Se depender do Itaú, o compartilhamento das redes de auto-atendimento dos bancos continuará apenas um projeto ou sairá do papel bastante limitado.
O presidente do Itaú, Roberto Setubal, disse ontem, em palestra no 15 º Congresso de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (Ciab), não ver vantagem no compartilhamento. “Do ponto de vista de produtividade e redução de custos, o ganho será pequeno, marginal”, afirmou.
Com uma rede de 21,3 mil caixas eletrônicos e um terço dos 12 milhões de clientes usuários freqüentes da internet, o Itaú considera reduzidos os locais onde há superposição de equipamentos com os de outros bancos.
Para o banqueiro, “a proposta é muito ambiciosa” – o que “vai dificultar o início da operação”. E, talvez fosse mais viável do ponto de vista técnico e logístico se somente algumas operações, como saques e saldos, pudessem ser realizadas nas máquinas de uso compartilhado.
Proposto por Márcio Cypriano, presidente do Bradesco, logo que assumiu a presidência da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), no início do ano passado, e apoiado pelo Banco Central (BC), o compartilhamento da rede de auto-atendimento dos bancos vem sendo discutido desde então.
Nos últimos quatro anos, o parque de máquinas de auto-atendimento do setor financeiro cresceu 10%, atingindo 141.577 unidades. Um terço desse parque é composto por máquinas que fazem saque e depósito e um terço por máquinas que realizam saques em espécie. O restante inclui terminais de depósitos, saldos e talões de cheque.
O primeiro passo foi dado pelo Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), que estão, experimentalmente, compartilhando máquinas em algumas praças. Chamado de Bancos Integrados, o projeto é acompanhado com interesse pelo Bradesco.
Cypriano afirmou, também no Ciab, que os estudos para a adesão do Bradesco aos Bancos Integrados “estão avançados”.
Até o final do ano, acrescentou, “deveremos fazer algum anúncio” para o início efetivo do compartilhamento. O Bradesco, CEF e BB somam cerca de 50% das máquinas de auto-atendimento do país.
A adesão do Bradesco ao Bancos Integrados não significa, porém, o desinteresse pela rede da Tecnologia Bancária S.A. (TecBan), criada em 1982, para administrar o Banco 24 Horas, uma rede de equipamentos compartilhados que, atualmente, opera em 240 cidades e presta serviço a 45 instituições financeiras e seus clientes, somando 85 milhões de cartões.
Segundo Cypriano, a intenção é atrair outros bancos e a rede Banco 24 Horas. “São vários estudos em andamento. Não existe exclusividade. A idéia é fazer um projeto maior. Até porque temos 30% do Banco 24 Horas”, destacou.
Em outra iniciativa, o Bradesco e mais seis bancos (BB, Unibanco, Besc, Santander, Real e HSBC) começaram no mês passado um piloto para o compartilhamento de transporte de numerário em Santa Catarina (SC). O teste deve durar três meses, depois dos quais as instituições vão decidir se ampliam ou não o seu escopo. Já existe desde o ano passado, o compartilhamento de malotes de documentos.
O chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistemas de Pagamentos (Deban) do BC, José Antonio Marciano, afirmou que o Banco Central vem contatando os participantes do mercado para convencê-los a cooperar com o compartilhamento, não só de caixa eletrônico mas também de POS. O objetivo é melhorar a eficiência e reduzir os custos do sistema financeiro, que os bancos repassam nos juros e tarifas cobrados dos clientes, disse Marciano. “A economia obtida terá que ser repassada”, acrescentou.
Fonte: Valor Econômico – Maria Christina Carvalho
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