A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reagiu, ontem, à acusação do Fundo Monetário Internacional (FMI), de que os bancos são culpados pelo spread elevado do crédito no país. Em relatório divulgado terça-feira, em Washington, avaliando a estabilização na América Latina, o FMI diz, em capítulo sobre o sistema financeiro da região, que a intermediação financeira tem um alto custo no Brasil porque os bancos são pouco competitivos. O FMI retomou, assim, os argumentos da pesquisadora Agnès Belaisch, divulgado pelo Fundo no ano passado, também com grande repercussão.
Segundo nota divulgada pela Febraban e elaborada pelo seu economista-chefe, Roberto Luis Troster, o estudo peca por subestimar custos e outras particularidades do mercado brasileiro. “Há omissões na explicação dos custos, como a tributação, o baixo nível de alavancagem nos bancos brasileiros, os subsídios cruzados com compulsórios elevados, créditos direcionados e a prestação de serviços de pagamento e recebimento para o governo a um custo elevado, que é repassado para a intermediação”.
No quadro mais incisivo do estudo de Belaisch, a pesquisadora reconhece que a alavancagem dos bancos é baixa no Brasil, onde os bancos canalizam para o crédito 30% dos ativos, metade dos 68% dos bancos na América Latina e Estados Unidos. Mas, a margem líquida é equivalente a 5,2% dos ativos em comparação com 4,2% dos bancos latinos e os 3,1% dos americanos.
Para a Febraban, o estudo foi feito em um período “atípico” (1997 e 2002), influenciado pela reestruturação bancária e desvalorização do real, que “podem ter distorcido os números”. Para os bancos, diz a Febraban seria importante ampliar o período pesquisado.
Outros estudos sérios sobre o tema destacam a relevância dos custos administrativos no spread bancário. Um deles é o da pesquisadora Ana Carla Abrão Costa, do Banco Central, que calculou em 28,34% o peso do custo administrativo no spread bancário, após pesquisa com amostra de 100 bancos, e em 27,31% o da inadimplência. A margem, que Ana Carla chama de resíduo, é equivalente a 23,47%; a cunha tributária, 12,33% e o compulsório, 8,31%.
Estudo do professor Alberto Borges Matias, da ABM Consulting, levando em conta os balanços dos três maiores bancos privados brasileiros (Bradesco, Itaú e Unibanco) vai na mesma direção. As despesas dos bancos – conta que inclui gastos com pessoal e administrativos – respondem por 48,4% do spread; a margem, por 23,8%; a inadimplência, 14,2%; e os impostos, 13,6%.
Fonte: Valor Econômico – Maria christina Carvalho
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