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Crédito consignado estimula serviços

O crescimento do crédito pessoal, em especial dos empréstimos consignados (com desconto em folha de pagamento) para servidores públicos, trabalhadores de empresas privadas e aposentados do INSS, está ajudando a levantar o movimento em negócios paralelos ao mercado de crédito, como o assessoramento e prestação de serviços, cobrança, cartões de crédito e débito e seguros.
Ainda não há estatísticas precisas pois, além de a explosão do crédito pessoal ser um movimento relativamente recente (de um ano para cá), os números são “mascaradas” por outros fatores específicos de cada indústria e em alguns casos, como o das prestadoras de serviços, os primeiros números estão ainda em fase de contabilização. No entanto, profissionais de cada uma dessas áreas apontam indícios concretos de crescimento de negócios relacionados de alguma forma à maior disponibilidade de financiamento a pessoas físicas.
“O aumento do crédito pessoal tem se refletido em maior volume de transações com cartões, principalmente de débito”, atesta Desmond Rowan, presidente da MasterCard International do Brasil. Segundo ele, o benefício aos cartões é indireto e tem como pano de fundo um movimento maior que é a substituição dos meios de pagamento em papel por meios eletrônicos. Com 61 milhões de cartões de débito em circulação, a MasterCard viu o número de plásticos com sua marca Maestro crescer 22% em 2004, comparado a 2003.
O forte avanço dos empréstimos não chega a ser um vetor de mudança de tendência do mercado de cartões que, de fato, é de crescimento por força de muitas outras variáveis, pondera Fernando Castejon, diretor da Visa International. “Mas certamente (a maior disponibilidade de crédito) aumenta o número de plásticos, principalmente entre a população de baixa renda”.
Mais do que o crédito pessoal, Castejon acredita no potencial de distribuição e movimento financeiro dos cartões de débito com a entrada dos bancos como financiadores das grandes redes de varejo, em parcerias anunciadas recentemente como a compra da Losango pelo HSBC, e as associações entre Itaú e Pão de Açúcar e Bradesco com Casas Bahia. A Visa, que tem 28,5 milhões de cartões de débito em circulação no país, viu sua base de plásticos crescer 50% no ano passado e o faturamento – movimento financeiro realizado pelos portadores dos cartões – saltar 42% no mesmo período, para R$ 9,5 bilhões.
Só a Caixa Econômica Federal acrescentou três milhões de pessoas à parcela da população que passou a movimentar dinheiro com cartões, ao distribuir plásticos para seus clientes da conta Caixa Aqui, relata o vice-presidente de Negócios Bancários da Caixa, Fabio Lenza. A Caixa Aqui é a modalidade de conta corrente simplificada, voltada à bancarização da população de baixa renda, que permite a movimentação financeira através das agências, postos de atendimento e correspondentes bancários da CEF, num total de 15 mil pontos distribuídos por todos os 5,5 mil municípios brasileiros.
“É claro que mais dinheiro no mercado afeta o crescimento de todos os meios de pagamento, mas outros fatores também influenciam como a ampliação da rede de aceitação e a tendência de migração dos meios de pagamento em papel para eletrônicos”, diz Lenza.
Muitos bancos que entraram para o crédito consignado vêm contratando os serviços de empresas especializadas para captar clientes junto aos órgãos públicos e aposentados do INSS. Segundo Afonso Bueno, vice-presidente da Associação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços ao Consumo (Aneps), entidade que reúne 34 empresas, elas ampliaram seu portfólio de atividades nos últimos 12 meses, para atender à forte demanda dos bancos pelo crédito consignado.
Ao serviço básico, que inclui disponibilidade de agentes de crédito em quiosques instalados nos locais de trabalho, pesquisa e contato telefônico com idosos, elaboração de cadastros e encaminhamento de documentos, foi acrescentado o processo de credenciamento para obtenção de convênios – essenciais para fazer o desconto em folha. Por ser uma entidade criada há pouco mais de um ano, a Aneps ainda não finalizou as estatísticas. Mas Bueno, que também comanda a empresa de prestação de serviços do Banco PanAmericano, garante: “O volume de negócios tem aumentado muito”.
Fonte: Valor Econômico – Janes Rocha

Por 11:24 Sem categoria

Crédito consignado estimula serviços

O crescimento do crédito pessoal, em especial dos empréstimos consignados (com desconto em folha de pagamento) para servidores públicos, trabalhadores de empresas privadas e aposentados do INSS, está ajudando a levantar o movimento em negócios paralelos ao mercado de crédito, como o assessoramento e prestação de serviços, cobrança, cartões de crédito e débito e seguros.

Ainda não há estatísticas precisas pois, além de a explosão do crédito pessoal ser um movimento relativamente recente (de um ano para cá), os números são “mascaradas” por outros fatores específicos de cada indústria e em alguns casos, como o das prestadoras de serviços, os primeiros números estão ainda em fase de contabilização. No entanto, profissionais de cada uma dessas áreas apontam indícios concretos de crescimento de negócios relacionados de alguma forma à maior disponibilidade de financiamento a pessoas físicas.

“O aumento do crédito pessoal tem se refletido em maior volume de transações com cartões, principalmente de débito”, atesta Desmond Rowan, presidente da MasterCard International do Brasil. Segundo ele, o benefício aos cartões é indireto e tem como pano de fundo um movimento maior que é a substituição dos meios de pagamento em papel por meios eletrônicos. Com 61 milhões de cartões de débito em circulação, a MasterCard viu o número de plásticos com sua marca Maestro crescer 22% em 2004, comparado a 2003.

O forte avanço dos empréstimos não chega a ser um vetor de mudança de tendência do mercado de cartões que, de fato, é de crescimento por força de muitas outras variáveis, pondera Fernando Castejon, diretor da Visa International. “Mas certamente (a maior disponibilidade de crédito) aumenta o número de plásticos, principalmente entre a população de baixa renda”.

Mais do que o crédito pessoal, Castejon acredita no potencial de distribuição e movimento financeiro dos cartões de débito com a entrada dos bancos como financiadores das grandes redes de varejo, em parcerias anunciadas recentemente como a compra da Losango pelo HSBC, e as associações entre Itaú e Pão de Açúcar e Bradesco com Casas Bahia. A Visa, que tem 28,5 milhões de cartões de débito em circulação no país, viu sua base de plásticos crescer 50% no ano passado e o faturamento – movimento financeiro realizado pelos portadores dos cartões – saltar 42% no mesmo período, para R$ 9,5 bilhões.

Só a Caixa Econômica Federal acrescentou três milhões de pessoas à parcela da população que passou a movimentar dinheiro com cartões, ao distribuir plásticos para seus clientes da conta Caixa Aqui, relata o vice-presidente de Negócios Bancários da Caixa, Fabio Lenza. A Caixa Aqui é a modalidade de conta corrente simplificada, voltada à bancarização da população de baixa renda, que permite a movimentação financeira através das agências, postos de atendimento e correspondentes bancários da CEF, num total de 15 mil pontos distribuídos por todos os 5,5 mil municípios brasileiros.

“É claro que mais dinheiro no mercado afeta o crescimento de todos os meios de pagamento, mas outros fatores também influenciam como a ampliação da rede de aceitação e a tendência de migração dos meios de pagamento em papel para eletrônicos”, diz Lenza.

Muitos bancos que entraram para o crédito consignado vêm contratando os serviços de empresas especializadas para captar clientes junto aos órgãos públicos e aposentados do INSS. Segundo Afonso Bueno, vice-presidente da Associação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços ao Consumo (Aneps), entidade que reúne 34 empresas, elas ampliaram seu portfólio de atividades nos últimos 12 meses, para atender à forte demanda dos bancos pelo crédito consignado.

Ao serviço básico, que inclui disponibilidade de agentes de crédito em quiosques instalados nos locais de trabalho, pesquisa e contato telefônico com idosos, elaboração de cadastros e encaminhamento de documentos, foi acrescentado o processo de credenciamento para obtenção de convênios – essenciais para fazer o desconto em folha. Por ser uma entidade criada há pouco mais de um ano, a Aneps ainda não finalizou as estatísticas. Mas Bueno, que também comanda a empresa de prestação de serviços do Banco PanAmericano, garante: “O volume de negócios tem aumentado muito”.

Fonte: Valor Econômico – Janes Rocha

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