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Brasil precisa definir o grau de regulação financeira para enfrentar entrada de dólares

Brasília – Na avaliação do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, a grande discussão, hoje, no Brasil é sobre a oportunidade, a legitimidade e a conveniência de adotar mecanismos de regulação financeira para impedir que o excesso de liquidez da economia mundial, decorrente da crise econômica, possa contaminar a economia e as finanças públicas do Brasil.

Para Coutinho, não haverá nenhuma ruptura da União Europeia em consequência da crise fiscal de alguns países do bloco. O Banco Central Europeu, na avaliação dele, continuará dando liquidez aos mercados e evitando qualquer episódio grave de inadimplência ou de interrupção da oferta de crédito. No caso dos Estados Unidos, “o cenário já está dado” e a expectativa é que o Federal Reserve, autoridade monetária norte-americana, também mantenha “esse estado de liquidez, com juros próximos de zero”. Assim, haverá “excesso” de liquidez no mundo, que motiva o ingresso de capitais nos países emergentes com economias estáveis.

“É por isso que o país não corre o risco de ocorrer uma fuga de capital. Mas a prudência nos leva a manter uma observação e uma regulação cuidadosa para que o país continue a ter um crescimento que mantenha a saúde das finanças públicas e do sistema financeiro”.

O presidente do BNDES, que participou hoje de um seminário na sede do banco, alertou para o perigo que é o Brasil assumir passivos em moeda estrangeira e ativos em moeda nacional. “São desequilíbrios que, em nossa história, sempre se mostraram provocadores de crises, seja no setor privado, seja no setor público”.

Por Nielmar de Oliveira – Repórter da Agência Brasil. Edição: Vinicius Doria

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Número dois da Fazenda nega novas medidas para barrar entrada de dólares

Rio de Janeiro – O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, negou nesta terça-feira (23) que o governo estude a adoção de novas medidas na área cambial. Segundo ele, o momento é de acompanhar as medidas já implementadas “para evitar a entrada de capital especulativo de modo a impedir a apreciação excessiva do real”.

Ele admitiu que a crise econômica mundial, os problemas relativos ao patrimônio dos bancos e a necessidade de se estimular a recuperação econômica dos países desenvolvidos têm efeito sobre o resto do mundo, especialmente países emergentes como o Brasil, cujo taxa de câmbio é muito atrelada à cotação dos produtos básicos agrícolas e minerais (commodities).

“Mas a gente já tem lidado com isto de várias formas e o Brasil tem colocado limites às posições em moeda estrangeira, seja por parte dos bancos ou dos agentes financeiros. E temos adotado tributações sobre alguns fluxos de capitais para diminuir o incentivo à apreciação do real”, explicou Barbosa.

As declarações do secretário executivo foram dadas após participar de um seminário no Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na ocasião, ele manifestou a crença de que o governo conseguirá cumprir a meta de inflação traçada pelo Banco Central. “Eu acho que a meta será cumprida ainda este ano e que ela ficará abaixo de 6,5%. Já no próximo ano, a inflação vai convergir para 4,5%. Pelo menos é o que indicam os últimos boletins do Banco Central: que ela venha a convergir para perto de 4,5% já no meio do ano [que vem]. A partir daí há uma incerteza: se permanece em 4,5% ou se sobe um pouco. Mas eu acho que ela [a inflação] converge para os 4,5%”.

Por Nielmar de Oliveira – Repórter da Agência Brasil. Edição: Vinicius Doria

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