O governo Lula vem negando peremptoriamente a necessidade de edição de um pacote contra os efeitos da crise internacional. Nada, por enquanto, indica que o Brasil venha a precisar tomar medidas semelhantes às adotadas nos Estados Unidos e na Europa. Mas, na quarta-feira 22, ante o aprofundamento das incertezas no cenário mundial e sinais de riscos maiores no sistema bancário brasileiro, a equipe econômica tomou uma decisão que vai além das intervenções pontuais feitas até agora.
A Medida Provisória 448 vai permitir ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal agir rápido, caso a equipe econômica avalie ser necessário o resgate de uma instituição financeira ou empresa privada para manter a confiança no sistema. A concessão de poderes aos bancos públicos, por si só, não significa que haja chance real e iminente de quebradeira no mercado. Ficou claro, porém, o temor do governo de que a situação dos bancos médios e pequenos evolua da atual falta de liquidez para um quadro de insolvência.
Na prática, o presidente Lula avaliou ser prudente não se fiar totalmente nas promessas do colega americano George W. Bush, que, em um telefonema de 15 minutos na terça-feira 21, avaliou que em duas semanas os efeitos positivos da enxurrada de dinheiro despejado pelos bancos centrais de todo o mundo vão começar a dissipar a crise. As novas medidas também mostram que Lula não pretende contar com as chamadas soluções de mercado caso bancos ou empresas venham a quebrar por falta de fôlego financeiro. Muito da sensibilidade do governo em relação aos efeitos da crise sobre a economia real será revelado, ainda, pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) a respeito da taxa de juro básica da economia, na quarta-feira 29.
A diretoria do Banco Central, aliás, não vê com bons olhos o aumento do poder dos bancos públicos, decisão que coube ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. Para o time do presidente do BC, Henrique Meirelles, o melhor seria pagar para ver e, eventualmente, deixar um banco de menor porte ir à lona. À página 26, Luiz Gonzaga Belluzzo argumenta que esta estratégia seria arriscada. “Bancos centrais estão obrigados a intervir para domar a mula-sem-cabeça dos mercados infectados pela desconfiança. Deixar o bicho à solta é grave irresponsabilidade. Deixada à sua própria dinâmica, a crise de liquidez transforma-se na crise de crédito, depois transfigurada num festival de insolvências. Nos países da periferia, a sarabanda pode terminar num triste episódio de fuga da moeda local e caos monetário”, escreve.
A MP 448 permite que as instituições financeiras estatais arrematem outros bancos, seguradoras, entidades abertas de previdência e de capitalização. No caso da Caixa, há a possibilidade de ser criada uma subsidiária de investimento para comprar ações de construtoras e incorporadoras. A decisão não foge ao exemplo de governos europeus e mesmo o dos Estados Unidos. Mesmo assim, analistas econômicos reagiram mal ante a remota possibilidade de uma onda de estatizações, ao mesmo tempo que os investidores se perguntavam se haveria empresas na iminência de quebrar. Pela sexta vez em menos de 30 dias, foi acionado pela Bovespa o mecanismo chamado de circuit breaker, que paralisa os negócios por meia hora quando a desvalorização supera 10% em um único pregão.
Por André Siqueira – 24/10/2008 12:10:34.
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BNDES pode ajudar empresas que perderam com valorização do dólar, diz Coutinho
Rio de Janeiro – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, admitiu hoje (24) que a instituição avalia a possibilidade de apoiar empresas exportadoras brasileiras que tiveram, ou vierem a ter, problemas com operações realizadas em dólar (os chamados derivativos cambiais), e que agora enfrentam dificuldades com a alta da moeda norte-americana decorrente da crise financeira internacional.
Coutinho fez as declarações durante palestra na Câmara Britânica de Comércio, na qual admitiu que o BNDES vem conversando com algumas dessas empresas afetadas com a forte valorização do dólar em relação ao real, depois que se agravou crise financeira mundial.
“São empresas exportadoras brasileiras robustas e de qualidade, que têm meios de encontrar solução junto ao próprio sistema bancário privado, mas que terão, se necessário, o suporte do BNDES de modo que nenhum problema de liquidez inviabilize essas empresas”, disse o presidente da instituição.
Ele não detalhou de que forma se dará essa ajuda, limitando-se a afirmar que será em conjunto com outras instituições financeiras. A avaliação será feita “caso a caso”.
Entre as empresas que tiveram perdas com as operações envolvendo os chamados derivativos cambiais estão a Aracruz, a Sadia e a Votorantim. A primeira a comunicar perdas com tais operações foi a Sadia, cujos prejuízos são de R$ 760 milhões. A Aracruz, maior fabricante de celulose de eucalipto do país, fechou o terceiro trimestre com perda de R$ 1,642 bilhão, depois de registrar lucro líquido de R$ 260,8 milhões no mesmo período de 2007. O prejuízo estimado da Votorantim Celulose e Papel no terceiro trimestre foi de R$ 586 milhões.
Por Nielmar de Oliveira – Repórter da Agência Brasil.
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PAC do Saneamento não será afetado pela crise, diz ministro das Cidades
Cuiabá – O ministro das Cidades, Marcio Fortes, afirmou que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ligadas ao saneamento ambiental e habitação não serão afetadas por possíveis reflexos da crise financeira internacional na economia brasileira.
Segundo Fortes, não haverá restrição de recursos para o chamado PAC do Saneamento porque, a verba utilizada nessas obras não depende de empréstimos ou investimentos internacionais.
“A minha área de financiamento passa toda por recursos do Fundo de Garantia [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço]. Então, não tem nada a ver com recursos internacionais. Nessa área não vai ter nenhum problema. O próprio presidente tem dito que obra do PAC não vai sofrer restrição”, afirmou o ministro, ontem (23), em entrevista antes de participar de ato de campanha do candidato à prefeitura de Cuiabá, Mauro Mendes (PR).
Questionado sobre o uso eleitoreiro das obras do PAC por prefeitos que buscam a reeleição e por candidatos que pleiteiam as prefeituras, Fortes defendeu a vinculação direta do PAC com o governo federal e não como as gestões estaduais ou municipais.
“As obras têm que existir, porque o objetivo é trazer o benefício para todos. Agora, se alguém vai usar ou não o PAC para esse fim [eleitoreiro], cada um há de fazer o que bem achar. Só é preciso explicar o seguinte: o PAC tem a marca do presidente Lula, tem o selo do coração do presidente”, comentou.
De acordo com o ministro, o acompanhamento das obras minimiza o uso do programa como propaganda. “O PAC não é só anúncio, a obra tem que ser acompanhada”, apontou. Fortes anunciou para o próximo dia 30 o quarto balanço nacional do andamento do programa, conduzido pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
“Era para ter sido feito no fim de setembro, mas tendo em vista o processo eleitoral, a ministra Dilma tomou a decisão de fazer no próximo dia 30. Teremos um levantamento nacional da situação das obras. Posso dizer que os cronogramas estão bons”, adiantou.
Por Luana Lourenço – Enviada Especial.
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