A Bacia Hidrográfica do Alto Iguaçu em Curitiba é a mais poluída do Estado, onde há maior concentração urbana e deficiência de coleta e tratamento de esgoto no Estado, segundo o diretor de Planejamento e Controle do Uso das Águas do Instituto das Águas do Paraná, Norberto Ramon. De acordo com Ramon, o Paraná tem também concentração de poluição em rios nas maiores cidades do Estado como Londrina, Maringá e Cascavel.
O diretor do Instituto das Águas ressalta que o problema da poluição dos rios não é somente do Paraná, mas do país. “O Brasil tem uma deficiência na coleta de esgoto doméstico. É preciso investimentos em saneamento básico no país. O problema da poluição só será resolvido quando houver investimento pesado do governo em saneamento”, observou Ramon.
Para o professor e coordenador do Projeto Bases Técnicas para Avaliação da Qualidade da Água do Rio Iguaçu da Região Metropolitana de Curitiba da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Cristovão Fernandes, a qualidade da água no Rio Iguaçu é um reflexo do processo de ocupação intensa onde o esgoto não é coletado e é jogado no rio.
Segundo Fernandes, as cabeceiras do Alto Iguaçu, na altura da jusante da Barragem do Irai em Pinhais e Piraquara, são protegidas e têm pouca ocupação, fazendo com que haja um processo natural de proteção das águas. No entanto, a água começa a ficar poluída no encontro dos rios Palmital, Barigui e Atuba com o Rio Iguaçu, já em Curitiba. “A poluição é orgânica e o nível de poluição do rio é significativo. A qualidade nesta extensão é bastante comprometida”, avalia.
De acordo com o professor, é necessário que haja um plano de despoluição que deveria começar com o tratamento de esgoto. “Ao mesmo tempo é preciso que as indústrias tratem os efluentes e que se façam campanhas de educação ambiental para a conscientização do cidadão porque ele é parte do processo de poluição”, afirma Fernandes.
Para ele, é preciso utilizar a sociedade para fazer parte do processo de despoluição dos rios. “Nós, enquanto cidadãos, temos a nossa parcela de responsabilidade. A sociedade pode participar de Comitês de Bacias Hidrográficas do Alto Iguaçu, de processos de educação ambiental, incentivando as pessoas a fazerem parte da despoluição do Iguaçu”, conclui o professor.
Projeto de lei
Um projeto de lei denominado “Rios Limpos”, de autoria do vereador Jonny Stica, tramita há mais de dois anos na Câmara Municipal de Curitiba. O projeto direciona a utilização dos recursos provenientes de contrato entre a Sanepar e a prefeitura de Curitiba para a fiscalização das ligações de esgoto no município. Segundo o vereador, se os recursos fossem aplicados com este objetivo, em cinco anos daria para fiscalizar as ligações irregulares de esgoto de todo o município.
Ainda de acordo com Stica, 90% dos problemas de esgoto em Curitiba são os esgotos domésticos. “A única forma de acabar com a poluição dos rios é ir à fonte”, acredita Stica.
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Por Valéria Auada.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.paranaonline.com.br