a balança comercial e levou o governo Lula a revisar para cima a projeção de superávit para 2026. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou a elevação da projeção do superávit comercial brasileiro para US$ 90 bilhões em 2026, perspectiva que, se confirmada, pode representar o segundo maior saldo positivo da história do país no fim do ano.
Este mês, o país exportou US$ 36,277 bilhões, o maior valor já registrado para qualquer mês da série histórica, resultado que garantiu um saldo positivo de US$ 9,758 bilhões, mesmo com diante da instabilidade geopolítica global.
As exportações cresceram 24,9% em relação a junho de 2025, enquanto as importações avançaram 14,4%, somando US$ 26,520 bilhões. Entre janeiro e junho, o Brasil acumulou superávit de US$ 42,357 bilhões, acima dos US$ 30,187 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. No semestre, as exportações atingiram US$ 184,8 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 142,4 bilhões.
O principal deles foi a indústria extrativa, cujas exportações aumentaram 58,4%, impulsionadas sobretudo pelo petróleo bruto. As vendas externas do produto cresceram quase 80% em valor, mesmo após a criação do imposto de exportação de 12% anunciado pelo governo em março para ampliar a oferta no mercado interno durante as tensões no Oriente Médio. Em volume, os embarques chegaram a 8,48 milhões de toneladas, alta de 6,8% sobre o mesmo período do ano anterior.
Outro produto de destaque foi o minério de ferro. As exportações alcançaram 42,23 milhões de toneladas, crescimento de 17,7%, gerando receita de US$ 2,85 bilhões, 20% superior à registrada em junho de 2025.
No agronegócio, a soja manteve o protagonismo da pauta exportadora. Os embarques chegaram a 14,5 milhões de toneladas, avanço de 8%, enquanto a receita cresceu 17,3%, alcançando US$ 6,26 bilhões, favorecida pela valorização dos preços internacionais.
Também apresentaram desempenho positivo as exportações de café não torrado, que cresceram 25,4% em volume, embora a receita tenha permanecido praticamente estável devido à queda dos preços médios. No setor de proteínas, as vendas externas de carne bovina aumentaram 39,2% em valor, enquanto as exportações de carne de aves avançaram 62,4%.
Do lado das importações, o maior crescimento foi observado nos bens de consumo, com alta de 34%. Também aumentaram as compras de combustíveis (11,6%), bens intermediários (10,9%) e bens de capital (5,7%).
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Texto: Alice Andersen
Fonte: Revista Fórum