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Brasil será menos afetado entre grandes economias, diz OCDE

O Brasil é a única grande economia analisada no Indicador Composto Avançado (CLI, na sigla em inglês), divulgado nesta sexta-feira pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que, segundo uma previsão da organização, não terá uma forte desaceleração de sua atividade econômica nos próximos seis meses.

Para o Brasil, a OCDE prevê uma “leve desaceleração”. Já em relação à China, Índia e Rússia, as perspectivas de crescimento econômico para os próximos seis meses “se deterioraram consideravelmente” e esses países agora “devem enfrentar uma forte desaceleração”, segundo a organização.

Ou seja, a economia desses países continuará crescendo, mas terá uma frenagem acentuada, de acordo com as conclusões do Indicador Composto Avançado, elaborado para detectar viradas no ciclo econômico.

Para o economista brasileiro Marcos Poplawski Ribeiro, professor de finanças internacionais do Instituto de Estudos Políticos de Paris e pesquisador do Centro de Estudos, Perspectivas e Informações Internacionais (Cepii, na sigla em francês), o cenário econômico mais otimista em relação ao Brasil pode ser explicado pelo fato de que a demanda interna continua forte no país.

“A diminuição do crédito no Brasil já acontece, mas ela ainda não é tão forte como nos outros países. Por enquanto, os consumidores brasileiros continuam comprando, o que estimula a atividade econômica”, disse Ribeiro à BBC Brasil.

A questão, segundo ele, é saber quanto tempo o consumo interno poderá continuar aquecido. “Os dados atuais de fuga de capital externo do Brasil devem levar a uma diminuição mais acentuada do crédito, o que causará a redução da demanda”.

Segundo ele, a diminuição do crédito, a redução das exportações brasileiras e a queda nos preços das commodities podem começar a ter impacto mais acentuado no crescimento econômico do Brasil somente a partir da metade do próximo ano.

Cálculos

Para os cálculos do Indicador Composto Avançados, a OCDE se baseia em diferentes indicadores de movimentos econômicos de curto prazo ligados ao PIB. O nível de 100 pontos é utilizado como referência para classificar o nível de atividade econômica.

Os países que sofrerem queda e ficarem com CLI abaixo de 100 recebem a classificação de “desaceleração”.

Dos 35 países analisados no Indicador Composto Avançado (29 países membros e seis não membros da OCDE), o Brasil é o único que escapa da previsão de forte desaceleração econômica.

O indicador em relação ao Brasil diminuiu 0,3 ponto em outubro de 2008 e é 0,4 ponto menor do que o registrado há um ano, segundo os dados anunciados nesta sexta-feira pela OCDE, com sede em Paris.

Mas o índice do Brasil é de 103,6 – que rendeu ao país a classificação de “leve desaceleração” pela OCDE – enquanto os das demais economias analisadas estão abaixo de 100.

No caso da China, o indicador diminuiu 1,7 ponto em outubro deste ano e está 7 pontos abaixo do nível verificado há um ano.

O Indicador Composto Avançado da Índia caiu 1,1 ponto em outubro e está 6,6 pontos abaixo do observado no período de um ano.

A maior queda ocorre em relação à Rússia. Segundo a OCDE, o índice caiu 4 pontos em outubro passado e 10,5 pontos em relação ao ano passado.

Brasil, China, Índia e Rússia não são membros da organização, que reúne 30 países. A OCDE também prevê uma forte desaceleração econômica nos países ricos nos próximos seis meses.

Os Estados Unidos tiveram uma queda de 1,2 ponto em outubro e de 6,6 pontos no nível registrado há um ano.

O indicador da zona euro revela diminuição de 0,9 ponto em outubro e de 6,3 pontos no último ano.

Em outubro, o Indicador Composto Avançado em relação ao Japão teve queda de 0,9 ponto e está 3,3 pontos abaixo do nível registrado há um ano, segundo a OCDE.

Por Daniela Fernandes – De Paris para a BBC Brasil.

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Brasil será refúgio de empresas espanholas em 2009, diz estudo

Um estudo econômico elaborado para a Bolsa de Valores de Madri, divulgado nesta sexta-feira, sugere que algumas das principais empresas espanholas planejam se refugiar da crise no Brasil e diz que os mercados brasileiro e mexicano serão prioridade para os investimentos em 2009.

O levantamento das agências Gavin Anderson e IE Business School indica que 75% das empresas do índice Ibex 35 (que reúne as maiores companhias com ações na bolsa de Madri) pretendem aumentar os investimentos na América Latina diante da recessão na Europa e nos Estados Unidos.

O estudo considera Brasil e México mercados mais protegidos dos efeitos da crise global do que outros países.

Outro fator atraente, segundo o relatório, é o aumento da demanda interna. De acordo com o estudo, 70% dos dirigentes das principais companhias espanholas avaliam que a maior vantagem da América Latina sobre outros mercados emergentes está no potencial de seus mercados internos.

“Houve um importante crescimento da renda per capita da classe média no Brasil, e também no México e no Chile”, disse à BBC Brasil o economista Juan Carlos Martínez Lázaro, coordenador do relatório e professor da IE Business School.

“Atualmente, são mercados que oferecem segurança jurídica e estabilidade graças às reformas legais, o que incita a um maior fluxo de compras”, acrescentou.

Resultados ruins

Apesar do otimismo, os analistas espanhóis afirmam que os mercados latino-americanos também serão atingidos pela crise.

Em uma pesquisa com investidores, a resposta foi que 95% esperam resultados ruins na região em 2009, embora menos do que em outros países.

Os empresários consultados também se queixam da falta de qualificação da mão-de-obra e das ameaças de instabilidade política.

Mas ressaltam que Brasil, México e Chile estão em melhores condições do que os vizinhos – principalmente no sistema financeiro.

“Os bancos da América Latina aprenderam, através de experiências dolorosas, a estar sobrecapitalizados e ser conservadores”, avalia o analista Urban Larson, outro dos autores do relatório. “Por isso, conseguiram chegar a este momento turbulento com balanços sólidos.”

“O Brasil tem reservas muito elevadas, e os bancos continuam dando créditos”, acrescenta. “Uma situação muito diferente do que acontece no resto do mundo.”

Setor bancário

Os economistas espanhóis colocam como exemplo de equilíbrio do setor bancário brasileiro a recém-anunciada fusão dos grupos Itaú e Unibanco.

“Esta união criará uma entidade financeira muito forte”, diz Larson. “Ao contrário do que vem acontecendo em outros mercados, onde as fusões ocorrem por necessidade ou desespero, esta operação do Brasil surge de uma posição de força, de solidez do sistema financeiro do país.”

O relatório, que se baseia nos planejamentos de 20 das 27 empresas do índice Ibex 35 com investimentos na América Latina, também aponta quais mercados devem sair das listas dos investidores.

Argentina, Venezuela e Bolívia concentram mais críticas e terão menos investimentos por serem considerados de “alta insegurança jurídica”.

Quanto a cidades, as preferidas dos empresários para estabelecer grandes filiais são – de acordo com o estudo – São Paulo e a capital chilena, Santiago.

Por Anelise Infante – De Madri para a BBC Brasil.

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