Neste sábado, dia 28 de agosto, a Central Única dos Trabalhadores, maior e mais combativa Central Sindical da América, completa 27 anos de fundação. Todo esse período foi marcado por muitas lutas e conquistas em favor da classe trabalhadora. Em sua atuação sindical, sempre defendeu a liberdade de organização e de expressão, e se orientou por preceitos de solidariedade. Seu nascimento foi fruto de uma ampla mobilização sindical/social que começou no final da década de 70 e início dos anos 80, e foi considerado um aguerrido enfrentamento à ditadura militar, que começava a dar seus primeiros sinais de enfraquecimento.
Hoje a CUT é uma entidade consolidada e respeitada pelas suas ações em favor de uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária. A passagem dessa data histórica para o movimento sindical brasileiro deve ser motivo de orgulho para todos aqueles que ajudaram a construir a democracia e a liberdade no país.
:: A História da CUT
No final dos anos 70 e início dos anos 80 o cenário político brasileiro era temerário. O país ainda estava sob o controle ditatorial dos militares e a liberdade de opinião e de organização sindical era um sonho que parecia muito distante. As experiências anteriores de luta por esses ideais não lembravam outra coisa a não ser sangue, terror e tortura. Os bravos lutadores que enfrentaram o regime, seja no período de Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel ou de João Batista de Oliveira Figueiredo, amargaram sucessivas derrotas, mas mesmo assim continuaram firmes na batalha.
Foi justamente nessa conjuntura que a Central Única dos Trabalhadores, a CUT, passou seu período de gestação. Partidos políticos com percepção socialista foram extintos ou funcionavam na clandestinidade. As poucas entidades sindicais que ainda existiam estavam sob o comando de interventores nomeados pelos militares; outras simplesmente deixaram de existir por força maior, assim como os veículos de comunicação questionadores à ditadura. Porém, a sociedade não suportava mais o regime extremamente repressivo e autoritário. O movimento contestador ganhava força e mais adeptos a cada dia. O objetivo era redemocratizar o país, que teve direitos constitucionais suprimidos, via os AI’s (Atos Inconstitucionais). Era um movimento popular que unia esforços com a finalidade de construir um novo Brasil.
Neste cenário de profundas transformações políticas, econômicas e culturais, protagonizadas essencialmente pelos movimentos sociais, e a partir da retomada do processo de mobilização da classe trabalhadora, surge o chamado “novo sindicalismo”. Foi este movimento, contrário ao sindicalismo oficial e corporativo, que deu origem à CUT, resultado de décadas de luta dos(as) trabalhadores(as) do campo e da cidade pela criação de uma entidade única que os representasse.
A fundação da CUT ocorreu em 28 de agosto de 1983, na cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, durante o 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT). Mais de cinco mil homens e mulheres, oriundos de todas as regiões do país, lotavam o galpão da extinta companhia cinematográfica Vera Cruz e imprimiam um novo e importante capítulo da história. Os princípios que acompanham a CUT desde sua fundação permanecem os mesmos. A Central Única defende a liberdade e autonomia sindical com o compromisso e a clareza de que os trabalhadores têm o direito de decidir livremente sobre suas formas de organização, filiação e sustentação financeira, com total independência frente ao Estado, governos, patronato, partidos e agrupamentos políticos, credos e instituições religiosas e a quaisquer organismos de caráter programático e institucional. Para a CUT, as lutas da classe trabalhadora são sustentadas pela unidade a partir da vontade e da consciência política dos trabalhadores.
Durante todos esses 27 anos de lutas e conquistas para a classe trabalhadora, a CUT sempre figurou como protagonista nos episódios que marcaram a história do Brasil, como a Campanha pelas Eleições Diretas Já!; a luta pela participação dos trabalhadores na Assembléia Nacional Constituinte de 1988; o impeachment de Fernando Collor de Mello; a luta contra o modelo neoliberal, as privatizações e o desmonte do Estado; a campanha vitoriosa que elegeu pela primeira vez um operário como presidente do Brasil; e a batalha contra os golpistas que queriam voltar ao poder, relembrando o fatídico 1964, entre outros importantes capítulos da história recente do país.
Por todas essas lutas e conquistas, a CUT hoje é a 5ª maior Central Sindical do mundo e a maior da América Latina. Na passagem de seus 27 anos de fundação, a Central Única comemora importantes vitórias em suas reivindicações históricas, como o reconhecimento legal das centrais sindicais e o Projeto de Lei para extinguir o imposto sindical; ao mesmo tempo em que novos desafios surgem na sua pauta, como a luta pela unidade da classe trabalhadora, ameaçada por grupos de extrema esquerda que, em nome de ser eternamente ‘oposição’, se aliam a setores reacionários da direita. Mas isso, comparado aos outros difíceis momentos já ultrapassados, é apenas um pequeno empecilho que está sendo superado com facilidade por essa Central Sindical consolidada que é a CUT. Parabéns a todos(as) que ajudaram a construir essa bela história de luta. Afinal, juntos somos mais fortes!
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cutpr.org.br.