A verdade histórica é que sem luta por direitos pouco ou nada se consegue
Incômoda que seja, a greve dos bancários estriba-se em reivindicações justas, porque o alto rendimento dos bancos não tem a idêntica correspondência no ganho de seus empregados. Afora uma certa categoria de gerentes, a massa trabalhadora dos bancos é mal remunerada. São 200 mil bancários parados, no Brasil, reivindicando reajuste salarial de 17,68% e mais a reposição inflacionária do último ano, num total de 25%.
Além disso reclamam participação nos lucros, melhoria do auxílio-refeição e da cesta de alimentação, redução da jornada de trabalho e implantação de planos de segurança para prevenção de assalto aos bancos e de sequestro, de que os funcionários são alvos diretos. Não é pelo simples fato de ser elevada a lucratividade dos bancos que a greve se justifica e sim porque as reivindicações têm procedência. Mas não se pode desconsiderar que um segmento tão favorecido, no Brasil, como os bancos, deve ter a obrigatoriedade de pagar bem ao seu corpo de colaboradores e, dessa forma, dar maior função social ao seu negócio que não seja apenas a função do lucro.
O conceito sábio é que o ganho do trabalhador deve ser proporcional ao lucro do empregador, não se permitindo exploração, porque uma organização empresarial é composta não apenas do seu comando superior e da estrutura instalada mas principalmente do seu capital humano, sem o qual nada funciona. Muitos são prejudicados com essa greve, mas tal ocorre não por uma eventual indispensabilidade do banco que lhe conferisse poder decisivo para a causa das necessidades sociais, mas porque se criou uma enorme dependência dele para quase todas as operações financeiras. Em países onde é mais cidadã a função do banco, tal prática facilita a vida das empresas e das pessoas.
No Brasil a recorrência ao banco transformou-se em risco para a economia das pessoas, empresas e instituições. A simples conta bancária de um trabalhador passa a ser um repositório onde caem torrentes de tarifas, cuja origem e nomenclatura o cliente ignora e não decifra. A submissão ao banco para quase tudo que se recebe e se paga não teria inconveniente como de fato não tem se não fossem os juros proibitivos e a enxurrada de taxas ditas de serviços, que consomem em doses homeopáticas considerável fatia do cliente.
É justa a reclamação dos bancários por melhor ganho e outros benefícios pertinentes e por mais garantia de segurança interna, porque onde há tanto dinheiro depositado há também os olhos voltados do assaltante. Greves significam, sempre, ausência de diálogo e de entendimento, mas se abastados empregadores, como os bancos, não cedem, a parte fraca vale-se dos recursos que tem, e o derradeiro deles é a greve. A verdade histórica é que sem a luta por direitos pouco ou nada se consegue.
Fonte: Folha de Londrina/Opinião
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Por Mhais• 24 de setembro de 2004• 13:38• Sem categoria
A reivindicação dos bancários
A verdade histórica é que sem luta por direitos pouco ou nada se consegue
Incômoda que seja, a greve dos bancários estriba-se em reivindicações justas, porque o alto rendimento dos bancos não tem a idêntica correspondência no ganho de seus empregados. Afora uma certa categoria de gerentes, a massa trabalhadora dos bancos é mal remunerada. São 200 mil bancários parados, no Brasil, reivindicando reajuste salarial de 17,68% e mais a reposição inflacionária do último ano, num total de 25%.
Além disso reclamam participação nos lucros, melhoria do auxílio-refeição e da cesta de alimentação, redução da jornada de trabalho e implantação de planos de segurança para prevenção de assalto aos bancos e de sequestro, de que os funcionários são alvos diretos. Não é pelo simples fato de ser elevada a lucratividade dos bancos que a greve se justifica e sim porque as reivindicações têm procedência. Mas não se pode desconsiderar que um segmento tão favorecido, no Brasil, como os bancos, deve ter a obrigatoriedade de pagar bem ao seu corpo de colaboradores e, dessa forma, dar maior função social ao seu negócio que não seja apenas a função do lucro.
O conceito sábio é que o ganho do trabalhador deve ser proporcional ao lucro do empregador, não se permitindo exploração, porque uma organização empresarial é composta não apenas do seu comando superior e da estrutura instalada mas principalmente do seu capital humano, sem o qual nada funciona. Muitos são prejudicados com essa greve, mas tal ocorre não por uma eventual indispensabilidade do banco que lhe conferisse poder decisivo para a causa das necessidades sociais, mas porque se criou uma enorme dependência dele para quase todas as operações financeiras. Em países onde é mais cidadã a função do banco, tal prática facilita a vida das empresas e das pessoas.
No Brasil a recorrência ao banco transformou-se em risco para a economia das pessoas, empresas e instituições. A simples conta bancária de um trabalhador passa a ser um repositório onde caem torrentes de tarifas, cuja origem e nomenclatura o cliente ignora e não decifra. A submissão ao banco para quase tudo que se recebe e se paga não teria inconveniente como de fato não tem se não fossem os juros proibitivos e a enxurrada de taxas ditas de serviços, que consomem em doses homeopáticas considerável fatia do cliente.
É justa a reclamação dos bancários por melhor ganho e outros benefícios pertinentes e por mais garantia de segurança interna, porque onde há tanto dinheiro depositado há também os olhos voltados do assaltante. Greves significam, sempre, ausência de diálogo e de entendimento, mas se abastados empregadores, como os bancos, não cedem, a parte fraca vale-se dos recursos que tem, e o derradeiro deles é a greve. A verdade histórica é que sem a luta por direitos pouco ou nada se consegue.
Fonte: Folha de Londrina/Opinião
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