Fortalecimento dos sindicatos é essencial para garantir o protagonismo do Estado no combate à crise
Seminário Internacional abre o 11º CONCUT com a presença de 140 lideranças de mais de 40 países
Escrito por: Wiliam Pedreira e Leonardo Severo
O Seminário Internacional “Os desafios dos trabalhadores e das trabalhadoras no enfrentamento da crise” abriu oficialmente, nesta segunda-feira (9), o 11º Congresso Nacional da CUT, que reúne cerca de 2.500 delegados e delegadas de todo o país na capital paulista.

A abertura contou com a presença de mais de 140 lideranças internacionais de 40 países, de todos os Continentes. Segundo João Felício, o Seminário é uma novidade que dialoga com a visão da CUT de que é necessário unir e mobilizar, para avançar coletivamente.
Para o presidente da Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), o canadense Hassan Yussuff, o compromisso e a solidariedade que vêm sendo manifestados pela CUT, com sua longa experiência, colocam a atuação do movimento sindical internacional em novo patamar, com melhores condições de defender os interesses da classe.
O aprofundamento da crise nos países capitalistas centrais e os iminentes ataques ao movimento sindical, declarou o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, reforçam a responsabilidade e a necessidade do fortalecimento da cooperação e unidade entre os diversos atores sociais e ampliam a importância de garantir um movimento sindical forte e atuante.
Citando três exemplos, o presidente da CUT, lembrou que o sistema constitucional brasileiro limita e engessa as ações do sindicalismo. “Primeiro, porque hoje quem decide a existência de um sindicato não são os próprios trabalhadores, mas o Ministério do Trabalho. Segundo, quem decide sobre o poder de fazer uma greve não são os trabalhadores livres e organizados, mas a Justiça do Trabalho que impõe pesadas multas aos sindicatos. E terceiro, não são os trabalhadores que decidem democraticamente a forma de sustentação de seu sindicato, que fica à mercê do Tribunal de Contas ou do Ministério Público Federal”.
Artur lembrou que quando a CUT lançou a Campanha por Autonomia e Liberdade Sindical queria consolidar avanços concretos e, para isso, “não basta apenas aprovar a Convenção 87 da OIT, mas uma legislação que garanta a organização no local de trabalho e o combate às práticas antissindicais”.
PROTAGONISMO DAS MULHERES
A secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, coordenou a primeira mesa sobre o modelo de organização sindical e a influência da crise na vida dos/as trabalhadores/as, lembrando que a mão de obra feminina é a mais afetada. Para sermos vitoriosos nesta luta contra os abusos do capital, disse Rosane, é essencial que as entidades sindicais estimulem a participação das mulheres.
O secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da CSA, Rafael Freire, destacou que o aprofundamento da crise na Europa e nos EUA tem impactado negativamente as já debéis relações de trabalho herdadas dos anos neoliberais no conjunto do Continente. “O que os empresários estadunidenses, alemães, brasileiros e argentinos defenderam durante a última reunião do G20 para a empregabilidade da juventude, por exemplo, é uma aposta no atraso. Dizem que para ter mais empregos é necessário flexibilizar, que os jovens precisam abrir mão de direitos e da sindicalização”, denunciou. Neste exato momento, destacou Rafael, “há sindicalistas sendo ameaçados de morte, há trabalhadores morrendo em acidentes de trabalho no nosso Continente”, o que torna imprescindível uma atuação conjunta e solidária. Para isso, enfatizou, “a CUT vem sendo um exemplo, com uma cooperação real no eixo de colaboração Sul-Sul”.PERSEGUIÇÃO NOS EUA
A diretora de Relações Internacionais da central estadunidense AFL-CIO, Cathy Feingold, denunciou a perseguição que vem sendo praticada contra os trabalhadores em seu país, onde a taxa de sindicalização é de apenas 11,8%. “Como temos 6,9% de sindicalizados no setor privado e 37% no setor público, é neste último que a direita está concentrando seus ataques em todos os Estados, de forma coordenada. É um ataque político em direção à privatização dos serviços, que aumenta os lucros também com a redução dos salários, com a precarização de direitos”, esclareceu. Conforme Cathy, para implementar esta política, tentam implantar o “sistema do medo”, como no Estado do Alabama, onde “se interrogam pessoas na rua, com comportamentos racistas contra os imigrantes”. Uma das principais reivindicações dos sindicalistas, acrescentou, é garantir um “salário prevalescente” para os operários da construção civil, o setor mais afetado pela crise que devasta a economia dos EUA. “Queremos impedir que os empresários rebaixem salários e normas para ganhar a concorrência de grandes obras públicas. Estamos nesta luta”, frisou.
Presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI) e da central alemã DGC, Michael Sommer reiterou seu apoio à campanha da CUT por liberdade e autonomia sindical. Sommer fez um breve relato da experiência do sindicalismo alemão, lembrando que a independência diante do governo e dos patrões, por meio da contribuição dos sindicalizados, bem como “o combate à divisão e à pulverização, que nos enfraquecem”, são pontos essenciais nesta jornada. “É esta unidade de ação, é esta autonomia, que nos permitem lutar para garantir conquistas e avançar”, concluiu.
Com a mediação de João Felício, o Seminário prossegue à tarde, debatendo “As várias faces da crise”. A mesa contará com a presença de Vladimir Safatle, filósofo, professor doutor da USP; Victor Baez, secretário geral da CSA e Roland Schneider, assessor politico senior da Trade Union Advisory Committee (TUAC), Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD) in Paris.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br
