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Brasil precisa incluir questões sociais na hora de pensar economia

Presidente do Ipea critica cobertura da mídia que se preocupa apenas com urgências, como se país tivesse economia de pronto-socorro

São Paulo – O Brasil tem a possibilidade de se tornar uma liderança mundial diante das transformações por que passa a economia internacional, segundo Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Durante seminário realizado na capital paulista nesta sexta-feira (8), ele criticou a cobertura da mídia, que trata o cenário econômico nacional como se fosse um “pronto-socorro”.

Ele abriu o seminário “Rumos da Economia no Brasil”, organizado pela revista Brasileiros, como parte de uma série de eventos temáticos semelhantes. Pochmann defendeu a discussão e a adoção de um modelo de desenvolvimento que garanta a superação de problemas sociais que ainda persistem. “É inaceitável que estejamos pensando em ser a quinta (maior) economia mundial com problemas sociais do século XIX”, criticou.

Ao mesmo tempo, lembra o economista, o desenvolvimento representa uma transformação estrutural, com possibilidades de o país se tornar uma liderança internacional. Isso ocorre especialmente porque se projeta uma perspectiva de um mundo multipolar, com vários países puxando o crescimento econômico. “Não está definido como vai ser, mas é certeza de que os Estados Unidos não vão puxar crescimento. A China vai atender por parte disso, mas há espaço para o Brasil responder por outra parcela, como liderança sul-americana”, opinou.

Bom sinal

“Debater quais são os caminhos do desenvolvimento é um bom sinal, porque em décadas passadas havia só uma via, que era a do Consenso de Washington”, elogiou. O economista lembrou que a agenda neoliberal começou a ser aplicada na década de 1970 e expandiu-se até tornar-se praticamente única no mundo.

A doutrina atribuía exclusivamente a agentes de mercado a busca do desenvolvimento, sem qualquer papel para o Estado. Na terça-feira (5), o diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss, um dos órgãos que difundiram políticas alinhadas a esses princípios, admitiu que o Consenso de Washington é passado.

O presidente do Ipea distribuiu elogios ainda às medidas adotadas pelo governo federal em 2008 e 2009 para conter o impacto da crise financeira internacional. Nesse contexto, disparou críticas à cobertura da mídia. “A imprensa discute só as emergências da economia, como se fosse um país de pronto-socorro”, alfinetou.

Ele referiu-se a gargalos e problemas pontuais que prejudicam o crescimento de determinados setores. “É evidente que é relevante a discussão sobre esses pontos, porque envolvem decisões do dia a dia, mas são ierrelevantes neste momento em que miramos soluções de médio e longo prazos”, avaliou.

Educação para o futuro

Os investimentos em educação e formação foram também temas tratados por Pochmann no evento. “O conhecimento passou a ter um caráter estratégico, e não só crianças e jovens estudam. O Brasil precisa pensar que adultos precisam estudar a vida toda”, opinou. Ele acredita que é necessário investir para melhorar o sistema universitário e diminuir evasão.

“O país precisa reprogramar políticas públicas para o cenário demográfico que se coloca em 2030”, apontou. Para aquela década, espera-se um envelhecimento da população, com natalidade menor e uma estrutura de pirâmide etária semelhante à encontrada atualmente em países europeus. “Uma população mais velha e menos alunos nas escolas será uma situação inédita, e é preciso pensar como lidar com isso”, sustentou.

Por: João Peres, Rede Brasil Atua. Publicado em 08/04/2011, 11:00.Última atualização às 14:25

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Mantega diz que Brasil vive “bons problemas do crescimento”

Pressão inflacionária, valorização do real e escassez de mão de obra continuarão a ser alvo de combate de ministro, que vê essas questões como consequência do bom momento do país

São Paulo – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta sexta-feira (8) que a inflação no país preocupa a equipe econômica do governo Dilma Rousseff, mas ponderou que a alta de preços faz parte da nova posição do Brasil no cenário econômico. “Estamos enfrentando os bons problemas do crescimento. São ajustes para modelar o crescimento num patamar adequado de crescimento de longo prazo. O Brasil reúne as condições para isso.”

Durante um seminário em São Paulo, ele afirmou que a pressão inflacionária é um desses problemas, mas observou que vem sendo cumprida a meta estabelecida pelo Banco Central e que neste ano a taxa oficial ficará abaixo da registrada no ano passado (em 2010, o IPCA atingiu 5,91%). “O governo não dará guarida a uma inflação mais alta, não vamos titubear em adotar novas medidas para conter essa inflação”, advertiu, durante o debate “Rumos da Economia no Brasil”, organizado pela revista Brasileiros.

O ministro disse ainda que a maior parte da pressão sobre preços advém do mercado internacional e indicou que vêm sendo tomadas várias medidas para conter qualquer problema, como o estímulo ao aumento da oferta de alimentos e freios a uma demanda considerada excessiva. Mantega voltou a defender que a equipe econômica trabalha numa perspectiva anticíclica, ou seja, de trabalhar na corrente contrária à da economia. No momento em que era necessário crescer, deu incentivos. Agora, frente a indícios de superaquecimento, trabalha para tentar trazer a economia a um caminho considerado sustentável.

Mantega ponderou que a situação atual é absolutamente diferente da que se via no passado em períodos de pressão inflacionária. Um dos exemplos citados pelo ministro é a valorização do real ante o dólar, considerada excessiva pelos setores exportadores. O patamar atual, entre R$ 1,55 e R$ 1,60, é visto pela indústria como uma ameaça, já que a importação de produtos, em especial da China, torna-se mais lucrativa, podendo prejudicar a competitividade das empresas nacionais.

Mantega ressaltou, no entanto, que a cotação atual não é muito diferente da registrada há cinco anos, quando chegou ao ministério, e indicou que se trata de um nível condizente com a importância que o Brasil ganhou no mundo. A leitura do governo é de que a apreciação do real é fruto da grande atratividade que o país exerce no cenário externo. Em meio a uma situação de incerteza nos Estados Unidos e na União Europeia, os investidores têm apostado em massa no mercado brasileiro, trazendo para cá uma grande quantidade de dólares. Essa oferta de moeda estrangeira em demasia provoca uma valorização do real.

“O que temos evitado é que haja sobressaltos, um excesso de valorização. Alguns analistas acham que isso é desnecessário, que seria melhor deixar o câmbio se valorizar livremente. Não acho isso porque você causaria uma forte conturbação na economia brasileira”, ressaltou Mantega, que lembrou que o governo vai continuar atuando porque não acredita que o mercado possa se regular sozinho.

Em entrevista a jornalistas após sua intervenção, Mantega rechaçou a hipótese aventada de que a tentativa de contenção da valorização do real esteja sendo conduzida com “improviso”. Segundo o ministro, algumas das medidas adotadas demoram a surtir efeito.

Nesta semana, foi promovida a extensão da alíquota de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos no exterior com prazo de até dois anos. A estratégia visa a reduzir a entrada de dólares na economia. Outras elevações do tributo haviam sido promovidas.

Ele considera que será preciso continuar pensando em medidas para frear os capitais especulativos, que são aqueles que ingressam no país apenas para um lucro de curto prazo, não investindo no desenvolvimento da economia e colaborando ainda mais para a valorização excessiva do real. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o saldo da entrada de capitais externos no país foi de US$ 36 bilhões, mais do que o total registrado durante todo o ano passado. Mantega não tem dúvidas de que boa parte se trata de capital especulativo e considera que esse é um dos reflexos negativos do crescimento brasileiro.

“O que está ocorrendo é uma grande mudança da economia mundial. Os países avançados estão perdendo dinamismo e os países emergentes vêm tomando a dianteira do crescimento mundial”, indicou o ministro, que considera que o Brasil está em uma situação privilegiada mesmo entre as nações em crescimento, como China, Índia e Rússia.

Mantega citou a redução da dívida pública, o controle fiscal e o forte investimento público como garantias de que o crescimento brasileiro é sustentável a longo prazo. Ele lembrou que a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) já tem projetos que totalizam mais de R$ 1,5 trilhão.

O ministro concorda que um outro “bom problema” do crescimento econômico é a escassez de mão de obra. Ele antecipou que o governo vai anunciar em breve um plano de formação de trabalhadores para enfrentar aquele que é um dos problemas centrais indicados pelos empresários. “No passado, nosso problema era o alto desemprego. Não tínhamos emprego para o trabalhador brasileiro”, comparou.

Por: Redação da Rede Brasil Atual. Publicado em 08/04/2011, 14:30. Última atualização às 16:53

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