Maioria na população, mulheres vêm conquistando o mercado de trabalho, mas ainda possuem pouca participação política
Foi lançado anteontem, 19 de julho, em Curitiba, o primeiro Anuário das Mulheres Brasileiras, elaborado pelo DIEESE e pela Secretaria de Políticas para as Mulheres. A publicação reúne bases de dados nas questões mais relevantes sobre a mulher nos diferentes espaços e atividades da sociedade.
Segundo Patrícia Lino Costa, umas das coordenadoras do anuário, a publicação é uma ferramenta importante para dimensionar a participação da mulher nos diversos estratos da sociedade. “Nós conseguiremos medir e usar o anuário como instrumento para alcançar os diversos desafios sobre a atual condição da mulher na sociedade brasileira”, afirma.
O anuário é distribuído em oito capítulos que abordam os temas Demografia e Família; Trabalho e Autonomia da Mulher; Trabalho Doméstico; Infraestrutura e Equipamento Social; Educação; Saúde; Espaços de Poder; Violência.
Os dados foram reunidos com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), em estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Departamento de Informática do SUS (Sistema Único de Saúde).
Para Marisa Stedile, secretária-geral da CUT-PR e dirigente da FETEC-CUT-PR, o anuário irá contribuir nas discussões de políticas para as mulheres nas mesas de negociação das diversas categorias de trabalhadores. “Desde 1992 a CUT possui uma política de cotas de gênero, mas infelizmente nos outros movimentos sindicais isso não acontece. Precisamos aumentar a participação da mulher nos sindicatos. E esse anuário vai nos ajudar a pleitear uma maior atuação das mulheres na nossa luta“, explica.
Mulheres são maioria
Segundo os dados do anuário, as mulheres são hoje maioria na população brasileira, com 51,3%, contra 49,7% de homens. Elas equiparam-se quanto à cor da pele, com 49% de mulheres negras e 49% de mulheres não-negras. Nas casas, aumentou o número de famílias chefiadas por mulheres. Em 49% dos domicílios brasileiros é a mulher que paga as contas e sustenta os filhos.
A presença feminina no mercado de trabalho também vem crescendo nos últimos anos. Hoje 52% das mulheres estão trabalhando. Os setores em que a mulher está mais presente são serviços domésticos, comércio e educação. Porém, o rendimento dos homens ainda é muito superior ao das mulheres. Em média os homens ganham duas vezes mais que as mulheres.
Na política, a mulher ainda é renegada. Os dados do anuário revelam que a presença da mulher em cargos ministeriais, por exemplo, ainda é tímida. Apenas 14,8% dos Ministérios no Governo Federal são ocupados por mulheres.
Já nos cargos eletivos, a participação é ainda menor. Nas eleições municipais de 2008, de um total de 5.556 eleitos, apenas 9,1% são mulheres. Atualmente nas casas legislativas, apenas 12,9% dos deputados estaduais são mulheres, e 8,8% dos deputados federais. No Senado, só 14,8% são senadoras.
Enquanto a participação na política ainda é pequena, nas questões de violência as mulheres, infelizmente, lideram as estatísticas. Enquanto a violência doméstica no Brasil para os homens foi de 12,3%, as mulheres agredidas somaram 43,1% no país.
“A igualdade de gênero é uma questão transversal. Não é possível que a população brasileira tenha mais mulheres do que homens e tenha tão pouca participação nos cargos políticos. Precisamos aumentar nossa participação para que os problemas e as questões que são de interesse da mulher possam ser discutidos e solucionados”, afirma Patrícia Lino Costa, coordenadora do Anuário das Mulheres Brasileiras 2011.
Cícero Bittencourt
FETEC-CUT-PR
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CONHEÇA O ANUÁRIO, ACESSANDO O ENDEREÇO ELETRÔNICO http://www.sepm.gov.br/noticias/documentos-1/anuario_das_mulheres_2011.pdf