Uma homenagem aos trabalhadores que nunca desistem de batalhar e que não esquecem do passado de dificuldades e glórias
Nesta semana se comemora o Dia dos Bancários. Semana de festividades e comemorações para celebrar uma data que, na verdade, sinaliza um marco histórico não apenas para a categoria bancária como também para todo o povo brasileiro.
Isto porque os bancários sempre estiveram à frente dos mais diversos embates sociais, sempre em busca de justiça, melhoria nas condições de trabalho e também lutando pelo crescimento e desenvolvimento do país.
Por essa razão, o resgate destas e de outras datas que tanto significado tiveram na história recente do Brasil, é muito importante. As lutas dos bancários não só mobilizaram a categoria como uma grande parcela da população. Então, em comemoração a mais um Dia dos Bancários, nada melhor do que reviver momentos históricos e importantes dessa luta.
Quando tudo começou
A primeira greve de bancários da história iniciou em 18 de abril de 1932, em Santos. As reivindicações eram por melhorias salariais e das condições sanitárias – havia grande incidência de tuberculose à época.
Essa greve foi vitoriosa, entretanto, a conquista que marcou a década de 30 foi a redução da jornada de trabalho para seis horas, em novembro de 1933.
A primeira mobilização nacional
A primeira greve nacional da categoria bancária aconteceu em julho de 1934, e durou três dias. Os pedidos desta vez eram basicamente a três direitos: aposentadoria aos 30 anos de serviço e 50 de idade, estabilidade no emprego a partir de um ano trabalhado e criação de caixa única de aposentadoria e pensões.
Na época, quem governava o país era Getúlio Vargas, a quem os trabalhadores reiteradas vezes haviam reivindicado a criação do IAPB, o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários. Com a paralisação dos bancários, veio o resultado: pelo decreto-lei 24.615, de 9 de julho de 1934, nascia o IAPB.
Marco na história da categoria, o IAPB expandiu e incrementou sua área de atuação. Em 1966, sob protesto, os bancários foram incorporados aos serviços previdenciários unificados no país. Mais uma vitória sofrida. Mais uma conquista que não pode ser esquecida.
28 de agosto de 1951
Dia 28 de agosto foi a data escolhida para se comemorar o Dia do Bancário. Ela foi convencionada a partir do ano de 1951, quando a categoria bancária realizou uma das mais longas e vitoriosas greves de sua história, que durou 69 dias.
Naquele dia, o movimento grevista foi deflagrado em assembléia, e, defendendo as justas reivindicações da categoria, rejeitou uma contraproposta dos banqueiros. O movimento saiu vitorioso e a data que marcou a grande ofensiva dos trabalhadores ficou assinalada nacionalmente como o Dia do Bancário.
Nesta época a participação feminina já se fazia presente, mas foi em 1957 que o Sindicato ganhou suas primeiras diretoras, Consuelo Toledo e Silva e Maria Aparecida Galvão. Ainda neste ano, a categoria conquista a almejada jornada de seis horas de trabalho diário para todos os funcionários dos bancos, e a aposentadoria por tempo de serviço.
Os anos 60
Na campanha de 61, ocorreu uma nova paralisação nacional, a terceira da categoria. Chamada “greve da dignidade”, resultou em nada menos que 60% de reajuste, fortalecendo a recém-criada Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Contec, oficializada em 1959) e a mobilização para a aprovação da Lei 4.090, que instituiu o 13º salário.
No ano seguinte, organizados em torno da Contec, os Sindicatos da categoria mais uma vez partem para ações unificadas. Assim, garantiram direitos como o fim do trabalho aos sábados, abonos semestrais nos salários e anuênio.
A maior paralisação da história
A década de 80 reservou para a história da categoria aquela que até hoje é considerada como a maior greve de bancários do Brasil. Iniciada em 10 de setembro de 1985, a paralisação mobilizou cerca de 500 mil trabalhadores.
A campanha salarial nacional de 1985 foi estruturada de forma a mobilizar a opinião pública sobre a situação vivida pelos bancários. Os trabalhadores bancários realizam uma greve histórica: entre os dias 10 e 12 de setembro o maior centro financeiro do país permaneceu de portas fechadas.
Pioneirismo
O pioneirismo sempre foi marca da categoria bancária. Ela foi a primeira a assinar acordo único válido para todo o país, em 1992, ano de fundação da Confederação Nacional dos Bancários. A Participação nos Lucros e Resultados veio em 95. A discussão sobre igualdade de oportunidades entrou na convenção em 2001.
A luta continua
A categoria bancária continua batalhando por melhores condições de trabalho e de salários. Atualmente, porém, novas lutas vêm fazendo parte da vida dos bancários. A preocupação com a saúde dos trabalhadores é uma delas. Entre bandeiras históricas e atuais, o objetivo foi o mesmo: melhores condições de trabalho.
As vitórias alcançadas com tanto esforço fizeram com que as pessoas, muitas vezes alheias às situações de trabalho impostas pelos banqueiros, observassem com mais atenção e acolhessem as justas reivindicações da categoria. Pela história, pelas luta e conquistas, esses trabalhadores merecem nossas homenagens. Não apenas durante esta semana, ou por apenas um dia. Não esquecer de fatos que marcaram o país, por exemplo, é uma forma de sempre enaltecer a categoria bancária.
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Por Mhais• 26 de agosto de 2005• 13:43• Sem categoria
Bancários: uma história de lutas e conquistas
Uma homenagem aos trabalhadores que nunca desistem de batalhar e que não esquecem do passado de dificuldades e glórias
Nesta semana se comemora o Dia dos Bancários. Semana de festividades e comemorações para celebrar uma data que, na verdade, sinaliza um marco histórico não apenas para a categoria bancária como também para todo o povo brasileiro.
Isto porque os bancários sempre estiveram à frente dos mais diversos embates sociais, sempre em busca de justiça, melhoria nas condições de trabalho e também lutando pelo crescimento e desenvolvimento do país.
Por essa razão, o resgate destas e de outras datas que tanto significado tiveram na história recente do Brasil, é muito importante. As lutas dos bancários não só mobilizaram a categoria como uma grande parcela da população. Então, em comemoração a mais um Dia dos Bancários, nada melhor do que reviver momentos históricos e importantes dessa luta.
Quando tudo começou
A primeira greve de bancários da história iniciou em 18 de abril de 1932, em Santos. As reivindicações eram por melhorias salariais e das condições sanitárias – havia grande incidência de tuberculose à época.
Essa greve foi vitoriosa, entretanto, a conquista que marcou a década de 30 foi a redução da jornada de trabalho para seis horas, em novembro de 1933.
A primeira mobilização nacional
A primeira greve nacional da categoria bancária aconteceu em julho de 1934, e durou três dias. Os pedidos desta vez eram basicamente a três direitos: aposentadoria aos 30 anos de serviço e 50 de idade, estabilidade no emprego a partir de um ano trabalhado e criação de caixa única de aposentadoria e pensões.
Na época, quem governava o país era Getúlio Vargas, a quem os trabalhadores reiteradas vezes haviam reivindicado a criação do IAPB, o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários. Com a paralisação dos bancários, veio o resultado: pelo decreto-lei 24.615, de 9 de julho de 1934, nascia o IAPB.
Marco na história da categoria, o IAPB expandiu e incrementou sua área de atuação. Em 1966, sob protesto, os bancários foram incorporados aos serviços previdenciários unificados no país. Mais uma vitória sofrida. Mais uma conquista que não pode ser esquecida.
28 de agosto de 1951
Dia 28 de agosto foi a data escolhida para se comemorar o Dia do Bancário. Ela foi convencionada a partir do ano de 1951, quando a categoria bancária realizou uma das mais longas e vitoriosas greves de sua história, que durou 69 dias.
Naquele dia, o movimento grevista foi deflagrado em assembléia, e, defendendo as justas reivindicações da categoria, rejeitou uma contraproposta dos banqueiros. O movimento saiu vitorioso e a data que marcou a grande ofensiva dos trabalhadores ficou assinalada nacionalmente como o Dia do Bancário.
Nesta época a participação feminina já se fazia presente, mas foi em 1957 que o Sindicato ganhou suas primeiras diretoras, Consuelo Toledo e Silva e Maria Aparecida Galvão. Ainda neste ano, a categoria conquista a almejada jornada de seis horas de trabalho diário para todos os funcionários dos bancos, e a aposentadoria por tempo de serviço.
Os anos 60
Na campanha de 61, ocorreu uma nova paralisação nacional, a terceira da categoria. Chamada “greve da dignidade”, resultou em nada menos que 60% de reajuste, fortalecendo a recém-criada Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Contec, oficializada em 1959) e a mobilização para a aprovação da Lei 4.090, que instituiu o 13º salário.
No ano seguinte, organizados em torno da Contec, os Sindicatos da categoria mais uma vez partem para ações unificadas. Assim, garantiram direitos como o fim do trabalho aos sábados, abonos semestrais nos salários e anuênio.
A maior paralisação da história
A década de 80 reservou para a história da categoria aquela que até hoje é considerada como a maior greve de bancários do Brasil. Iniciada em 10 de setembro de 1985, a paralisação mobilizou cerca de 500 mil trabalhadores.
A campanha salarial nacional de 1985 foi estruturada de forma a mobilizar a opinião pública sobre a situação vivida pelos bancários. Os trabalhadores bancários realizam uma greve histórica: entre os dias 10 e 12 de setembro o maior centro financeiro do país permaneceu de portas fechadas.
Pioneirismo
O pioneirismo sempre foi marca da categoria bancária. Ela foi a primeira a assinar acordo único válido para todo o país, em 1992, ano de fundação da Confederação Nacional dos Bancários. A Participação nos Lucros e Resultados veio em 95. A discussão sobre igualdade de oportunidades entrou na convenção em 2001.
A luta continua
A categoria bancária continua batalhando por melhores condições de trabalho e de salários. Atualmente, porém, novas lutas vêm fazendo parte da vida dos bancários. A preocupação com a saúde dos trabalhadores é uma delas. Entre bandeiras históricas e atuais, o objetivo foi o mesmo: melhores condições de trabalho.
As vitórias alcançadas com tanto esforço fizeram com que as pessoas, muitas vezes alheias às situações de trabalho impostas pelos banqueiros, observassem com mais atenção e acolhessem as justas reivindicações da categoria. Pela história, pelas luta e conquistas, esses trabalhadores merecem nossas homenagens. Não apenas durante esta semana, ou por apenas um dia. Não esquecer de fatos que marcaram o país, por exemplo, é uma forma de sempre enaltecer a categoria bancária.
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