O Banco Popular do Brasil (BPB) –subsidiária do Banco do Brasil voltada para o atendimento da população de baixa renda– usou o cadastro da rede varejista Marabraz para inflar os números de sua carteira de clientes no ano passado. Até novembro, o banco contava com pouco mais de 500 mil clientes. No começo de janeiro deste ano, o BPB informou que tinha aberto mais de 1 milhão de contas. Ou seja, a carteira de clientes da instituição dobrou de novembro para janeiro.
A mágica da multiplicação de contas ocorreu na gestão de Ivan Guimarães. Procurado pela reportagem, Guimarães não foi encontrado para comentar o assunto.
Sem criticar o antecessor, o novo presidente do BPB, Geraldo Magella, disse que as metas de atuação a instituição mudaram desde a saída de Guimarães. “A nova visão do BPB é que temos que qualificar e fidelizar a base de clientes.”
Executivos ouvidos pela reportagem disseram que na gestão de Guimarães o BPB trabalhava com metas elevadas de ampliação da carteira de clientes. A filosofia do BPB mudou. “Acreditamos que a quantidade [de clientes] será resultado da qualidade de nossos serviços”, afirmou Magella.
Como conseqüência dessa estratégia de ampliar a carteira de clientes de forma artificial, o BPB conta hoje com um elevado número de contas inativas –sem movimentação. Dos 1,590 milhão de clientes, só 1,270 milhão são ativos. Outros 320 mil são inativos –nunca fizeram uma transação em suas contas.
Segundo executivos do BPB, esse volume de contas inativas é maior do que aquelas que foram abertas em cima do cadastro da Marabraz. Estima-se que o BPB tenha aberto 270 mil contas com dados dos clientes da Marabraz.
Na ocasião, o BPB negociava com a Marabras um acordo para transformar a rede em correspondente bancário. Esse acordo, entretanto, acabou fracassando.
Procurada pela reportagem, a Marabraz não comentou o assunto.
O BPB não vai recomendar nenhuma punição a Guimarães. Dirigentes ouvidos pela reportagem disseram que à epoca dos fatos o BPB trabalhava com metas elevadas de ampliação da carteira de clientes.
No entanto, o uso do cadastro da Marabraz sem autorização dos clientes é uma prática considerada ilegal pelas entidades de defesa do consumidor.
Fonte: Folha Online – FABIANA FUTEMA
Deixe um comentário