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As condições de trabalho, dentre elas a saúde e a segurança no trabalho bancário em um concorrido debate da Conferência Nacional

O bancário precisa se proteger da violência urbana, moral e psicológica

A 12ª Conferência Nacional dos Bancários, que ocorre no Rio entre os dias 23 e 25 de julho, debateu na tarde desta sexta segurança bancária e saúde mental. O painel contou com a exposição da psicóloga do trabalho e professora da Universidade de Brasília (UnB), Ana Magnólia Mendes. A mesa foi coordenada pelo secretário de saúde da Contraf-CUT, Plínio Pavão.

Para acessar a apresentação da psicóloga, entre no endereço eletrônico http://www.contrafcut.org.br/download/Arquivo/10723212323.ppt

Plínio ressaltou o longo trabalho que Ana Magnólia vem desenvolvendo junto ao movimento sindical bancário. “A parceria entre a pesquisadora e os bancários é antiga, remonta a 2003, início de uma pesquisa que depois daria origem à clínica do trabalho, no Sindicato dos Bancários de Brasília. Essa relação se mantém até hoje”, pontuou.

A pesquisadora abordou os efeitos da cobrança por produtividade e o estresse pós-traumático. Para ela, é uma tendência cada vez mais constante no serviço bancário a adoção dos chamados modos perversos de gestão, tais como o produtivismo e o gerencialismo. “Esses modos se constituem em verdadeiras ideologias, e estão na raiz de muitos dos problemas do ambiente de trabalho, tais como a busca desmedida de desempenho, a cobrança excessiva da perfeição no trabalho e as relações autoritárias e competitivas entre os trabalhadores bancários”, afirma.

Segundo Ana, as questões são geradas coletivamente, porém analisadas individualmente. “Com isso, o trabalhador deixa de se comunicar, de enxergar sentido em seu trabalho, o que é acentuado pelos modos distorcidos de avaliação”, analisa.

A psicóloga ainda ressaltou a relação existente entre as doenças físicas e psicológicas observadas na categoria bancária e os problemas na organização do trabalho. “O trabalho deveria ser visto como uma fonte de prazer, mas este elemento está ausente na maioria das vezes. Por isso, o trabalhador tende a desenvolver vários mecanismos de defesa, tais como a aceleração do ritmo de trabalho, que podem levar ao adoecimento físico e psicológico”.

“Uma das alternativas é o desenvolvimento de métodos de avaliação mais qualitativos do trabalho. O que há é uma organização baseada no controle, que ameaça e exige uma qualidade total, algo que só é possível às máquinas”, diz Ana.

Segurança e estresse pós-traumático

Segundo Ana, o estresse pós-traumático está relacionado à vivência de situações violentas no local de trabalho, como assaltos, ou situações de sofrimento psicológico intenso, sendo de difícil diagnóstico. “Temos dados que mostram que 66% dos bancários se sentem tensos ou preocupados com a possibilidade de assalto, e isso acontece porque de fato a violência urbana é um problema que atinge fortemente a categoria, especialmente nas agências. É preciso lutar para que os bancos se responsabilizem realmente por expor seus trabalhadores a esse ambiente de risco”, ressalta a pesquisadora. Os sintomas do estresse pós-traumático incluem fobias, tremores, calafrios, emagrecimento, tiques nervosos, entre outros.

Medidas preventivas

Ana Magnólia ainda apontou algumas formas de lutar contra o sofrimento psicológico e o consequente adoecimento do trabalhador bancário. Segundo ela, fortalecer a organização dos bancários em seus locais de trabalho é uma das formas de diminuir o sentimento de desamparo. “Além disso, é fundamental que as pessoas consigam identificar as situações de sofrimento psicológico e que conversem sobre o assunto. O representante sindical pode e deve ter um papel fundamental nesse trabalho, discutindo o assunto diretamente com a base”.

Para ela, a saúde do trabalhador exige uma mobilização individual e coletiva contra o sofrimento. “É essencial buscar mecanismos para combater este sofrimento gerado no ambiente de trabalho a fim de buscar modos para se proteger da violência urbana, moral e psicológica, do ponto de vista individual e coletivo”, conclui.

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Bancários defendem combate ao assédio moral e fim das metas abusivas

O combate ao assédio moral e o fim das metas abusivas, entre outros temas, foram debatidos no grupo sobre saúde do trabalhador neste sábado, dia 24, no Rio, durante a 12ª Conferência Nacional dos Bancários. As discussões seguirão para plenária final a ser realizada neste domingo.

O resultado da pesquisa nacional contratada pela Contraf-CUT apresentada na conferência mostrou que os dois temas estão entre as principais reivindicações dos trabalhadores.

“O debate foi bastante produtivo. Embora tenhamos uma minuta abrangente, tivemos importantes contribuições das federações e sindicatos através dos debates realizados nas conferências regionais que deram voz aos bancários, enriquecendo as discussões e colaborando para melhorar as reivindicações”, destaca Plínio Pavão, secretário de saúde da Contraf-CUT e coordenador da mesa.

Confira algumas propostas que serão levadas para apreciação da plenária final:

Metas – O tema está relacionado com a saúde mental do trabalhador de modo bastante íntimo. O item é o grande causador do assédio moral.

Combate ao assédio moral – Foi apresentado informe sobre o que está acontecendo na mesa temática em relação ao tema. “A expectativa é que possamos avançar na mesa temática, mas caso isso não aconteça esperamos conquistas durante a Campanha Nacional dos Bancários”, afirma Plínio.

Além disso, os bancários também debateram outros temas como:

– Melhorar as condições do plano de saúde.

– Cobrar dos bancos acessibilidade para as pessoas com deficiência, trabalhadores e clientes.

– Eliminação dos riscos de acidentes no ambiente de trabalho.

– Realização de estudo sobre saúde da mulher.

Por Júnior Barreto – Rede de Comunicação dos Bancários.

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Bancários apontam reivindicações de segurança para a Campanha Nacional

A 12ª Conferência Nacional dos Bancários realizou na tarde deste sábado (24) o grupo de discussão sobre Segurança Bancária. Os principais pontos aprovados, que ainda serão levados à plenária final que ocorre neste domingo, prevêem assistência às vítimas de assalto e seqüestro, adicional de risco de vida de 30% e medidas de prevenção contra ataques a bancos. Os trabalhos foram coordenados por Ademir Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária.

Antes da discussão de propostas, Ademir fez um relato sobre o andamento das negociações com a Fenaban, que vem acontecendo na Mesa Temática de Segurança Bancária. “São poucos os pontos onde tivemos avanços efetivos, que esperamos transformar em novas cláusulas na nova convenção coletiva. Teremos de pressionar os bancos na Campanha Nacional para avançar mais, até porque a Fenaban já sinalizou que pretende retomar a mesa de negociação após a Campanha Nacional”, afirma.

Foram definidas garantias de assistência às vítimas de seqüestros e todos os que estiveram no local de assaltos. Além de atendimento médico e psicológico, fechamento da unidade no dia da ocorrência, emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e acompanhamento de advogado do banco para identificação de suspeitos, foi aprovada proposta aprovada na conferência regional dos bancários do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, que reivindica estabilidade provisória para vítimas de assaltos, seqüestros e extorsões no prazo de 36 meses depois da ocorrência. Em caso de processo judicial com decisão favorável ao bancário, esse prazo começaria a contar após o trânsito em julgado. “A demissão de bancários que passam por essa situação é lamentavelmente muito comum e, por isso, precisamos de garantias contra esse arbitrariedade dos bancos”, destacou o diretor da Contraf-CUT.

Foi também aprovada a reivindicação do pagamento do adicional de periculosidade ou risco de vida de 30% para os bancários que trabalham em agências, postos de serviço e outros setores de risco. “A proposta foi lançada pelos vigilantes, uma categoria que ocupa o mesmo ambiente de trabalho dos bancários e que arrancou recentemente essa conquista, através de acordos coletivos em todo país e por meio de projetos de lei aprovados na Câmara dos Deputados e no Senado”, destaca Ademir.

Outro ponto importante definido é a necessidade de proibição do transporte de dinheiro e chaves de cofres por parte dos bancários. A proposta foi reforçada pelo diretor do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, João Rufino. Ele contou que essa prática é mais comum do que se imagina, apesar de ilegal. “É muito comum, especialmente nas cidades do interior, que o bancário seja transformado pelos patrões em transportador de valores, sem nenhuma segurança. E isso cria muitos riscos, sendo que não é raro ver bancário sendo assaltado nessa situação”, denunciou.

Ainda foram aprovadas medidas de prevenção contra assaltos, como a porta de segurança com detectores de metais antes do autoatendimento, câmeras de filmagem com monitoramento em tempo real, vidros blindados nas fachadas, divisórias individualizadas na bateria de caixas e entre os caixas eletrônicos, instalação de vidros nos guichês de caixas e colocação de biombos em frente aos caixas. “As medidas preventivas visam proteger a vida de bancários, vigilantes e clientes e evitar assaltos e o golpe da saidinha de banco”, concluiu Ademir.

Por André Shalders – Rede de Comunicação dos Bancários.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.contrafcut.org.br.

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