Trabalhadores participaram da consulta e da assembléia que definiu as prioridades que serão levadas ao encontro estadual e à conferência nacional
São Paulo – A participação é a principal marca dos bancários. Mais de sete mil trabalhadores responderam à consulta para indicar as prioridades para a Campanha Nacional 2008. Para ter uma idéia da dimensão dessa participação, pesquisas eleitorais nacionais, apontam resultados com uma amostra de cerca de 2 mil cidadãos. O resultado da consulta vem de uma base grande de bancários, ou seja, é uma mostra bastante significativa do que a categoria pensa.
E os bancários querem, antes de qualquer outra coisa, aumento real de salários: 59% apontaram isso. Logo depois vem o fim do assédio moral empatado com vale-alimentação maior: 53% das respostas. Seguem, bem próximos, o fim das metas abusivas (47%), a garantia de emprego, com a ratificação da Convenção 158 da OIT (43%), além de plano de cargos e salários (37%) e PLR maior (35%).
Esse resultado foi referendado pela assembléia realizada nesta quinta-feira, dia 17, com a presença de cerca de 500 trabalhadores. Agora, essas prioridades definidas pelos bancários serão levadas (pelos delegados eleitos na mesma assembléia) ao encontro estadual no sábado, 19, e à conferência nacional, que acontece entre os dias 25 e 29 de julho.
“A unidade entre todos os trabalhadores é fundamental para construir uma negociacão forte, manter e garantir novas conquistas. Em São Paulo, tentamos construir essa unidade na representação dos bancários nas conferências. De todas as linhas de pensamento da categoria bancária, somente o Conlutas/PSTU se recusou a participar”, afirma o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino.
Disposição – Os bancários têm uma das melhores convenções coletivas de trabalho do país e isso não é à toa. A disposição de luta e a participação da categoria nas campanhas sempre fizeram a diferença. Saíram de greves e grandes mobilizações dos trabalhadores conquistas como os vales refeição e alimentação, o auxílio-creche babá, a participação nos lucros e resultados. “Nada foi entregue de mão beijada pelos banqueiros, nada disso é ‘benefício’, como os patrões gostam de chamar. Tudo saiu da luta e é assim que vamos conquistar mais esse ano”, destaca Marcolino.
Sabedores disso, os trabalhadores que responderam à consulta mostraram-se dispostas a lutar. A esmagadora maioria, 82%, afirma que vai participar dos atos promovidos pelo Sindicato para arrancar dos banqueiros tudo que estão devendo para seus empregados.
Aumento real – E sabem que não vai ser fácil. O quadro de inflação em alta que se apresenta para a campanha deste ano, somado à tradicional sovinice dos banqueiros, vai exigir muita mobilização para arrancar o aumento real que os bancários querem. Cerca de 63% apontaram que querem aumento real de 5%, o que perfaz um reajuste salarial em torno de 13%. Outros 18% querem 15% de reajuste e 7% dos funcionários gostariam que o aumento fosse de 20%. Os demais resultados ficaram com algo em torno de 1% a 2% das indicações.
“Os bancários sabem que o aumento real de salários e um aumento maior nos vales alimentação e refeição são fundamentais para recompor o que estamos perdendo para a inflação. Não adianta vir com essa conversa pra boi dormir, de que salários em alta causam inflação. Isso é um absurdo. Bons salários fazem a economia girar, geram empregos e ajudam o país a crescer”, ressalta Marcolino.
“O que pode conter a inflação, é ampliar e baratear a concessão de crédito para os setores produtivos. E os bancos estão devendo isso, que vai ser cobrado durante a campanha dos bancários”, completa.
Fim do assédio – Os debates pelo fim do assédio moral e das metas abusivas devem abrir as negociações da campanha deste ano. “Tudo que ficou pendente no ano passado, que os banqueiros enrolaram para resolver, vai ser abordado logo de cara”, avisa Marcolino. “A responsabilidade social apregoada pelos bancos tem que começar em casa, valorizando os trabalhadores que geram os lucros que fazem do setor financeiro um dos mais lucrativos do Brasil.”
Outras deliberações – A assembléia autorizou o Sindicato a realizar as negociações da campanha, desautorizou a Contec (outra confederação) a negociar ou ajuizar dissídio em nome dos bancários, elegeu e autorizou os delegados a discutir e deliberar a pauta de reivindicação a ser entregue aos banqueiros. Além disso, aprovou o desconto da contribuição assistencial com valor igual ao de 2007.
Por Claudia Motta – 17/07/2008.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.