Nesta quinta-feira (03/07), os participantes da Executiva Ampliada da Contraf/CUT puderam contar com análise de conjuntura, com exposições do professor da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles de Carvalho, e do ex-presidente do Sindicato de São Paulo, o deputado federal Ricardo Berzoini.
O professor Péricles fez uma balanço das mudanças na macro-economia do país a partir de um comparativo entre os oito anos do governo FHC e os seis anos do governo Lula. Na avaliação do docente, nos anos recentes, o Brasil avançou em aspectos importantes da economia, tendo como destaques a não renovação do acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacinal), implementação da diversos acordos sociais e diminuição do desemprego no país.
Péricles, no entanto, apontou para um problema que deve ser resolvido com urgência. “O Brasil ainda apresenta uma alta dívida interna, cujos maiores credores são os bancos, com cerca de 51% dos recursos. Essa é uma questão que requer atenção redobrada”.
Em sua exposição, Ricardo Berzoini fez um apanhado da atual situação econômica e política do país. Destacou que a recente alta inflacionária deve-se à elevação dos preços do petróleo e derivados, além das especulações em commodities agrícolas.
Conforme o deputado, a crise é internacional e o Brasil é um dos países com situação mais tranqüila. No que diz respeito à análise política, Berzoini lembrou importantes alianças e estratégias do governo no sentido de aprovar reformas estruturais de relevância para o país e antecipou que uma das prioridades do presidente Lula para 2009 é a reforma política. “Para que o país continue avançando é preciso reformar a estrutura do Estado, além de ferramentas de comunicação”.
Ricardo concluiu sua exposição ressaltando a importância de o movimento sindical se adequar frente a uma nova conjuntura. “Os sindicatos aprenderam a lidar com inflação baixa. Agora, o momento requer uma nova abordagem frente a um cenário com inflação crescente e é isto o que as lideranças devem ter em mente na construção da Campanha Nacional 2008”.
Por Lucimar Cruz Beraldo.
===========================================
Remuneração abre debates sobre Campanha Nacional durante Seminário da Contraf
O segundo dia de reunião ampliada da Diretoria Executiva da Contraf/CUT, com representantes das federações, foi dividido em dois momentos: durante a manhã discutiu-se conjuntura e na parte da tarde deu-se início aos temas que permearão a Campanha Nacional do Ramo Financeiro em 2008. Remuneração foi o abre-alas dos debates que prosseguem nesta sexta-feira, dia 04.
Os debates sobre Remuneração foram iniciados com a apresentação de um “Estudo sobre os programas de remuneração dos bancos desde 1995”, pela economista do Dieese, Ana Carolina Tosetti. Em sua exposição, a técnica informou a diferença entre a remuneração fixa – composta do salário, mais 13° salário, férias, além de FGTS, aviso prévio, multa rescisória, adicionais como hora extra e tíquetes – e a variável, que interessa muito aos patrões já que pode ser retirada em intercorrências.
Na avaliação dos diretores da FETEC/CUT-SP, os debates sobre Remuneração estão numa fase mais conceitual. A valorização da Remuneração Fixa deve ser um dos carros-chefe da campanha, haja vista os anseios que a categoria tem demonstrado em consultas realizadas pelos sindicatos.
No que se refere a Remuneração Variável, os dirigentes sindicais chegaram ao consenso de que, apesar da complexidade do tema, é preciso encontrar um formato de cobrança e pagamento para que todos os bancários tenham direito ao mesmo tipo de benefício, independente do banco que trabalhe.
A categoria bancária já superou a fase do contrata ou não contrata a remuneração variável, pois ela faz parte da realidade dos bancos e, conseqüentemente, dos trabalhadores. O que precisamos discutir, nesse momento, é o formato que será aplicado para o pagamento da remuneração variável, uma vez que nos moldes atuais esse ganho só beneficia o patrão que paga a remuneração variável desde que a meta seja atingida”, comenta Gutemberg de Oliveira, diretor Jurídico da FETEC/CUT-SP.
Já o diretor de Relações Sindicais da FETEC?CUT-SP, Luiz César de Freitas, salienta que a discussão de Remuneração Variável não pode estar vinculada a Remuneração Fixa. “A primeira veio, de certa forma, para flexibilizar a contratação e a remuneração dos trabalhadores. Isso traz problemas na ordem da Previdência, pois atua também de forma direta nas questões da informalidade e da rotatividade. O movimento sindical, nesse sentido, deve estar preparado para discutir ambos os temas, porém de formas distintas, preservando sempre os direitos dos trabalhadores”, conclui.
Por Michele Amorim.
=========================================
Debate sobre fusões e aquisições de bancos inaugura Executiva Ampliada da Contraf
Neste primeiro dia de reunião ampliada da Diretoria Executiva da Contraf/CUT com representantes das federações, o tema de debate foi “”Fusões e aquisições no sistema financeiro”, com participação do professor da Unicamp, Luiz Gonzaga Beluzzo e João Vaccari Neto, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Em sua exposição, o professor Beluzzo fez uma retrospectiva das fusões/incorporações de bancos no Brasil, cuja origem remonta à crise do sistema financeiro mundial.
Segundo Beluzzo, a política neoliberal dos anos 90 gerou uma grande desregulamentação do sistema financeiro em todo o mundo, levando os BCs, principalmente dos maiores países, a abrirem mão do controle dos bancos. A conseqüência disso, foi a eclosão da crise imobiliária nos EUA, com sérios reflexos no crédito europeu.
“Como em tempos de globalização os bancos possuem inter-relação, basta lembrar a forte presença de bancos europeus no Brasil, a saída encontrada por eles para a crise tem sido por meio das fusões/incorporações”, explica o professor da Unicamp.
Na avaliação de Beluzzo, o quadro, no entanto, começa a mudar. “Hoje, ressurge a necessidade de voltar com a regulamentação do sistema financeiro. Haja vista que os Bancos Centrais de diversos países debatem formas de colocar a casa em ordem novamente”.
João Vaccari Neto, por sua vez, apresentou uma exposição de como as fusões/incorporações ocorreram no Brasil, citando como seqüela a drástica redução dos postos de trabalho na categoria bancária. “Assim como no passado, as fusões/incorporações do momento requerem ampla mobilização dos trabalhadores, no sentido de garantir empregos e direitos”.
Conforme o ex-presidente do Seeb/SP, a incorporação Santander/ABN aponta para conflitos advindos de diferenças culturais nas instituições de origem. “A situação não será diferente no caso da incorporação da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. Embora muitos possam achar que, neste caso, a incorporação será mais tranqüila em virtude de o BB ser um banco federal, o movimento sindical deverá estar preparado para um acirrado enfrentamento”, avisa o dirigente.
Hoje, o Banco do Brasil busca uma atuação no mercado nos moldes dos bancos privados, o que tem acarretado inúmeros problemas ao seu funcionalismo, sobretudo nas agências. “Portanto, o movimento sindical deve atuar para mudar os atuais parâmetros no BB, sob risco de que a incorporação da Nossa Caixa siga os mecanismos de bancos privados, o que neste caso nos aponta para novas demissões e um acirramento ainda maior da precarização das condições de trabalho”, sintetiza Vaccari.
Durante o fechamento desta edição, a reunião prosseguia com debates sobre o papel dos bancos públicos. Para o período da manhã desta quinta-feira, está prevista análise de conjuntura. No período da tarde e na sexta-feira, os debates serão sobre Campanha Nacional 2008, quando deverá ser definido o formato da 10º Conferência Nacional dos Bancários, que ocorrerá de 25 a 28/07, em São Paulo.
Por Lucimar Cruz Beraldo.
NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.fetecsp.org.br.