Valor – Maria Christina Carvalho, De São Paulo
Caixa e BB querem atrair mais 3 milhões neste ano
Até o final do governo Lula, toda a população economicamente ativa (PEA), cerca de 70 milhões de pessoas, deverá ter conta em banco.
O vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Fernando Nogueira da Costa estima que isso significa abrir 13 milhões de contas em quatro anos, especialmente para pessoas das classes C a E. Mas a experiência dos bancos federais até agora nesse campo indica que esse movimento não se traduzirá necessariamente em aumento da demanda por crédito. “Essa faixa de clientes tem baixa propensão a tomar crédito”, afirmou o vice-presidente de varejo do Banco do Brasil (BB), Edson Monteiro.
Os bancos possuíam, em 2002, 66,7 milhões de contas correntes, informa a A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que ontem reuniu a imprensa e membros de sua diretoria para um balanço da gestão de Gabriel Jorge Ferreira, que transfere a presidência para Márcio Cypriano, em março. Desse total, cerca de 15% devem ser contas de um mesmo titular, reduzindo o número de pessoas com conta a 57 milhões. Para atingir os 70 milhões da PEA, faltaria então atingir 13 milhões de pessoas, avaliou Costa.
Somente a Caixa abriu 1,1 milhão de contas, depois de agosto do ano passado, quando foram simplificados os procedimentos para a abertura de conta corrente, das quais 85% são de pessoas com renda mensal inferior a R$ 500,00. O BB, que fez o mesmo para quem recebe até dois salários mínimos em aposentadoria e benefícios por suas agências, amealhou 600 mil novas contas.
Costa calcula que só a Caixa pode abrir 2 milhões de contas neste ano se mantiver o ritmo de 8 mil por dia útil, de 2003. O BB quer abrir 1 milhão. Com a ajuda dos bancos bancos privados, os 13 milhões serão atendidos.
Mas, como observou Monteiro, é baixa a intenção desses clientes a tomarem recursos: apenas 10% dos 600 mil novos correntistas do BB usaram o limite de R$ 240,00 de crédito oferecido. Ferreira observou que também ainda é pequeno o volume das operações do recém regulado empréstimo com desconto em folha para funcionários do setor privado.
Nem todos especialistas concordam com isso mas Costa acredita que a principal explicação para a reduzida atividade de crédito do ano passado é a retração econômica. Se a economia crescer, a demanda aumentará, disse Costa que minimiza a influência do juro. “A decisão de longo prazo depende da taxa de longo prazo, que já caiu bastante”, afirmou.
O saldo das operações de crédito passou de R$ 378,3 bilhões do final de 2003 para R$ 411,4 bilhões em dezembro passado, crescendo 8,7%, percentual que nem cobre a inflação medida pela em 9,3% pela variação do IPCA no período. O crescimento, no entanto, foi maior, de 13,7% nos créditos direcionados (financiamento rural, imobiliário e repasses do BNDES), que fecharam o ano com o saldo de R$ 162,4 bilhões.
Na interpretação de Costa, isso ocorreu porque o crédito direcionado não depende da demanda e foi reforçado pela liberação de R$ 34 bilhões do BNDES, de R$ 20 bilhões do BB para o crédito rural e de R$ 1,7 bilhão da Caixa para o saneamento. Só neste ano, lembrou, o orçamento do BNDES vai crescer para R$ 47 bilhões e o da Caixa, R$ 12 bilhões.
O presidente do ABN AMRO Real, Fábio Barbosa, notou ainda que o crédito cresceu mais no último trimestre, especialmente entre as empresas.
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