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A dengue, as mudanças climáticas e o futuro das epidemias

Dia Mundial da Saúde: a dengue, as mudanças climáticas e o futuro das epidemias

No momento em que o Dia Mundial da Saúde busca chamar a atenção da sociedade para a importância de sistemas de saúde bem preparados para atuar preventivamente frente aos impactos adversos das mudanças climáticas, nos deparamos mais uma vez com uma grave epidemia de dengue no Rio de Janeiro. O problema não está propriamente relacionado aos grandes fenômenos meteorológicos, pois tem uma origem endêmica, relacionada a condições climáticas e a comportamentos que desde sempre convivemos no Brasil.

Coerente com uma concepção de saúde centrada tão somente no atendimento médico-hospitalar, a perspectiva adotada pela mídia ao falar da epidemia tem sido as filas, a falta de leitos e de médicos, realçadas como pano de fundo para explicar as lamentáveis mortes causadas pela doença.

Pouco se fala da fragilidade das ações preventivas que, dentre outras coisas, deveria articular medidas de educação em saúde à população de forma regular e sistemática com melhorias estruturais nas condições de vida, em especial, no saneamento básico, a fim de evitar a proliferação do mosquito transmissor da doença.

Tampouco é falado que a articulação entre as ações preventivas e curativas da saúde, agindo concomitantemente em seus condicionantes e determinantes, é uma das premissas basilares do SUS (Sistema Único de Saúde), cuja implantação pressupõe financiamento adequado, profissionais de saúde valorizados e estratégias de gestão que se articulem intersetorialmente às várias áreas de governo.

Neste dia em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) propõe refletir sobre como queremos intervir preventivamente frente às mudanças climáticas, queremos lembrar que para além de uma rede ampla e bem estruturada de atendimento, é de importância inquestionável a defesa do sistema público de saúde que se baseia, antes de tudo, na prevenção e na promoção da saúde, sistema este que asseguramos arduamente na Constituição Federal de 1988.

Como é no presente que construímos nosso futuro, é importante lembrar que a saúde é um dos projetos em disputa na sociedade. Portanto, interessa à mídia continuar realçando as fragilidades do sistema público de saúde tão somente a partir do atendimento médico, que de fato tem sido um dos pontos de gargalo. O problema, porém, é reforçar uma imagem de inoperância e ineficácia do serviço público, tendo de forma subjacente a promoção da visão hospitalocêntrica e privatizante.

Cabe a nós a opção política de fazer o contraponto e, sobretudo, continuar a luta pela implantação e fortalecimento do sistema de saúde que, a duras penas, assegura o atendimento público integral, universal e gratuito; que mantém um sistema de vigilância sanitária e epidemiológica capaz de erradicar algumas doenças e de controlar outras tantas, protegendo o conjunto da população contra o adoecimento e contras as epidemias.

Neste Dia Mundial da Saúde queremos lembrar e render uma justa homenagem aos milhares de trabalhadores e trabalhadoras que anonimamente atuam para proteger e recuperar a saúde da população, não raro, enfrentando condições de trabalho bastante adversas.

Por Denise Motta Dau, que é secretária nacional de Organização da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cut.org.br.

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