No Fórum Social Mundial das Migrações, movimentos lançam Jornada Continental pela Democracia e ressaltam que unidade entre povos é única saída para sobrevivência dos direitos
por Luiz Carvalho – publicado 09/07/2016 16:34
Portal da CUT – A sexta edição do Fórum Social Mundial das Migrações, que termina hoje (9), em São Paulo, apontou para dois problemas que unificam os movimentos sindical e sociais do mundo, em especial, na América Latina: a contraofensiva do neoliberalismo e a xenofobia.
Como nas etapas anteriores, o desafio segue costurar e manter a unidade, única saída para construir uma resistência contra a retirada de direitos. Natural, portanto, que neste momento, em que o Brasil passa por um golpe, o país seja palco do lançamento da Jornada Continental pela Democracia e Contra o Neoliberalismo, ontem, durante o Fórum.
De acordo com o dirigente da Confederação Sindical das Américas (CSA), Rafael Freire, o objetivo é realizar ao menos 500 atividades em diversos países até o dia 4 de novembro deste ano, quando organizações de todos os continentes farão atos regionais em defesa da democracia.
“O que precisamos para enfrentar e derrotar direita? Unidade. Para nós, a agenda fundamental passa por identificar instrumentos e mecanismos que o capitalismo usa contra a humanidade, concentrando renda e riqueza em 1% da população, como as cadeias de valores que desorganizam e exploram, para podermos nos organizar contra políticas transnacionais e tratados de livre comércio. A CSA quer estar junto com todos que queiram estar com a bandeira da democracia”, falou.
Xenofobia como solução
Representante da CUT, o secretário-adjunto de Relações Internacionais, Ariovaldo de Camargo, defendeu que é preciso frear o crescimento do conservadorismo no país, mas também observar os estragos que devem causar em outras nações vizinhas.
“Os golpes em Honduras e Paraguai também foram de combate a forças progressistas que poderiam impulsionar a construção de nova ordem social e econômica em nosso continente. E certamente teremos impacto na Bolívia e Venezuela que ainda vivem a resistência ao neoliberalismo”, avaliou.
O dirigente apontou que a xenofobia encontra apoio na ideia da população de que os migrantes ocupam postos de trabalho que não lhe caberiam, uma estratégia imperialista para promover uma limpeza étnica.
“Basta ver o resultado do plebiscito Reino Unido, uma visão xenofóbica, contraditória em que os mais atingidos é que deram a vitória, os mais pobres. Vitimas, muitas vezes, de ideia de soluções simples, a ideia de que todos migrantes irão para e que reforça ideia o princípio de não haver espaço para quem não nasce na terra. É nosso dever rechaçar isso e continuar denunciando o ataque aos direitos da classe trabalhadora”, afirmou.
Democracia manipulável
Para Jorge Muñoz, do Comitê Internacional do Fórum Social Mundial de Migrações, fortalecer a democracia é um desafio maior do que parece.
“Especialmente aqui, mas também na África e Europa, ficou claro que é um instrumento muito fácil de manejar pelo conservadorismo econômico e neoliberalismo político. Cada vez com instrumentos mais apurados. Nunca havia usado o Judiciário, por exemplo, e estão usando em absolutamente todos os países. Esse golpe parlamentar mostra como a democracia no Brasil ainda é frágil”, definiu.
Manipulação que conta, invariavelmente com o papel dos grandes meios de comunicação, observou a coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli.
Ela observou que a investida na América Latina se dá por representar uma possibilidade de nova visão de mundo a partir do surgimento de governos com agenda de inclusão social e de novas pautas econômicas, substituindo o livre comércio entre as Américas – Alca – pelo Brics (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Diante de novas possibilidades à geopolítica mundial e da ousadia da integração entre países, a reação é o golpismo, que encontra apoio da velha mídia em todos os países onde investe no continente e que só será detido se houver a integração também da resistência.
“Nesse sentido, a luta pela democratização da comunicação não pode ser bandeira apenas brasileira. Tivemos avanços em países como Argentina, Bolívia e Venezuela, mas não são suficientes para barrar o papel que a mídia privada cumpre. Sem comunicação integrada e enfrentamento a monopólios do meio de comunicação, não vamos democratizar o continente”, disse Renata.
Notícia colhida no sítio http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/07/brasil-e-peca-fundamental-na-resistencia-ao-neoliberalismo-2235.html
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ONU: ‘Estados Unidos estão longe de reconhecer mesmos direitos para todos’
Em dois dias, dois negros foram assassinados por policiais brancos. Casos despertaram onda de protestos, que culminaram na morte de cinco em Dallas, Texas
por Redação RBA – publicado 08/07/2016 16:16

Violência policial contra negros desencadeou uma série de protestos no país
São Paulo – “Os Estados Unidos estão longe de reconhecer os mesmos direitos para todos os cidadãos”, afirma o especialista em direitos humanos das Nações Unidas Ricardo Sunga. Ele lidera um grupo de trabalho na ONU para afrodescendentes que emitiu hoje (8) uma nota mostrando preocupação sobre recentes assassinatos de negros no país norte-americano por policiais brancos.
Na quarta-feira (6), um policial matou um homem negro durante uma abordagem em Minneapolis, no estado de Minnesota. O caso foi filmado pelo celular de sua namorada, que presenciou a cena junto de sua filha de quatro anos. Nas imagens, o homem se movimentou apenas para procurar sua carteira. Foi o segundo assassinato de negros em dois dias no país, entretanto, este caso ganhou repercussão pois o vídeo foi divulgado por redes sociais.
O caso reacendeu uma onda de protestos pelo país, que já tinha visto algo semelhante há dois anos, após o assassinato de um negro na cidade de Ferguson, no Missouri. Nova Iork, Washington, Dallas, entre outras importantes cidades, registraram atos. Nesta última, o clima de tensão recente no país ganhou outra proporção. Durante manifestação em Dallas, no estado do Texas, um franco-atirador abriu fogo contra policiais: cinco morreram e sete ficaram feridos.
“O grupo de trabalho está indignado e condena fortemente os mais recentes assassinatos, pela polícia, de dois homens afro-americanos. Pedimos imediatas investigações independentes para garantir que os perpetuadores sejam processados e punidos”, afirma a ONU. “Também condenamos os ataques contra policiais em Dallas e pedimos que os criminosos sejam punidos”, completa.
Para o especialista, o uso de violência excessiva é um padrão contra negros nos Estados Unidos. “O grupo de trabalho está convencido de que a raiz do problema é a falta de responsabilização dos perpetuadores de tais crimes apesar das evidências (…) níveis alarmantes de brutalidade policial e uso excessivo da força letal são cometidos pelos agentes da lei com impunidade.”
Por fim, as Nações Unidas recomendam uma série de medidas para mudar o panorama no país: “Melhorar a comunicação de violações envolvendo uso excessivo da força e assassinatos pelas polícias; garantir que os casos relatados sejam investigados de forma independente; que os possíveis criminosos sejam julgados e, se condenados, punidos com sanções adequadas; que as investigações possam ser reabertas quando nova evidência aparecer; que as vítimas e suas famílias sejam atendidas”.
Notícia colhida no sítio http://www.redebrasilatual.com.br/mundo/2016/07/onu-estados-unidos-estao-longe-de-reconhecer-mesmos-direitos-para-todos-cidadaos-6177.html
