ENTREVISTA-Balança compensa impacto de crise, diz Mantega
BRASÍLIA (Reuters) – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avalia que não há como o Brasil sair da atual turbulência dos mercados globais sem nenhum arranhão, mas ressaltou que os expressivos saldos comerciais compensam as retiradas de recursos do país por estrangeiros.
“Não há nenhuma possibilidade de se sair ileso dessas turbulências”, disse à Reuters Mantega, destacando a grande interdependência dos mercados financeiros hoje em dia.
O ministro afirmou que alguns fundos estrangeiros de investimento estão retirando ativos do Brasil, mas o “saldo comercial expressivo” garante um fluxo cambial positivo ao país.
“Nós nem precisamos mexer em reservas porque nós continuamos com um fluxo cambial positivo, embora haja saída de dólares.”
Os mercados globais viveram nesta quinta-feira o pior dia desde que os temores com o mercado de crédito de alto risco dos Estados Unidos começaram a abater os ativos financeiros internacionais.
Mantega voltou a frisar que a economia do país está, de uma maneira geral, sólida para enfrentar o que, destaca ele, ainda é uma turbulência.
“Eu acho que nós só teremos uma crise quando a turbulência financeira atingir a economia real e levar a uma desaceleração do crescimento das economias. Isso ainda não aconteceu.”
O ministro destacou também que o superávit primário do setor público poderá ficar acima do estabelecido como meta pelo governo em 2007. A meta é de superávit de 3,8 por cento do Produto Interno Bruto, que pode ser reduzida a até 3,3 por cento do PIB com as despesas feitas em obras do chamado Projeto Piloto de Investimentos.
“O superávit primário poderá ser maior (em 2007) porque estamos tendo um ganho de arrecadação”, afirmou Mantega, destacando que esse ganho tem decorrido do crescimento e da formalização da economia, e não de elevação de alíquota.
LEILÕES DO TESOURO
O Tesouro tem condições de ficar “meses a fio” sem promover leilões de títulos no mercado interno, afirmou Mantega, lembrando que o governo tem reservas para isso.
Ele acrescentou que o leilão desta semana foi suspenso porque o governo não quer elevar os juros médios da dívida.
“Vamos deixar passar esse momento e, depois, eu tenho certeza que o mercado de juros vai se acalmar”, disse o ministro. Questionado, ele não quis comentar se o Tesouro deverá realizar leilão na próxima semana.
Por Mario Andrada e Silva e Isabel Versiani.
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Bolha nos mercados já foi estourada, diz Mantega
Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que, apesar de adequada, a postura dos bancos centrais dos países desenvolvidos para conter a turbulência financeira não vai evitar o ajuste dos mercados.
“A bolha já foi estourada. Nós vamos ter novos preços no mercado, com lucros menores para alguns bancos de investimentos. Teremos preços menores e riscos maiores onde devem haver riscos maiores”, avaliou, em entrevista à Agência Estado.
Segundo o ministro, a atuação do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e do Banco Central Europeu (BCE) está adequada para conter a turbulência nos mercados. “Eles estão garantindo a liquidez necessária neste momento. O Fed declarou que vai dar toda cobertura de liquidez que for necessária e esta é uma postura muito importante”, afirmou.
“A postura dos BCs é positiva e ajuda a atenuar a crise e impede que ela se alastre por todo o sistema financeiro”, acrescentou, destacando que a postura é diferente do passado, por exemplo, na crise de 1929, quando o Fed apertou ainda mais a liquidez, piorando gravemente aquela situação.
Corte dos juros
O ministro disse que, se a turbulência financeira piorar, o banco central norte-americano terá que cortar os juros. Ele reprovou as declarações de ontem do presidente do Fed em Saint Louis, Willian Poole.
“Achei a declaração de um dos diretores do Fed (Poole) desnecessária, dizendo que vão baixar o juro só no momento de uma grande crise no mercado. Não acho que é isso que vai acontecer. Acho que se houver um agravamento da crise, o Fed vai ter que baixar os juros para se contrapor à alta dos juros de mercado, que ocorreu porque o crédito escasseou”, afirmou.
Para ele, a turbulência ainda não afetou a economia real e só vai se tornar crise se isso vier a acontecer. “Que vai haver desaceleração na economia dos EUA é certo, porque lá é o epicentro da crise. A questão é saber se vai haver uma redução do crescimento na China, na Ásia como um todo e na Europa. Até agora, não houve sinais de que isso vai acontecer”, afirmou.
Fabio Graner e Luciana Xavier – Agência Estado.
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