Durante a abertura política da 17ª Plenária Estadual da CUT Paraná, ocorrida na sexta, 01 de agosto, foi lançada a campanha “Dá uma pausa, mude a causa”, promovida pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região. A entidade tem rodado agências em toda a capital paranaense e região metropolitana, reforçando a importância dos cuidados com a saúde mental de uma categoria tão exigida e adoecida pelos métodos de gestão dos banqueiros.
Aproveitamos esse momento de plenária, de debate, de encontro da militância, de dirigentes sindicais preocupados com a vida dos trabalhadores, para lançar uma campanha com uma temática que tem nos preocupado muito na jornada do dia a dia, no atendimento aos trabalhadores em geral. O nosso sindicato tem uma área de saúde que recebe muitos bancários e financiários e até não bancários também, eventualmente. Observamos que, com o passar do tempo, estamos atendendo muitos bancários adoecidos. Então, nós pensamos em fazer uma campanha para conscientizar os trabalhadores e queríamos convidar todos vocês que estão aqui hoje para acessar o Instagram da campanha ‘Dá uma pausa, mude a causa’”, explicou a presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região, Cristiane Zacarias.
“O objetivo é convidar os trabalhadores a uma reflexão: que nós estamos sendo enganados. Quando a tecnologia foi apresentada como uma solução, nos disseram que teríamos mais tempo para o lazer, para a família, para o estudo — e nos cortaram esse direito. Não nos retiraram somente o salário, mas nos retiraram o direito a ter uma vida e aproveitar essa vida para o descanso. E restou para nós somente o adoecimento”, enfatizou. De acordo com ela, a saúde mental é uma das prioridades das entidades que defendem a vida e os direitos das bancárias e bancários. Se antes o foco eram lesões físicas, como LER e DORT, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990, agora o contexto é diferente.
“Nós temos diversos casos de pessoas que não suportam a ganância e a pressão e, quando isso acontece, elas adoecem e morrem. Nós temos diversos casos de pessoas que atentam contra suas próprias vidas. Em Curitiba, na última semana, nós tivemos dois casos em um único banco. E, em um outro único banco, no último ano, nós tivemos três tentativas. E uma pessoa, em um quarto caso, do mesmo banco, conseguiu alcançar esse triste objetivo. Então, é muito importante que todos nós — e a gente também tem diversos dirigentes sindicais que estão na base, sofrendo essa pressão — que somem conosco para fazer esse enfrentamento e compreender que estamos enfrentando a ganância do capital, que quer sim os nossos corpos. No dia que morrermos, colocarão um corpo mais jovem, até que morra também. ‘Dá uma pausa, mude a causa’ enfrenta essa ganância”, apontou a presidenta do sindicato.
As estatísticas comprovam esse cenário. Dados do INSS, compilados pelo Dieese, mostram que, em 2024, o Brasil registrou 168,7 mil afastamentos por acidentes de trabalho (benefício B91). Destes, 2,81% ocorreram entre trabalhadores do setor bancário. No mesmo período, foram contabilizados mais de 2 milhões de afastamentos por incapacidade temporária comum (benefício B31), com os bancários respondendo por 1,12% do total. Os números ganham ainda mais importância quando se considera que a categoria representa apenas 0,8% dos empregos formais do país.
Abertura da 17ª Plenária da CUT Paraná reforça defesa da soberania do Brasil
Avanços no projeto democrático e popular e do trabalho decente também fizeram parte dos temas centrais das análises de lideranças presentes na cerimônia.
A defesa intransigente da soberania do Brasil. Este foi um dos principais destaques da abertura da 17ª Plenária Estadual da CUT Paraná – David Pereira de Vasconcelos na noite de sexta-feira (1). O evento acontece no auditório Assis Paulo Sepp, do Sinefi, em Foz do Iguaçu, e reúne lideranças sindicais e políticas de todo o Paraná para debater estratégias de luta para os próximos anos.
Durante a cerimônia, um ato público reforçou a defesa da soberania do Brasil. Cartazes foram erguidos e as análises dos participantes reiteraram que não há acordo quando se trata desta salvaguarda. Cartazes com palavras de ordem como “O Brasil é dos Brasileiros”, “Brasil Soberano”, “O Dono do Brasil é o povo brasileiro” e “O Brasil não se dobra” ficaram em destaque durante o ato realizado pelas lideranças presentes. Além disso, o cenário estadual, nacional e até internacional foi alvo de análise das lideranças na mesa de abertura do evento.
O secretário-geral da CUT Brasil, Renato Zulato, destacou o papel do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na defesa da soberania brasileira e analisou os movimentos do presidente dos Estados Unidos da América. “Estamos vendo a situação do Trump no mundo, mas o alvo é o Brasil. Qual é o jogo dele? Está pensando em 2026. Ele quer criar um Milei aqui no Brasil e não vai criar. Ele enfrentará um dos melhores jogadores da política mundial, que é o Presidente Lula. Não tem papo para vir ditar normas para o Brasil. O presidente Lula, junto com o ministro da Indústria e Comércio e vice-presidente Alckmin, fez reunião com os empresários, com o agronegócio, com as centrais brasileiras, cobrando responsabilidades. Quem apoiou Bolsonaro agora busca apoio do presidente Lula para salvar sua pele”, comentou.
“A ideologia do capitalismo é o lucro, é a exploração em cima da classe trabalhadora. Aqui no Brasil não vai vingar. Vamos defender a soberania nacional. Então, companheiros e companheiras, esta plenária acontece em um momento muito importante. Nós precisamos ir para a esquerda e combater a extrema-direita. Temos um papel muito importante. Onde está o Ratinho Jr? O Caiado? O Tarcísio de Freitas? Estão escondidos”, criticou.
O presidente da CUT Paraná, Marcio Kieller, destacou tarefas e obstáculos que a classe trabalhadora terá pela frente nos próximos anos. Período no qual as estratégias debatidas na plenária serão fundamentais para o enfrentamento à extrema-direita, inclusive, mundial. “Os desafios são enormes. O principal deles é reeleger o presidente Lula, porque a gente conviveu durante quatro anos do governo do Crápula, um cara que estava fazendo política a serviço das elites, estava fazendo política a serviço de três ou quatro grandes banqueiros internacionais e nacionais. Ele também estava fazendo política para poucos grandes empresários e não dialogava com o movimento sindical”, lembrou.
“Resistimos bravamente porque nós somos companheiros de luta e não nos entregamos. Não apenas nacionalmente, como em nosso Estado também. Observamos a pressão que vem em cima da APP-Sindicato para retirar o cadastro único e reiterar a opção que os próprios filiados fizeram. São coisas que não funcionam, mas que atrasam a luta. Então, temos muitos desafios pela frente para manter um projeto popular, democrático e soberano para o nosso País”, completou Kieller.
A diretora executiva da CUT Brasil, Janeslei Albuquerque, também enfatizou a defesa do Brasil contra ataques externos e que o trabalho e a classe trabalhadora, efetivamente, é quem move o mundo. “Quem defende a soberania desse país? Quem é que não tem dúvida de que a soberania nacional tem que ser defendida? A classe trabalhadora. Quem tem consciência de classe e quem tem consciência de pátria? De onde nasceu? De onde os seus pés pisam? A segunda coisa que eu queria lembrar é que, geralmente, se diz que o mundo é movido pelo dinheiro. Não é. O que move o mundo é o trabalho. O que move o mundo é a classe trabalhadora. Portanto, a classe trabalhadora é a classe mais importante. Em qualquer sociedade. É por isso que tantos trabalham para que os trabalhadores não tenham consciência de classe”, evidenciou, citando como exemplo a grande mídia, a escola e agora, recentemente, as “big techs”, além de apontar que a CUT foi eleita como inimiga preferencial de setores conservadores da sociedade.
A vice-presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marlei Fernandes, analisou a importância das plenárias da central e também o papel das delegadas e delegados neste momento, inclusive de aproximar quem já não acredita mais que é possível ter direitos sociais garantidos. “A plenária é um momento de congraçamento, de olhar este período histórico e ver como é bom a gente estar aqui novamente ou estar aqui pela primeira vez. Também é o momento da gente fazer a reflexão, da gente se encontrar, da gente fortalecer a nossa luta enquanto sindicatos organizados que somos, e pensar a luta da classe trabalhadora no nosso País e em nosso Estado. A direita continua violenta, como sempre foi. Segue nos atacando cada vez mais. Nós vivemos um ciclo duro, de resistência, de muita luta. De luta para que toda a classe, inclusive aqueles que não acreditam mais na carteira assinada, que não acreditam mais que um dia vão se aposentar, que não acreditam mais que podem ter direitos para a sua vida, estejam conosco. Esses são os desafios de classe, de central sindical, de sindicatos que nós temos para esta plenária”, elencou.
O secretário de comunicação da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Elias Jordão, afirmou: “Estamos enfrentando há bastante tempo o crescimento da extrema-direita e do fascismo, assim como um Congresso desconexo e incompreensível. Quando você vê parlamentares levantarem uma bandeira do Trump contra o Brasil, você não entende. Este nosso desafio é muito grande. E também temos que lutar contra o adoecimento mental e da exploração, como trazido pela companheira Cristiane, do Sindicato dos Bancários. Na plenária dos 40 anos da CUT Paraná, observamos que este também é o problema de muitas categorias, ramos e confederações. Esta é uma luta de todos nós. Por isso, a importância de uma plenária com o campo e a cidade, com o público e o privado, e com toda essa diversidade”, destacou.
O presidente da Federação dos Empregados em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-CUT-PR), Deonísio Schmidt, criticou duramente a omissão do governador do Estado, Ratinho Jr, com relação ao tarifaço de Trump. “Essa plenária precisa condenar a forma como ele tem tratado deste debate, ou seja, não tem tratado. Não emitiu uma palavra sequer. Abandonou a economia, o povo do Paraná, neste momento, o que nos faz pensar que ele está flertando com o trumpismo. Não tenho dúvidas que o setor econômico e o empresariado estão sofrendo, mas essa carga vai cair em maior grau sobre as costas dos trabalhadores brasileiros que vão pagar essa conta”, criticou.
A secretária-geral da CUT Paraná e coordenadora da plenária, Vera Nogueira, destacou o papel da Central na luta pela defesa da democracia e que ainda há muito a ser feito. “Tivemos avanços nos últimos tempos, mas também retrocessos. A vida de nós mulheres tem custado muito. Tem mostrado que os desafios ficaram maiores ainda para as nossas lutas. Junto com os nossos companheiros, trabalhadores e trabalhadoras, ainda precisamos avançar de uma forma mais organizada e fortalecida. Vamos somar e revigorar ainda mais nossas forças para garantir a nossa democracia. Temos um caminho longo para ter a igualdade, paridade e o direito de viver”, apontou.
O coordenador da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Paraná (Fetraf-PR), Elizandro Krajczyk, destacou a retomada de políticas públicas que garantem inclusão social e distribuição de renda. “Na semana passada, o Brasil saiu do mapa da fome e tem dois aspectos fundamentais para isso: a retomada das políticas públicas para a agricultura familiar, que traz a condição de produzir mais alimentos saudáveis, além da retomada das políticas públicas dos trabalhadores urbanos. A diminuição do desemprego, a valorização do salário, que dá condição dos trabalhadores também consumirem e terem alimentos saudáveis”, destacou.
O economista e coordenador técnico do Dieese no Paraná, Sandro Silva, analisou que, apesar de todos os avanços, o cenário ainda é complicado, citando como exemplo a retomada das discussões da Reforma Administrativa no Congresso Nacional. “Por mais que a gente viva num cenário econômico positivo, de crescimento, de geração de emprego e renda, por mais que a gente tenha esse ambiente positivo, que afetou também os sindicatos, com os dados de negociações salariais, a gente vive em constante ameaça em um cenário político muito complicado, né? E aí a gente tem que continuar mudando e enfrentando os desafios. Agora a gente tem uma ameaça da Reforma Administrativa, que ataca os servidores e o serviço público”, alertou.
O presidente da Federação dos Sindicatos dos Servidores Municipais CUTistas do Paraná (Fessmuc), Antônio Carlos Bananinha, reforçou a importância do serviço público e também da plenária da central para a construção de estratégias. “Quero parabenizar a todos e todas as delegadas e delegados neste grande evento. Tenho certeza que será de grande produtividade nestes dois dias de plenária”, projetou.
O dirigente do Sindicato dos Eletricitários de Foz do Iguaçu (Sinefi), Paulo Henrique G. Zuchoski, destacou que muitos dos desafios que a classe trabalhadora tem pela frente são ainda os mesmos e que precisam ser enfrentados. “As mulheres continuam sendo agredidas pelo machismo. Negros continuam sendo preteridos em vagas. A população LGBTQIA+ continua sendo discriminada. Nossa democracia, tão jovem, continua sendo constantemente ameaçada. A dificuldade que nós temos de fazer com que trabalhadores votem em trabalhadores, basta ver a composição do nosso parlamento”, elencou.
A vereadora de Guarapuava, Cris Wainer, destacou avanços recentes, mas fez um alerta. “Estamos com um dos maiores índices de empregabilidade. Na semana passada, retiramos o nosso país novamente do mapa da fome. Isso não é pouca coisa. Isso é luta também da classe trabalhadora. Mas nós ainda estamos com o golpe em curso. Ele, todo o tempo, nos ronda”, comentou.
Durante a abertura, também foi realizado o lançamento do livro que celebra os 40 anos de história da CUT Paraná e a campanha “Dá uma pausa, mude a causa”.
Fonte: CUT Paraná