Diário de S.P.
Keyler Carvalho Rocha, ex-diretor do Banco Central que foi nomeado pela Justiça, tentará com a nova diretoria obter empréstimo de R$ 80 milhões
A primeira decisão do interventor nomeado pela Justiça para dirigir a Parmalat do Brasil foi suspender as demissões de 200 funcionários da área administrativa. Keyler Carvalho Rocha, ex-diretor do Banco Central, assumiu na manhã de ontem a presidência da empresa em crise e já começou a traçar planos de emergência para viabilizar a sua recuperação.
O clima entre os empregados é ruim. “Estou há 22 anos na empresa e fui chamado para assinar os papéis da demissão, mas, com a decisão do interventor, não assinei nada”, disse um funcionário do setor de divulgação, que preferiu não se identificar.
“Cheguei na sala do RH e vi cerca de 15 pessoas, que estavam incluídas no corte. A Parmalat preparou uma lista com muitos nomes”, completa. Segundo o funcionário, o clima é de desespero. “Muita gente estava chorando”, contou. Por ora, a intervenção garante o emprego dos seis mil empregados da Parmalat.
No entanto, o advogado Carlos Casseb, membro do Conselho de Fiscalização da Parmalat, que foi nomeado pelo juiz da 42ª Vara Cível de São Paulo, Carlos Henrique Abrão, disse que as demissões não estão descartadas. “A empresa tem capacidade ociosa que precisa ser adequada”.
O comitê de fiscalização, composto por seis integrantes, vai atuar na administração da Parmalat junto com os interventores. “Vamos trabalhar para a instituição da concordata e a conseqüente recuperação da empresa, que é a nossa prioridade”, comenta.
Linha de crédito
Casseb disse, sem revelar o valor, que a empresa conseguiu uma linha de crédito com o banco Nossa Caixa. A negociação entre o banco e a empresa foi intermediada pelo secretário estadual da Agricultura, Duarte Nogueira.
A partir de hoje, a empresa começa a liberar o pagamento para alguns produtores com o objetivo de manter as fábricas funcionando. O mesmo valor era pleiteado pelo ex-presidente da Parmalat, Ricardo Gonçalves, junto à matriz há duas semanas. O adiantamento salarial dos funcionários está mantido para segunda-feira. “Somos um colegiado, nossas decisões são abertas e não há mais cultura de desvio”.
Outra possibilidade é o Banco do Brasil liberar R$ 30 milhões que estão retidos nas contas da empresa. “Não temos acessos aos extratos e se foram feitos pagamentos”, disse Casseb. Os advogados da Parmalat pediram a prisão de dois gerentes da agência do Morumbi, em São Paulo. O BB tem 15 dias para responder.
Thomas Felsberg, advogado da Parmalat, informou que vai recorrer da intervenção judicial, seguindo as orientações da matriz. “É absurdo que um credor minoritário assuma individualmente a administração da empresa. É uma situação esdrúxula”.
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Por Mhais• 13 de fevereiro de 2004• 10:59• Sem categoria
PRIMEIRA DECISÃO DO INTERVENTOR DA PARMALAT SUSPENDE DEMISSÕES
Diário de S.P.
Keyler Carvalho Rocha, ex-diretor do Banco Central que foi nomeado pela Justiça, tentará com a nova diretoria obter empréstimo de R$ 80 milhões
A primeira decisão do interventor nomeado pela Justiça para dirigir a Parmalat do Brasil foi suspender as demissões de 200 funcionários da área administrativa. Keyler Carvalho Rocha, ex-diretor do Banco Central, assumiu na manhã de ontem a presidência da empresa em crise e já começou a traçar planos de emergência para viabilizar a sua recuperação.
O clima entre os empregados é ruim. “Estou há 22 anos na empresa e fui chamado para assinar os papéis da demissão, mas, com a decisão do interventor, não assinei nada”, disse um funcionário do setor de divulgação, que preferiu não se identificar.
“Cheguei na sala do RH e vi cerca de 15 pessoas, que estavam incluídas no corte. A Parmalat preparou uma lista com muitos nomes”, completa. Segundo o funcionário, o clima é de desespero. “Muita gente estava chorando”, contou. Por ora, a intervenção garante o emprego dos seis mil empregados da Parmalat.
No entanto, o advogado Carlos Casseb, membro do Conselho de Fiscalização da Parmalat, que foi nomeado pelo juiz da 42ª Vara Cível de São Paulo, Carlos Henrique Abrão, disse que as demissões não estão descartadas. “A empresa tem capacidade ociosa que precisa ser adequada”.
O comitê de fiscalização, composto por seis integrantes, vai atuar na administração da Parmalat junto com os interventores. “Vamos trabalhar para a instituição da concordata e a conseqüente recuperação da empresa, que é a nossa prioridade”, comenta.
Linha de crédito
Casseb disse, sem revelar o valor, que a empresa conseguiu uma linha de crédito com o banco Nossa Caixa. A negociação entre o banco e a empresa foi intermediada pelo secretário estadual da Agricultura, Duarte Nogueira.
A partir de hoje, a empresa começa a liberar o pagamento para alguns produtores com o objetivo de manter as fábricas funcionando. O mesmo valor era pleiteado pelo ex-presidente da Parmalat, Ricardo Gonçalves, junto à matriz há duas semanas. O adiantamento salarial dos funcionários está mantido para segunda-feira. “Somos um colegiado, nossas decisões são abertas e não há mais cultura de desvio”.
Outra possibilidade é o Banco do Brasil liberar R$ 30 milhões que estão retidos nas contas da empresa. “Não temos acessos aos extratos e se foram feitos pagamentos”, disse Casseb. Os advogados da Parmalat pediram a prisão de dois gerentes da agência do Morumbi, em São Paulo. O BB tem 15 dias para responder.
Thomas Felsberg, advogado da Parmalat, informou que vai recorrer da intervenção judicial, seguindo as orientações da matriz. “É absurdo que um credor minoritário assuma individualmente a administração da empresa. É uma situação esdrúxula”.
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