Brasília – O presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, desembargador Luiz Alberto Gurgel de Faria, derrubou hoje (11) a liminar que suspendia o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
O magistrado atendeu a um pedido feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Na decisão, ele ressaltou que a suspensão de um certame envolvendo mais de 3 milhões de estudantes traria transtornos aos organizadores e aos candidatos de todo o Brasil.
Faria lembrou que a alteração do cronograma do Enem – em razão da suspensão – iria repercutir na realização dos vestibulares promovidos por instituições de ensino superior, uma vez que muitas utilizam as notas do exame para classificar candidatos.
Por fim, o desembargador destacou a possibilidade de elevado prejuízo – no valor de R$ 180 milhões – aos cofres públicos, decorrente da contratação da logística necessária para a realização de novas provas.
O Enem havia sido suspenso na última segunda-feira (8), em todo o país, depois de uma decisão da Justiça Federal do Ceará. A juíza Karla de Almeida Miranda Maia avaliou que a realização de uma nova prova apenas para candidatos que se consideram prejudicados poderia beneficiar o grupo de estudantes.
Também haviam sido suspensas a divulgação do gabarito e a criação de um site, por parte do Ministério da Educação, para receber reclamações de candidatos.
O Enem foi aplicado no último fim de semana a cerca de 3,5 milhões de estudantes. No sábado (6), um lote de 21 mil cadernos de prova amarelos apresentaram erro de montagem e não continham todas as 90 questões aplicadas.
Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lílian Beraldo.
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Gabarito do Enem e página para reclamações serão divulgados hoje, diz MEC
Brasília – O gabarito do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a página para reclamações de alunos que se sentiram prejudicados pelas falhas nas provas serão divulgados até as 18h de hoje (12), de acordo com a assessoria do Ministério da Educação (MEC).
As provas e a divulgação do gabarito e do site haviam sido suspensas por determinação da Justiça Federal do Ceará. A liminar, entretanto, foi derrubada hoje (12) pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, desembargador Luiz Alberto Gurgel de Faria.
O magistrado atendeu a um pedido feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Na decisão, ele ressaltou que a suspensão de um certame envolvendo mais de 3 milhões de estudantes traria transtornos aos organizadores e aos candidatos de todo o Brasil.
Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lílian Beraldo.
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ONU: metodologia aplicada no Enem garante isonomia mesmo que prova seja reaplicada
Brasília – O Escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil informou, por meio de nota, que a metodologia aplicada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – a Teoria de Resposta ao Item (TRI) – garante a isonomia das provas, ainda que elas tenham de ser aplicadas em períodos diferentes.
De acordo com o órgão, a metodologia apresenta amplo respaldo na literatura científica internacional e tem sido utilizada em um conjunto importante de avaliações conduzidas por organismos internacionais.
Uma das vantagens da TRI, segundo a ONU, é a possibilidade de elaboração de provas diferentes para um mesmo exame, que podem ser aplicadas em qualquer período do ano, para grupos distintos, mas com o mesmo grau de dificuldade.
“Vale ressaltar ainda que a metodologia da TRI prioriza o uso de habilidades reflexivas e analíticas em detrimento da memorização de conteúdos, o que representa um avanço importante em relação a outros modelos de avaliação”, diz a nota.
Após problemas registrados durante a aplicação do Enem no último fim de semana, a Justiça Federal do Ceará suspendeu o exame e defende que as provas sejam reaplicadas para todos os candidatos. Já o Ministério da Educação quer que apenas os candidatos que foram prejudicados tenham o direito de fazer uma nova avaliação.
Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil. Edição: Juliana Andrade.
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Levantamento preliminar indica que apenas 200 estudantes teriam que refazer Enem
Brasília – Até o momento, o Ministério da Educação (MEC) calcula que cerca de 200 estudantes deverão refazer as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por causa dos erros de impressão nos cadernos de prova amarelos. Os dados foram apresentados pelo ministro Fernando Haddad ao presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Yann Evanovick, em audiência na tarde de hoje (11).
As entidades defendem, entretanto, que todos os alunos que tenham se sentido prejudicados pelos erros na aplicação do Enem tenham a chance de fazer as provas novamente em caráter opcional. Segundo Chagas, essa possibilidade foi descartada pelo ministro, porque poderia atrasar o calendário das 83 instituições de ensino superior que usam a nota da prova como critério de seleção.
No sábado (6), primeiro dia de aplicação do Enem, 21 mil cadernos de prova amarelos apresentaram erro de montagem e não continham todas as 90 questões. O MEC acredita que a maioria dos candidatos conseguiu trocar o material e fez a avaliação sem dificuldades.
Outro problema ocorreu na folha em que os estudantes marcam as respostas das questões, que estava com o cabeçalho das duas provas trocado. O exame teve 90 questões, sendo a primeira metade de ciências humanas e o restante, de ciências da natureza. Mas, na folha de marcação, as questões de 1 a 45 eram identificadas como de ciências da natureza e as de 46 a 90, como de ciências humanas.
Em função desses erros, a Justiça Federal no Ceará determinou a suspensão do Enem. A UNE não quer que o exame seja anulado, já que mais de 3 milhões teriam feito a prova com tranquilidade. As entidades criaram uma central para receber as reclamações dos estudantes, que já recebeu mais de 1,1 mil contatos. UNE e Ubes querem discutir junto com o MEC quais serão os critérios usados para definir quem terá direito a refazer o exame.
“Não é o suficiente [reaplicar o Enem] apenas para os que receberam a prova amarela errada. Na nossa opinião, o problema do gabarito gerou outros problemas e é por isso que nós queremos negociar com o MEC quais serão os critérios usados para oferecer essa nova prova aos estudantes.” Segundo ele, até que isso seja determinado, a UNE continuará defendendo um Enem opcional para todos os que foram prejudicados.
Por Amanda Cieglinski – Repórter da Agência Brasil. Edição: Nádia Franco.
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UNE quer prova opcional do Exame Nacional do Ensino Médio para todos que se sentirem prejudicados
Brasília – A União Nacional dos Estudantes (UNE) quer que o Ministério da Educação (MEC) aplique uma segunda edição opcional do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010, sem anular as provas aplicadas no último fim de semana. Essa é a solução que a entidade defende para que não haja prejuízo aos estudantes em função dos erros que ocorreram durante a avaliação.
O MEC quer reaplicar o Enem apenas para o grupo específico de estudantes afetados pela falta de parte do exame no caderno de provas. No entanto, a Justiça Federal no Ceará suspendeu o Enem e quer que todo o exame seja refeito porque um lote de 21 mil cadernos de prova amarelos apresentou defeito de montagem e não continha todas as 90 questões aplicadas no sábado (6).
A UNE criou uma central para receber reclamações de participantes e já contabiliza cerca de 850 contatos, via e-mail e ligações telefônicas. Além do erro nos cadernos amarelos, outro problema ocorreu na folha em que os estudantes marcam as respostas das questões, que estava com o cabeçalho das duas áreas trocado – ciências humanas e ciências da natureza. Apesar das questões de 1 a 90 seguirem uma ordem numérica, o erro pode ter induzido candidatos a marcar o gabarito de forma incorreta.
Além de queixas sobre esses dois principais problemas, a UNE também recebeu reclamações de participantes que se disseram afetados pela falta de preparo dos fiscais de prova em orientá-los, uso de materiais proibidos pelo edital – como celular e relógio – e tumultos causados durante a aplicação em função dos erros da prova. Por isso, a entidade é contra a anulação do exame para que a maioria possa ter acesso a sua nota, mas é favorável a uma segunda prova para todos os estudantes que se sentiram lesados.
“O exame não deve ser anulado já que mais de 3 milhões fizeram a prova sem problemas, em condições adequadas e têm direito a uma nota. Defendemos que todos os que foram prejudicados tenham direito a refazer o exame e estamos convencidos que não há como definir esses critérios [de quem foi ou não prejudicado]. A saída mais equilibrada é fazer um segundo Enem opcional e quem quiser participar abre mão da sua nota inicial”, defende o presidente da entidade, Augusto Chagas.
De acordo com Chagas, a UNE pediu uma audiência com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para apresentar a proposta. Os candidatos podem entrar em contato com a entidade pelo endereço eletrônico enem2010@une.org.br ou pelo telefone (0xx11) 2771-0792, de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h.
Por Amanda Cieglinski – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.
NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.
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Enem: Mídia faz tempestade em copo d´água, diz Frei David
Para fundador da Educafro, rede de cursinhos pré-vestibulares comunitários, não faz sentido tamanha polêmica com falhas em 2% das provas
São Paulo – O destaque dado pela imprensa às falhas no ENEM 2010 é tempestade em copo d´água. Esta é a avaliação de Frei David Raimundo Santos, presidente da Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes).
“Preocupa o fato de que setores da nação façam tamanho barulho por falhas em 21 mil provas num universo de 3 milhões e 300 mil”, diz o franciscano. No começo dos anos 90, ele fundou o primeiro núcleo de estudos em São João do Meriti, na Baixada Fluminense. Hoje a entidade que preside coordena cursinhos pré-vestibulares comunitários no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais e luta pela inserção de estudantes pobres na universidade, preferencialmente pública.
Para Frei David, é um atentado ao Brasil, aos cofres públicos e aos estudantes a anulação do exame realizado no último fim de semana. “A juíza cearense está mal informada. As falhas em 2% das provas não justificam o cancelamento. A Justiça deve avaliar o caso com mais cuidado para não prejudicar os estudantes”, diz.
O franciscano diz ainda estranhar a falta de cuidado na revisão das provas. Por isso, ele defende que o Ministério da Educação centralize ao máximo a operacionalização do exame. ” As provas devem ser aplicadas nos estados pelas universidades federais, e não por empresa contratada”.
Por: Cida de Oliveira, Rede Brasil Atual. Publicado em 10/11/2010, 08:50.
Última atualização às 16:30
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Consultor aponta interesses econômicos em ação para barrar avanço do Enem
Embora aponte desvirtuamento da fórmula original, o sociólogo Rudá Ricci acredita que exame de caráter nacional precisa ser preservado por ser instrumento de política educacional
São Paulo – O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sofre uma ofensiva de interesses, segundo o sociólogo e consultor na área de educação Rudá Ricci. Ele enumera grupos e setores do que chama de “indústria do vestibular”, de cursos preparatórios a docentes encarregados de formular as provas. Para ele, há uma disputa de política educacional em curso, e é necessário preservar uma avaliação de caráter nacional.
“Uma prova nacional permite que o país trace objetivos de política educacional”, esclarece. Um vestibular nacional do ponto de vista da aplicação e do conteúdo promove um impacto no ensino médio, de modo a reverter problemas dessa faixa da educação.
Para ele, os vestibulares descentralizados, feitos por cada universidade, provocam danos à educação, já que o ensino médio e mesmo o fundamental direcionam-se às provas, e não à formação em sentido mais amplo. “O ensino médio é o maior problema da educação no Brasil, é o primeiro da lista, com mais evasão, em uma profunda falência”, sustenta.
“O Enem faz questões interdiciplinares, é absolutamente técnico, é super sofisticado”, elogia. Os méritos estariam em privilegiar o raciocínio à memorização de conteúdos. Isso permitiria que o ensino aplicado nas escolas fosse além do preparo para enfrentar provas de uma ou outra universidade.
O Enem traz uma “profunda revolução”, na visão de Rudá, “ao combater profundamente a concepção pedagógica e política de vestibulares por universidade”. Ao se aproximar dessa concepção nacional – fato que aconteceu apenas nos últimos anos –, interesses de grupos educacionais foram colocados em xeque, o que desperta ações contrárias.
Entre os setores interessados economicamente, segundo ele, estão as próprias universidades, que arrecadam em matrículas, os professores que produzem questões fechadas e abertas, e os cursos preparatórios para o vetibular.
Controle social
Ricci critica a postura do ex-ministro da Educação, Paulo Renato, e da ex-secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro. O sociólogo taxa os comentários feitos pelos especialistas ligados ao PSDB como “oportunismo”. Isso porque, segundo ele, o uso da prova como seleção e seu caráter nacional, hoje criticados pelos tucanos, foram objetivos perseguidos durante a gestão de Renato na pasta, de 1995 a 2002.
O que ele considera como mudança de postura é resultado da disputa política, que faz com que os estudantes passem a rejeitar o exame. “Os jovens não querem mais essa bagunça. E têm razão”, pontua.
“Existe uma movimentação para politizar esse tema; vamos ter o avanço de uma oposição organizada, que junta as forças políticas que perderam a eleição nacional com escolas particulares, cursinhos que têm muito interesse na manutenção do sistema de vestibular”, avalia.
O sociólogo defende o modelo de exame nacional, mas acredita que a fórmula possa ser aprimorada, seja com mais dias de provas, seja com provas aplicadas a cada ano do ensino médio. Ele aponta ainda que houve um desvirtuamento da proposta interdisciplinar e sofisticada, empregada originalmente, em função da necessidade de expandir a prova. Em 2010, foram 4,6 milhões de inscritos.
Ele acredita que a postura de críticas deve-se às diferenças partidárias. “Estão politizando o Enem, politizando o ingresso na universidade e o conteúdo da prova”, lamenta. “Seria interessante ter um órgão que execute o exame sob controle social, não de governo, nem de empresas”, sugere.
“A solução é nós discurtirmos nacionalmente esse gerenciamento em um modelo como o americano para o vestibular nacional”, defende. O SAT, usado como método de seleção nos Estados Unidos, é aplicado por agentes privados de modo controlado pelo departamento de educação federal. Além de poder ser aplicado em dias diferentes, cartas de recomendação de professores e outros instrumentos também são considerados na seleção por parte de universidades.
Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual. Publicado em 11/11/2010, 15:55. Última atualização às 20:56
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