SANTIAGO – A candidata governista à Presidência do Chile, a socialista Michelle Bachelet, acusou ontem a direita de tentar comprar o respaldo de militantes e dirigentes de outros partidos. “Escutei nestes dias que chamaram o povo, militantes de alguns partidos, oferecendo, inclusive, pagar suas dívidas”, disse Bachelet ao canal Chilevisión.
Bachelet não mencionou diretamente, como autor das propostas, Sebastián Piñera, que paradoxalmente, é o dono do canal por meio do qual ela fez a denúncia e que é seu rival no segundo turno das eleições presidenciais chilenas, em 15 de janeiro.
“Eu nego, de maneira categórica, total e definitiva. Jamais nosso comando ofereceu nenhum peso a nenhuma pessoa para que se incorpore a nosso trabalho. Bachelet está faltando com a verdade e o faz com má intenção”, respondeu imediatamente Piñera, que considerou a denúncia um ataque pessoal.
Nas eleições realizadas no domingo, Bachelet, candidata da governante Concertación pela Democracia, obteve 45,95%, com uma ampla vantagem sobre Piñera, candidato do partido Renovação Nacional, que alcançou 25,41%.
Desde terça-feira ficou claro que a nova campanha não será amistosa, quando Piñera propôs desconfiar “de uma atéia” e apresentou 11 militantes democrata-cristãos que passaram para suas fileiras. Dos 11, dois o desmentiram mais tarde, outros quatro não eram membros da DC e outro é um conhecido teólogo de extrema direita que defendeu a ditadura de Augusto Pinochet e criticou membros da Igreja Católica que defenderam os direitos humanos.
Bachelet, em um ato em massa que deu início à campanha, afirmou que Piñera, apesar de suas tentativas de aparecer como moderno, liberal e próximo ao centro político, está cercado “da mesma direita de sempre, a que apoiou Pinochet”.
“Eu sabia que esta campanha seria dura, porque a política é dura. O que eu não sabia é que ia ser tão suja”, lamentou Piñera, cuja fortuna ultrapassa US$ 1 bilhão, ao comentar as denúncias sobre supostas compras de adesões.
Bachelet se negou a revelar as identidades das pessoas que teriam sido tentadas com dinheiro, mas garantiu que se trata de “gente importante”. Piñera admitiu que fez ligações para diversas pessoas para que se unam à sua campanha, mas assegurou que não ofereceu dinheiro algum por isso.
O democrata-cristão Marcelo Trivelli, ex-intendente (governador) da Região Metropolitana de Santiago, disse que partidários de Piñera o sondaram, mas que não lhe ofereceram dinheiro nem lhe pediram que desertasse, “porque lhes esclareci de imediato que estou firme com a Concertación”.
O presidente do partido democrata-cristão, Adolfo Zaldívar, disse que nos últimos dias surgiram “antecedentes delicados” sobre a campanha para o segundo turno, mas não deu maiores informações. No entanto, acusou Piñera de faltar à ética ao tentar cooptar militantes democrata-cristãos.
“Se ele fosse um humanista cristão se ocuparia também da moral cristã, mas uma pessoa que se introduz nos arquivos da DC para mandar e-mails pretendendo cooptar nossa militância, está afastada da moral cristã”, afirmou.
Ministro renuncia para apoiar socialista
SANTIAGO – O ministro da Educação do Chile, Sergio Bitar, renunciou ontem ao cargo para se unir à campanha presidencial da socialista Michelle Bachelet. Ele irá elaborar políticas, ficará responsável pela área de comunicaçãoções e vai ajudar a estabelecer as linhas gerais da campanha, afirmou Bachelet aos jornalistas antes de participar de um ato para o relançamento de sua campanha.
A socialista anunciou que o senador democrata-cristão Andrés Zaldivar, que terminará seu mandato em março próximo, já que não se reelegeu no domingo, será o presidente do seu “comitê político estratégico da campanha”. O comitê político também será integrado pelos ex-presidentes democratas-cristãos Patricio Aylwin (1990-1994) e Eduardo Frei Ruiz Tagle (1994-2000).
“Isto é um reforço para o comando, porque todos vão continuar para este segundo turno, que é uma nova eleição”, acrescentou Bachelet, ex-ministra da Defesa e Saúde do presidente Ricardo Lagos, que concluirá seu mandato em 11 de março.
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Por Mhais• 15 de dezembro de 2005• 20:18• Sem categoria
Bachelet acusa direita de tentar comprar apoio
SANTIAGO – A candidata governista à Presidência do Chile, a socialista Michelle Bachelet, acusou ontem a direita de tentar comprar o respaldo de militantes e dirigentes de outros partidos. “Escutei nestes dias que chamaram o povo, militantes de alguns partidos, oferecendo, inclusive, pagar suas dívidas”, disse Bachelet ao canal Chilevisión.
Bachelet não mencionou diretamente, como autor das propostas, Sebastián Piñera, que paradoxalmente, é o dono do canal por meio do qual ela fez a denúncia e que é seu rival no segundo turno das eleições presidenciais chilenas, em 15 de janeiro.
“Eu nego, de maneira categórica, total e definitiva. Jamais nosso comando ofereceu nenhum peso a nenhuma pessoa para que se incorpore a nosso trabalho. Bachelet está faltando com a verdade e o faz com má intenção”, respondeu imediatamente Piñera, que considerou a denúncia um ataque pessoal.
Nas eleições realizadas no domingo, Bachelet, candidata da governante Concertación pela Democracia, obteve 45,95%, com uma ampla vantagem sobre Piñera, candidato do partido Renovação Nacional, que alcançou 25,41%.
Desde terça-feira ficou claro que a nova campanha não será amistosa, quando Piñera propôs desconfiar “de uma atéia” e apresentou 11 militantes democrata-cristãos que passaram para suas fileiras. Dos 11, dois o desmentiram mais tarde, outros quatro não eram membros da DC e outro é um conhecido teólogo de extrema direita que defendeu a ditadura de Augusto Pinochet e criticou membros da Igreja Católica que defenderam os direitos humanos.
Bachelet, em um ato em massa que deu início à campanha, afirmou que Piñera, apesar de suas tentativas de aparecer como moderno, liberal e próximo ao centro político, está cercado “da mesma direita de sempre, a que apoiou Pinochet”.
“Eu sabia que esta campanha seria dura, porque a política é dura. O que eu não sabia é que ia ser tão suja”, lamentou Piñera, cuja fortuna ultrapassa US$ 1 bilhão, ao comentar as denúncias sobre supostas compras de adesões.
Bachelet se negou a revelar as identidades das pessoas que teriam sido tentadas com dinheiro, mas garantiu que se trata de “gente importante”. Piñera admitiu que fez ligações para diversas pessoas para que se unam à sua campanha, mas assegurou que não ofereceu dinheiro algum por isso.
O democrata-cristão Marcelo Trivelli, ex-intendente (governador) da Região Metropolitana de Santiago, disse que partidários de Piñera o sondaram, mas que não lhe ofereceram dinheiro nem lhe pediram que desertasse, “porque lhes esclareci de imediato que estou firme com a Concertación”.
O presidente do partido democrata-cristão, Adolfo Zaldívar, disse que nos últimos dias surgiram “antecedentes delicados” sobre a campanha para o segundo turno, mas não deu maiores informações. No entanto, acusou Piñera de faltar à ética ao tentar cooptar militantes democrata-cristãos.
“Se ele fosse um humanista cristão se ocuparia também da moral cristã, mas uma pessoa que se introduz nos arquivos da DC para mandar e-mails pretendendo cooptar nossa militância, está afastada da moral cristã”, afirmou.
Ministro renuncia para apoiar socialista
SANTIAGO – O ministro da Educação do Chile, Sergio Bitar, renunciou ontem ao cargo para se unir à campanha presidencial da socialista Michelle Bachelet. Ele irá elaborar políticas, ficará responsável pela área de comunicaçãoções e vai ajudar a estabelecer as linhas gerais da campanha, afirmou Bachelet aos jornalistas antes de participar de um ato para o relançamento de sua campanha.
A socialista anunciou que o senador democrata-cristão Andrés Zaldivar, que terminará seu mandato em março próximo, já que não se reelegeu no domingo, será o presidente do seu “comitê político estratégico da campanha”. O comitê político também será integrado pelos ex-presidentes democratas-cristãos Patricio Aylwin (1990-1994) e Eduardo Frei Ruiz Tagle (1994-2000).
“Isto é um reforço para o comando, porque todos vão continuar para este segundo turno, que é uma nova eleição”, acrescentou Bachelet, ex-ministra da Defesa e Saúde do presidente Ricardo Lagos, que concluirá seu mandato em 11 de março.
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