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Por • 11:14• Opinião de trabalhador, Recentes

Artigo: As eleições e o futuro que queremos para o Brasil

Neste domingo, 4 de outubro, a população brasileira irá às urnas votar no primeiro turno das eleições presidenciais. Também serão eleitos novos governadores, deputados estaduais, federais e senadores.

Estamos diante de uma das eleições mais decisivas em décadas. Na conjuntura atual e com tudo o que está em jogo, o ato de votar deixa de ser um mero dever formal para se tornar o meio mais concreto de definir os rumos da sociedade e qual projeto deve orientar o cotidiano do país nos próximos anos.

A disputa presidencial é polarizada entre dois projetos de governo, completamente opostos. De um lado, o projeto representado pela esquerda coloca no centro do Estado as políticas públicas sociais, a valorização do trabalho e o fortalecimento de garantias coletivas. Nos últimos anos os avanços foram extraordinários. Defende-se a premissa de que o crescimento econômico só é pleno e sustentável quando acompanhado de inclusão social, redução das desigualdades, apoio aos trabalhadores e ampliação dos direitos das minorias. Trata-se de uma concepção em que o Estado atua como indutor do bem-estar social, garantindo acesso à saúde, educação, cultura e proteção aos mais vulneráveis.

Do outro lado, a candidatura da extrema direita representa o alinhamento com a agenda conservadora e elitista, não apenas do Brasil. Esse grupo e o seu projeto de governo prioriza a desregulamentação da economia, a redução do papel do Estado na oferta direta de serviços sociais e é a favor do incentivo às pautas do agronegócio e do mercado financeiro.

Soma-se a esse projeto uma clara convergência geopolítica com os interesses dos Estados Unidos, envolvendo inclusive a abertura para cadeias internacionais de suprimento e recursos estratégicos, mesmo que isso signifique condicionar a autonomia soberana da política externa brasileira e subordinar as decisões econômicas aos interesses de grandes potências financeiras globais.

Às vésperas de uma decisão tão importante como a que teremos no dia 4 de outubro, urge ressaltar que tanto a estabilidade política do Brasil quanto a soberania nacional e a paz social dependem da capacidade de o Estado combater as assimetrias históricas do Brasil e colocar em prática um conjunto de políticas públicas estruturais focadas em reduzir as profundas desigualdades econômicas, sociais, regionais e raciais que moldaram o país desde a sua formação.

Quando se prioriza a classe trabalhadora, a rede de proteção às minorias e os recursos estratégicos em solo nacional, busca-se assegurar que o desenvolvimento do país pertença e alcance a totalidade da população, e não apenas parcelas privilegiadas ou interesses estrangeiros.

O voto consciente é o instrumento supremo para que cada cidadão decida qual desses caminhos representa o futuro desejado. Mas só eleger o melhor Presidente não basta. É preciso também renovar o Congresso Nacional, elegendo deputados e senadores que igualmente tenham compromissos com a democracia e soberania e que defendam os interesses da nação.

Portanto, mais do que delegar poder a um representante, votar é assinar um compromisso com o modelo de sociedade e de soberania que queremos construir e preservar.

(*) Joel Guedes, jornalista sindical há 28 anos

Fonte: Pactu

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