fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 10:34 Notícias

Campos Neto deu prejuízo de R$ 298,5 bi ao Banco Central em 2022 e população paga a conta

Em entrevista a Daniela Lima na CNN Brasil nesta quinta-feira (17), o presidente Lula voltou a questionar a autonomia do Banco Central e disse que a “independência” da instituição, responsável pela política monetária do país, precisa mostrar “resultado”. 

“O que eu quero saber é o resultado. O resultado vai ser melhor? Um Banco Central autônomo vai ser melhor? Vai melhorar a economia? Ótimo [se melhorar], mas se não melhorar, nós temos que mudar”, disse.

A declaração de Lula aumentou a pressão sobre Roberto Campos Neto, neto de Roberto Campos, primeiro ministro do Planejamento da Ditadura Militar, que prega uma gestão “técnica” do BC, enquanto maneja dados – em especial a exorbitante taxa básica de juros, a Selic, mantida em 13,75% – para atender aos anseios políticos de Jair Bolsonaro (PL), que o colocou no comando da instituição.

Os números, no entanto, mostram que se for pela competência, Campos Neto não deve ser mantido à frente do BC.

Após estourar a meta da inflação por dois anos seguidos – 2021 e 2022 – e divulgar dados “errados” sobre o fluxo cambial no ano passado, revertendo o anunciado superávit de US$ 9,5 bilhões para a real saída (déficit) de US$ 3,2 bilhões da economia brasileira no período, Campos Neto terá que se explicar sobre o prejuízo bilionário que causou no Banco Central. E quem vai pagar a conta é a população.

Dados divulgados nesta quinta-feira (16) mostram que o Banco Central  registrou um prejuízo de R$ 298,5 bilhões em 2022. Foi a segunda vez que a instituição teve prejuízo na gestão de Campos Neto. O primeiro foi no segundo semestre de 2020, quando teve perdas de R$ 33,6 bi – à época a divulgação se dava a cada seis meses.

Para pagar a conta, o Tesouro Nacional – órgão de contabilidade do governo ligado ao Ministério da Fazenda – terá que desembolsar R$ 36,6 bilhões para cobrir parte do rombo.

Além disso, serão usados R$ 179,1 bilhões de reservas cambiais e R$ 82,8 bilhões do patrimônio institucional do próprio BC.

O BC justifica o prejuízo por um erro de gestão com as operações com reservas e derivativos cambiais, que teria deixado um rombo de R$ 326,5 bilhões.

A gestão e os resultados do Banco Central influenciam diretamente nas contas da União. Quando dá lucro, o BC repassa uma parcela ao Tesouro Nacional.

No entanto, quando dá prejuízo, o valor é coberto pelos recursos existentes na reserva de resultado e pela redução do patrimônio líquido da instituição, limitado a 1,5% do ativo total do banco.

Porém, o prejuízo causado por Campos Neto em 2022 foi tão grande que obrigou o Tesouro Nacional fazer o aporte de R$ 36,3 bilhões para compensar as perdas.

Foto: Marcos Corrêa

Fonte: Revista Fórum

Close