Mesmo em meio ao tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump e a um cenário internacional marcado por tensões comerciais, o Brasil ampliou seu superávit e bateu recorde nas exportações em julho.
A balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 49,04 bilhões entre janeiro e julho de 2026, crescimento de 31,9% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta quinta-feira (6).
O resultado foi impulsionado sobretudo pelo crescimento das vendas para a China e a União Europeia, que avançaram enquanto as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,2% no acumulado do ano.
Vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin comemorou o resultado em vídeo publicado nas redes sociais.
“O Brasil acaba de bater mais um recorde no comércio exterior. Em julho exportamos 34,1 bilhões de dólares, o maior valor da história para este mês”, afirmou.
Exportações crescem no agro e na indústria
Somente em julho, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 7,07 bilhões. As exportações somaram US$ 34,12 bilhões, crescimento de 6,2% em comparação com o mesmo mês de 2025.
A alta ocorreu em diferentes setores da economia. As vendas externas da agropecuária cresceram 9,3%, enquanto a indústria extrativa avançou 10,8% e a indústria de transformação registrou crescimento de 2,4%.
Alckmin destacou especialmente o desempenho da indústria de transformação.
“Cresceram as vendas no agro, da indústria extrativa e também da indústria de transformação, que agrega valor, gera emprego e fortalece a economia”, afirmou.
No acumulado entre janeiro e julho, as exportações brasileiras chegaram a US$ 218,55 bilhões, alta de 10,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A indústria extrativa liderou o crescimento, com expansão de 21,3%. A agropecuária avançou 9,2%, enquanto a indústria de transformação cresceu 6,3% e respondeu por US$ 112,50 bilhões em exportações.
China amplia compras do Brasil em quase 20%
A China reforçou sua posição como principal destino das exportações brasileiras. Em julho, as vendas para o mercado chinês cresceram 8,6% e chegaram a US$ 10,67 bilhões.
No acumulado de janeiro a julho, a expansão foi ainda maior: 19,7%, com US$ 69,03 bilhões exportados pelo Brasil. O saldo comercial bilateral ficou positivo em US$ 24,06 bilhões para o país.
A União Europeia também apresentou crescimento. As exportações brasileiras para o bloco aumentaram 3,9% em julho e 11% no acumulado do ano, atingindo US$ 31,59 bilhões. O Brasil registrou superávit de US$ 2,31 bilhões nessa relação comercial.
Alckmin relacionou o desempenho à política de abertura de mercados e de ampliação dos acordos comerciais conduzida pelo governo Lula.
“Mesmo diante do tarifaço e dos conflitos externos, desde o início do governo presidente Lula, o Brasil vem batendo recorde atrás de recorde. Isto é fruto de trabalho, diálogo e empenho na abertura de novos mercados e na conclusão de acordos internacionais”, declarou.
O vice-presidente destacou ainda o crescimento das vendas para os europeus.
“Só para a União Europeia vendemos quase 4% a mais neste mês em relação ao ano passado.”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, compartilhou o vídeo de Alckmin e escreveu: “Retrato de um Brasil que abriu o número recorde de 664 mercados em mais de 90 destinos nos cinco continentes desde 2023”.
Exportações para os EUA caem 12,2%
O desempenho com os Estados Unidos seguiu na direção oposta. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram 5% em julho e 12,2% entre janeiro e julho, totalizando US$ 20,95 bilhões.
O Brasil acumulou déficit comercial de US$ 2,27 bilhões com os EUA no período.
A retração ocorre em meio à escalada da pressão comercial promovida pelo governo Trump. Os dados do MDIC, porém, não permitem atribuir a queda das exportações exclusivamente às medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.
Os números mostram, ao mesmo tempo, a crescente importância de outros mercados para o comércio exterior brasileiro, especialmente China e União Europeia, que ajudaram a sustentar a expansão das exportações apesar da retração registrada nas vendas para os norte-americanos.
As exportações para a Argentina também diminuíram. Houve queda de 13,9% em julho e de 18,6% no acumulado do ano, para US$ 8,76 bilhões. Mesmo assim, o Brasil manteve superávit de US$ 1,22 bilhão com o país vizinho.
Comércio brasileiro cresce apesar das tensões externas
As importações também avançaram. Em julho, o Brasil comprou US$ 27,05 bilhões em produtos do exterior, alta de 7,6% sobre o mesmo período de 2025.
Entre janeiro e julho, as importações chegaram a US$ 169,51 bilhões, crescimento de 5,5%.
O avanço simultâneo das exportações e importações ocorre em um momento em que o governo brasileiro busca ampliar mercados e reduzir a vulnerabilidade do país diante de turbulências envolvendo parceiros específicos.
Foto: Ricardo Stuckert
Texto: Ivan Longo
Fonte: Revista Fórum