Valor – Sergio Lamucci, De São Paulo
Os bancos brasileiros voltam a acessar o mercado externo nesta semana, ainda que sem o mesmo apetite registrado ao longo de 2003. Ontem, foi a vez do Bradesco concluir a emissão de um eurobônus de US$ 100 milhões, com prazo de três anos. Na segunda-feira, o BNP Paribas havia obtido US$ 60 milhões, lançando papéis com vencimento em dezembro de 2006.
Os bancos estão menos presentes nesse mercado nos últimos meses porque o espaço para arbitrar a diferença entre juros externos e internos diminuiu muito ou desapareceu totalmente. No entanto, essa possibilidade reapareceu nos últimos dias para alguns prazos, atraindo o interesse de alguns bancos. Nos próximos dias, a Nossa Caixa e Banespa devem fechar captações de US$ 50 milhões cada um.
Mas o grosso das emissões do setor privado concluídas e ainda por concluir neste mês são de empresas não financeiras – nada menos de US$ 1,6 bilhão, ante US$ 260 milhões de bancos.
O Bradesco conseguiu uma captação bastante barata, a primeira realizada neste ano. Em 2003, o banco obteve US$ 2,71 bilhões no exterior. O retorno ao investidor ficou em 3,65% ao ano, uma taxa apenas 165 pontos-base acima dos títulos do Tesouro americano, um nível próximo ao registrado em 2000, segundo o diretor-executivo da área internacional do Bradesco, José Guilherme Lembi de Faria.
O baixo custo da emissão e o fato de o cupom cambial (que mede o nível do juro em dólar por aqui) para janeiro de 2007 estar em 5,05% no momento da operação a tornou interessante – a taxa encerrou o dia em 4,93%. Faria também frisou que a demanda pelos recursos por parte de uma empresa foi fundamental para que o banco fizesse a emissão.
O dinheiro será repassado para operações de capital de giro. Segundo ele, as captações realizadas pelo banco têm como objetivo repassar o dinheiro para os clientes. O cupom (o juro nominal) do eurobônus ficou em 3,625%. Os papéis foram vendidos para private banks e investidores institucionais na Europa e nos EUA, numa operação liderada pelo Bradesco Cayman e pelo BNP Paribas.
Faria diz que o banco poderia ter captado mais de US$ 100 milhões, mas o objetivo era obter apenas esse valor. Ele vê com otimismo o cenário para captações do setor privado, acreditando na continuidade do alongamento dos prazos. Mesmo com o anúncio de algumas emissões por parte de bancos nos últimos dias, o diretor do Multi Commercial Bank, Ricardo Simone, aposta que as empresas não financeiras vão dominar esse mercado em 2004.
O espaço para arbitragem da diferença de juros externos e internos é muito pequeno, existindo apenas em alguns prazos e para algumas instituições, ressalta ele. O cupom cambial de um ano, por exemplo, está em apenas 2,7%. Ele lembra, no entanto, que existe a possibilidade de alguns bancos emitirem dívida subordinada, com o objetivo de aumentar a base de capital. Essas operações têm prazos mais longos, na casa de 10 anos.
A novidade ontem foi a informação de que o Banespa prepara uma captação de US$ 50 milhões, com prazo de 2,5 anos, liderada pelo Standard London. Para os próximos dias, o mercado espera, além dos papéis do Banespa e da Nossa Caixa, a conclusão das emissões de US$ 300 milhões da Votorantim, com prazo de 10 anos; da Ultrapar, de US$ 60 milhões, por 18 meses, e da Cosipa, de US$ 150 milhões, ainda sem prazo definido.
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Por Mhais• 16 de janeiro de 2004• 13:07• Sem categoria
BANCOS VOLTAM A CAPTAR NO EXTERIOR
Valor – Sergio Lamucci, De São Paulo
Os bancos brasileiros voltam a acessar o mercado externo nesta semana, ainda que sem o mesmo apetite registrado ao longo de 2003. Ontem, foi a vez do Bradesco concluir a emissão de um eurobônus de US$ 100 milhões, com prazo de três anos. Na segunda-feira, o BNP Paribas havia obtido US$ 60 milhões, lançando papéis com vencimento em dezembro de 2006.
Os bancos estão menos presentes nesse mercado nos últimos meses porque o espaço para arbitrar a diferença entre juros externos e internos diminuiu muito ou desapareceu totalmente. No entanto, essa possibilidade reapareceu nos últimos dias para alguns prazos, atraindo o interesse de alguns bancos. Nos próximos dias, a Nossa Caixa e Banespa devem fechar captações de US$ 50 milhões cada um.
Mas o grosso das emissões do setor privado concluídas e ainda por concluir neste mês são de empresas não financeiras – nada menos de US$ 1,6 bilhão, ante US$ 260 milhões de bancos.
O Bradesco conseguiu uma captação bastante barata, a primeira realizada neste ano. Em 2003, o banco obteve US$ 2,71 bilhões no exterior. O retorno ao investidor ficou em 3,65% ao ano, uma taxa apenas 165 pontos-base acima dos títulos do Tesouro americano, um nível próximo ao registrado em 2000, segundo o diretor-executivo da área internacional do Bradesco, José Guilherme Lembi de Faria.
O baixo custo da emissão e o fato de o cupom cambial (que mede o nível do juro em dólar por aqui) para janeiro de 2007 estar em 5,05% no momento da operação a tornou interessante – a taxa encerrou o dia em 4,93%. Faria também frisou que a demanda pelos recursos por parte de uma empresa foi fundamental para que o banco fizesse a emissão.
O dinheiro será repassado para operações de capital de giro. Segundo ele, as captações realizadas pelo banco têm como objetivo repassar o dinheiro para os clientes. O cupom (o juro nominal) do eurobônus ficou em 3,625%. Os papéis foram vendidos para private banks e investidores institucionais na Europa e nos EUA, numa operação liderada pelo Bradesco Cayman e pelo BNP Paribas.
Faria diz que o banco poderia ter captado mais de US$ 100 milhões, mas o objetivo era obter apenas esse valor. Ele vê com otimismo o cenário para captações do setor privado, acreditando na continuidade do alongamento dos prazos. Mesmo com o anúncio de algumas emissões por parte de bancos nos últimos dias, o diretor do Multi Commercial Bank, Ricardo Simone, aposta que as empresas não financeiras vão dominar esse mercado em 2004.
O espaço para arbitragem da diferença de juros externos e internos é muito pequeno, existindo apenas em alguns prazos e para algumas instituições, ressalta ele. O cupom cambial de um ano, por exemplo, está em apenas 2,7%. Ele lembra, no entanto, que existe a possibilidade de alguns bancos emitirem dívida subordinada, com o objetivo de aumentar a base de capital. Essas operações têm prazos mais longos, na casa de 10 anos.
A novidade ontem foi a informação de que o Banespa prepara uma captação de US$ 50 milhões, com prazo de 2,5 anos, liderada pelo Standard London. Para os próximos dias, o mercado espera, além dos papéis do Banespa e da Nossa Caixa, a conclusão das emissões de US$ 300 milhões da Votorantim, com prazo de 10 anos; da Ultrapar, de US$ 60 milhões, por 18 meses, e da Cosipa, de US$ 150 milhões, ainda sem prazo definido.
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