A valorização da moeda brasileira, o menor ritmo da queda dos juros e os ganhos de produtividade das empresas são as três principais causas de uma intensidade menor na criação de empregos formais em 2006. A análise foi feita pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ao divulgar que, em maio, o saldo entre contratações e demissões foi de 198.837 postos. Esse número é 6,4% menor que o registrado em maio de 2005. Entre janeiro e maio, o saldo acumulado é de 768.343 empregos com carteira assinada, 0,31% menos que em igual período do ano passado.
O destaque negativo de maio ficou com o comércio. O setor criou apenas 21.080 empregos formais, saldo 37,78% menor que o de maio de 2005. O desempenho do comércio em maio, segundo o ministro, revela, além dos ganhos de produtividade, uma redução no consumo provocado pelo maior endividamento das famílias.
Se o comércio não foi tão bem, a indústria criou, em maio, mais empregos formais que em maio de 2005. A variação positiva no saldo desse setor foi de 6,15%. “Não dá para falar em desaceleração do emprego industrial. Esse setor vem reagindo e contribuindo mais que em 2005 para a criação de postos de trabalho com carteira assinada”, ressaltou Marinho.
Nos saldos do emprego industrial em maio, os destaques positivos ficaram para alimentos (38.147), têxtil/vestuário (2.736), metalúrgico (1.952) e mecânico (1.583). Mantendo a tendência negativa, perderam empregos os segmentos exportadores, como madeira e móveis (menos 1.031) e calçados (menos 278).
Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, o setor de serviços também criou, em maio, menos empregos que em maio de 2005. Nesse caso, a variação negativa foi de 9,26% se comparados os saldos entre contratações e demissões.
Prejudicadas pelo câmbio, as exportações da agricultura também influenciaram de maneira negativa a criação de empregos em maio. O saldo, no setor, foi de 55.077 postos, 6,24% menor que o de maio de 2005. “O câmbio agravou a situação da agricultura e está influenciando no saldo do emprego em 2006”, alertou Marinho.
De acordo com o Caged, os 198.837 empregos criados em maio são 13,5% menores que os 229.803 criados em abril. Mas, na análise do ministro, esse movimento é normal. Geralmente, maio tem saldo menor que o de abril, com exceção de 1999 e 2004.
Apesar dos números de maio, Marinho mantém a expectativa de criação de 1,3 milhão a 1,4 milhão de empregos com carteira assinada em 2006. Em 2004, o país teve criação de 1.523.276 empregos formais. Em 2005, o saldo positivo do Caged foi de 1.253.981 postos de trabalho com carteira assinada.
O ministro considera natural que as empresas busquem mais produtividade em uma economia mais robusta. Ele acredita que, neste ano, o PIB será maior que o do ano passado, mas o saldo de empregos formais será menor que o de 2004. “O ganho de produtividade não é ruim. Fortalece a economia no mercado internacional.”
Marinho voltou a criticar a postura do BC na administração da política monetária. Segundo ele, não havia razão para reduzir o ritmo da queda dos juros. “Se não diminuíssem, o cenário do emprego estaria melhor. Mas decisão é decisão e ela está tomada.”
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 22 de junho de 2006• 11:39• Sem categoria
Cai ritmo de geração de empregos formais
A valorização da moeda brasileira, o menor ritmo da queda dos juros e os ganhos de produtividade das empresas são as três principais causas de uma intensidade menor na criação de empregos formais em 2006. A análise foi feita pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ao divulgar que, em maio, o saldo entre contratações e demissões foi de 198.837 postos. Esse número é 6,4% menor que o registrado em maio de 2005. Entre janeiro e maio, o saldo acumulado é de 768.343 empregos com carteira assinada, 0,31% menos que em igual período do ano passado.
O destaque negativo de maio ficou com o comércio. O setor criou apenas 21.080 empregos formais, saldo 37,78% menor que o de maio de 2005. O desempenho do comércio em maio, segundo o ministro, revela, além dos ganhos de produtividade, uma redução no consumo provocado pelo maior endividamento das famílias.
Se o comércio não foi tão bem, a indústria criou, em maio, mais empregos formais que em maio de 2005. A variação positiva no saldo desse setor foi de 6,15%. “Não dá para falar em desaceleração do emprego industrial. Esse setor vem reagindo e contribuindo mais que em 2005 para a criação de postos de trabalho com carteira assinada”, ressaltou Marinho.
Nos saldos do emprego industrial em maio, os destaques positivos ficaram para alimentos (38.147), têxtil/vestuário (2.736), metalúrgico (1.952) e mecânico (1.583). Mantendo a tendência negativa, perderam empregos os segmentos exportadores, como madeira e móveis (menos 1.031) e calçados (menos 278).
Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, o setor de serviços também criou, em maio, menos empregos que em maio de 2005. Nesse caso, a variação negativa foi de 9,26% se comparados os saldos entre contratações e demissões.
Prejudicadas pelo câmbio, as exportações da agricultura também influenciaram de maneira negativa a criação de empregos em maio. O saldo, no setor, foi de 55.077 postos, 6,24% menor que o de maio de 2005. “O câmbio agravou a situação da agricultura e está influenciando no saldo do emprego em 2006”, alertou Marinho.
De acordo com o Caged, os 198.837 empregos criados em maio são 13,5% menores que os 229.803 criados em abril. Mas, na análise do ministro, esse movimento é normal. Geralmente, maio tem saldo menor que o de abril, com exceção de 1999 e 2004.
Apesar dos números de maio, Marinho mantém a expectativa de criação de 1,3 milhão a 1,4 milhão de empregos com carteira assinada em 2006. Em 2004, o país teve criação de 1.523.276 empregos formais. Em 2005, o saldo positivo do Caged foi de 1.253.981 postos de trabalho com carteira assinada.
O ministro considera natural que as empresas busquem mais produtividade em uma economia mais robusta. Ele acredita que, neste ano, o PIB será maior que o do ano passado, mas o saldo de empregos formais será menor que o de 2004. “O ganho de produtividade não é ruim. Fortalece a economia no mercado internacional.”
Marinho voltou a criticar a postura do BC na administração da política monetária. Segundo ele, não havia razão para reduzir o ritmo da queda dos juros. “Se não diminuíssem, o cenário do emprego estaria melhor. Mas decisão é decisão e ela está tomada.”
Fonte: Valor Econômico
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