Por Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos – Rede Bancários
ALGUNS DESTAQUES:
1. Ao final do primeiro semestre de 2005, o Bradesco registrou o maior lucro líquido da história do setor bancário(2) no Brasil. No valor de R$ 2,6 bilhões, esse resultado representa o dobro do valor contabilizado no mesmo período do ano passado (R$ 1,3 bi). Com isso, a administração do banco projeta uma rentabilidade patrimonial anualizada de 32,3% — praticamente seis vezes a inflação prevista para 2005, estimada pelo mercado em 5,5%(3);
2. O expressivo lucro do Bradesco deve-se sobretudo ao resultado da intermediação financeira, que apresentou uma evolução positiva de 34,1% nesse período. A liderança nas receitas do banco pertence às operações de crédito, que no primeiro semestre somaram R$ 7,2 bi – praticamente o dobro do resultado das operações de tesouraria (títulos públicos e aplicações interfinanceiras de liquidez), que encolheu 7,0%, encerrando o semestre com R$ 3,7 bi. Destaca-se ainda o resultado financeiro de seguros, previdência e capitalização no valor de R$ 3,2 bi;
3. Em relação às despesas financeiras, a provisão para créditos de liquidação duvidosa cresceu 11,4%. Na avaliação do banco, a boa qualidade da carteira de crédito impediu um aumento mais expressivo nessa conta. As despesas com operações de captação no mercado caíram 14,7%. A principal fonte de captação do banco são os depósitos. Entre os quais, os depósitos a prazo representam 47,0% do depósito total;
4. Apesar do crescimento de 26,2% das operações de crédito, o banco destina maior parcela de recursos para as operações de tesouraria, que mesmo diante de um crescimento menor (14,4%), corresponde a 45,4% do ativo total da instituição, enquanto o crédito eqüivale a 30,8%. Não obstante as expressivas taxas de juros dos empréstimos bancários, as operações de tesouraria, em particular aquelas vinculadas aos títulos da dívida pública, têm se constituído para todo o sistema financeiro um “mercado” cativo, líquido e seguro para a obtenção dos crescentes ganhos do setor;
5. A forte expansão do crédito deve-se principalmente ao expressivo aumento da carteira de pessoa física, cujo crescimento de 50,5% elevou sua participação de 30,5% para 38,5% no crédito total. Para isso, o Bradesco mantém a estratégia de realizar acordos de parcerias com lojas comerciais, conferindo um maior dinamismo ao crédito pessoal, que por sinal é responsável pelas maiores taxas de juros cobrada pelo banco, dentre as várias modalidades de empréstimos. Sobre o crédito pessoal consignado, o banco divulgou um aumento de R$ 508 milhões para R$ 557 milhões. Nos empréstimos para aposentados e pensionistas do INSS, o volume dobrou com a aquisição de carteira de outros bancos, saltando de R$ 615 milhões para R$ 1,3 bilhão, conforme informação divulgada na imprensa(4);
6. As receitas de prestação de serviços (RPS) registraram um crescimento de 26,9% nesse período. Com um total de R$ 3,4 bi, essas receitas ficam muito próximas do resultado das aplicações em tesouraria (R$ 3,7 bi). Nessas receitas, a maior fonte de arrecadação são as tarifas de conta corrente, seguida pelos serviços cobrados com abertura de crédito, juntas, elas arrecadam 41,1% das RPS. Com isso, as receitas de prestação de serviços já cobrem 138,7% das despesas de pessoal do banco que cresceram apenas 2,3%, atingindo R$ 2,5 bi;
7. O banco cita como uma das principais razões para a evolução das despesas de pessoal, o aumento dos níveis salariais, decorrente do acordo coletivo(5). Entretanto, o inexpressivo crescimento registrado só foi possível porque o banco agregou nesse item, as despesas com participação nos lucros e/ou resultados (PLR), que cresceram 71,1%. Do contrário, as despesas de pessoal teriam encolhido 0,13%. Quanto a isso, registra-se que o número de funcionários reduziu de 74,8 mil para 72,9 mil no período analisado. Além disso, o crescimento do valor contabilizado a título de PLR representou apenas 5,5% do lucro líquido do semestre, menor que a participação no mesmo semestre de 2004 quando alcançou 6,7%. As outras despesas administrativas ficaram praticamente estáveis, com um ligeiro aumento de 0,34%. Mas, os serviços de terceiros — a maior despesa nessa conta — registrou um aumento de 15,9%; e
8.Finalmente, as receitas oriundas dos prêmios retidos de seguros, planos de previdência e capitalização totalizaram R$ 5,7 bi, em 30 de junho de 2005. Com isso, elas representam a segunda maior fonte de renda do conglomerado Bradesco, perdendo apenas para as receitas do crédito. Além disso, esse resultado e outros relativos às receitas de prestação de serviços decorrem das metas fixadas pela administração do banco, cujo êxito conta com o envolvimento direto dos funcionários.
(1) Os dados apresentados referem-se ao resultado consolidado do grupo Bradesco.
(2) Conforme avaliação da Economática, publicada no jornal Valor Econômico em 09/08/2005.
(3) Conforme o Relatório de Mercado do Banco Central divulgado em 05 de agosto referente ao IPCA/IBGE.
(4) Jornal Valor Econômico – Caderno Finanças, C1 (09/08/2005).
(5) O banco também menciona outras razões, como o aumento de PLR, redução das despesas com rescisões de contratos de trabalho e provisões para processos trabalhistas, além dos efeitos positivos da sinergia nos processos administrativos.
INDICADORES DO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2005
BANCO BRADESCO – DADOS DO CONGLOMERADO
Indicadores
1.Sem/2005
1.Sem/2004
Variação
Lucro Líquido (R$ Mil)
2.621.292
1.250.049
109,70%
Patrimônio Líquido (R$ Mil)
17.448.450
13.650.372
27,82%
Operações de Crédito por Empregado (R$ Mil)
801,4
651,7
22,95%
Depósito Total por Empregado (R$ Mil)
958,1
880,2
8,86%
Lucro Líquido por Empregado (R$ Mil)
35,1
17,2
104,31%
Participação no Lucro por Empregado (R$ Mil)
1,9
1,1
66,73%
Despesa de Pessoal na Receita de Prestação de Serviços
72,11%
89,48%
-19,41%
Despesa de Pessoal no Ativo Total
1,27%
1,37%
-7,28%
(Desp.Pessoal + Administrativas)/Rec.Prest.Serv.
143,20%
179,43%
-20,19%
(Desp.Pessoal + Administrativas)/Res.Bruto Intermediação
73,16%
90,59%
-19,25%
Rentabilidade do Ativo Total (LL/AT)
1,35%
0,71%
89,98%
Rentabilidade Patrimonial Líquida (LL/PL)
15,02%
9,16%
64,05%
Fonte: Demonstrações Contábeis
Elaborado por DIEESE – Rede Bancários
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Por Mhais• 24 de agosto de 2005• 00:00• Sem categoria
O DESEMPENHO DO BRADESCO S.A. (1) NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2005
Por Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos – Rede Bancários
ALGUNS DESTAQUES:
1. Ao final do primeiro semestre de 2005, o Bradesco registrou o maior lucro líquido da história do setor bancário(2) no Brasil. No valor de R$ 2,6 bilhões, esse resultado representa o dobro do valor contabilizado no mesmo período do ano passado (R$ 1,3 bi). Com isso, a administração do banco projeta uma rentabilidade patrimonial anualizada de 32,3% — praticamente seis vezes a inflação prevista para 2005, estimada pelo mercado em 5,5%(3);
2. O expressivo lucro do Bradesco deve-se sobretudo ao resultado da intermediação financeira, que apresentou uma evolução positiva de 34,1% nesse período. A liderança nas receitas do banco pertence às operações de crédito, que no primeiro semestre somaram R$ 7,2 bi – praticamente o dobro do resultado das operações de tesouraria (títulos públicos e aplicações interfinanceiras de liquidez), que encolheu 7,0%, encerrando o semestre com R$ 3,7 bi. Destaca-se ainda o resultado financeiro de seguros, previdência e capitalização no valor de R$ 3,2 bi;
3. Em relação às despesas financeiras, a provisão para créditos de liquidação duvidosa cresceu 11,4%. Na avaliação do banco, a boa qualidade da carteira de crédito impediu um aumento mais expressivo nessa conta. As despesas com operações de captação no mercado caíram 14,7%. A principal fonte de captação do banco são os depósitos. Entre os quais, os depósitos a prazo representam 47,0% do depósito total;
4. Apesar do crescimento de 26,2% das operações de crédito, o banco destina maior parcela de recursos para as operações de tesouraria, que mesmo diante de um crescimento menor (14,4%), corresponde a 45,4% do ativo total da instituição, enquanto o crédito eqüivale a 30,8%. Não obstante as expressivas taxas de juros dos empréstimos bancários, as operações de tesouraria, em particular aquelas vinculadas aos títulos da dívida pública, têm se constituído para todo o sistema financeiro um “mercado” cativo, líquido e seguro para a obtenção dos crescentes ganhos do setor;
5. A forte expansão do crédito deve-se principalmente ao expressivo aumento da carteira de pessoa física, cujo crescimento de 50,5% elevou sua participação de 30,5% para 38,5% no crédito total. Para isso, o Bradesco mantém a estratégia de realizar acordos de parcerias com lojas comerciais, conferindo um maior dinamismo ao crédito pessoal, que por sinal é responsável pelas maiores taxas de juros cobrada pelo banco, dentre as várias modalidades de empréstimos. Sobre o crédito pessoal consignado, o banco divulgou um aumento de R$ 508 milhões para R$ 557 milhões. Nos empréstimos para aposentados e pensionistas do INSS, o volume dobrou com a aquisição de carteira de outros bancos, saltando de R$ 615 milhões para R$ 1,3 bilhão, conforme informação divulgada na imprensa(4);
6. As receitas de prestação de serviços (RPS) registraram um crescimento de 26,9% nesse período. Com um total de R$ 3,4 bi, essas receitas ficam muito próximas do resultado das aplicações em tesouraria (R$ 3,7 bi). Nessas receitas, a maior fonte de arrecadação são as tarifas de conta corrente, seguida pelos serviços cobrados com abertura de crédito, juntas, elas arrecadam 41,1% das RPS. Com isso, as receitas de prestação de serviços já cobrem 138,7% das despesas de pessoal do banco que cresceram apenas 2,3%, atingindo R$ 2,5 bi;
7. O banco cita como uma das principais razões para a evolução das despesas de pessoal, o aumento dos níveis salariais, decorrente do acordo coletivo(5). Entretanto, o inexpressivo crescimento registrado só foi possível porque o banco agregou nesse item, as despesas com participação nos lucros e/ou resultados (PLR), que cresceram 71,1%. Do contrário, as despesas de pessoal teriam encolhido 0,13%. Quanto a isso, registra-se que o número de funcionários reduziu de 74,8 mil para 72,9 mil no período analisado. Além disso, o crescimento do valor contabilizado a título de PLR representou apenas 5,5% do lucro líquido do semestre, menor que a participação no mesmo semestre de 2004 quando alcançou 6,7%. As outras despesas administrativas ficaram praticamente estáveis, com um ligeiro aumento de 0,34%. Mas, os serviços de terceiros — a maior despesa nessa conta — registrou um aumento de 15,9%; e
8.Finalmente, as receitas oriundas dos prêmios retidos de seguros, planos de previdência e capitalização totalizaram R$ 5,7 bi, em 30 de junho de 2005. Com isso, elas representam a segunda maior fonte de renda do conglomerado Bradesco, perdendo apenas para as receitas do crédito. Além disso, esse resultado e outros relativos às receitas de prestação de serviços decorrem das metas fixadas pela administração do banco, cujo êxito conta com o envolvimento direto dos funcionários.
(1) Os dados apresentados referem-se ao resultado consolidado do grupo Bradesco.
(2) Conforme avaliação da Economática, publicada no jornal Valor Econômico em 09/08/2005.
(3) Conforme o Relatório de Mercado do Banco Central divulgado em 05 de agosto referente ao IPCA/IBGE.
(4) Jornal Valor Econômico – Caderno Finanças, C1 (09/08/2005).
(5) O banco também menciona outras razões, como o aumento de PLR, redução das despesas com rescisões de contratos de trabalho e provisões para processos trabalhistas, além dos efeitos positivos da sinergia nos processos administrativos.
INDICADORES DO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2005
BANCO BRADESCO – DADOS DO CONGLOMERADO
Indicadores
1.Sem/2005
1.Sem/2004
Variação
Lucro Líquido (R$ Mil)
2.621.292
1.250.049
109,70%
Patrimônio Líquido (R$ Mil)
17.448.450
13.650.372
27,82%
Operações de Crédito por Empregado (R$ Mil)
801,4
651,7
22,95%
Depósito Total por Empregado (R$ Mil)
958,1
880,2
8,86%
Lucro Líquido por Empregado (R$ Mil)
35,1
17,2
104,31%
Participação no Lucro por Empregado (R$ Mil)
1,9
1,1
66,73%
Despesa de Pessoal na Receita de Prestação de Serviços
72,11%
89,48%
-19,41%
Despesa de Pessoal no Ativo Total
1,27%
1,37%
-7,28%
(Desp.Pessoal + Administrativas)/Rec.Prest.Serv.
143,20%
179,43%
-20,19%
(Desp.Pessoal + Administrativas)/Res.Bruto Intermediação
73,16%
90,59%
-19,25%
Rentabilidade do Ativo Total (LL/AT)
1,35%
0,71%
89,98%
Rentabilidade Patrimonial Líquida (LL/PL)
15,02%
9,16%
64,05%
Fonte: Demonstrações Contábeis
Elaborado por DIEESE – Rede Bancários
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