Comerciantes não conseguem dinheiro para pagar fornecedores
Entrando hoje no nono dia, a greve dos bancários provoca estragos no comércio paranaense. As pilhas de cheques se acumulam nas mãos dos lojistas, que não conseguem transformá-los em dinheiro para honrar compromissos com fornecedores. Para piorar a situação, muitos já começam a registrar queda nas vendas. “Impedidos de cumprir seus compromissos financeiros, a última coisa que os consumidores pensam é em compras”, afirma o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa, Márcio Paulike.
Diretor de uma grande empresa de eletrodomésticos, Paulike cita um aspecto curioso no comportamento do consumidor, nascido com a greve. Há quem tente tirar vantagem da situação, comprando produtos com cheque, especialmente celulares. A compra é feita à vista, mas o cheque não pode ser compensado. “Eles ganham os descontos e pelo menos uma semana de prazo no pagamento”, diz o diretor.
Paulike também enfrenta problemas com o pagamento dos fornecedores e descarta pagar juros por atraso. “É injusto sermos cobrados por algo que não depende de nós. Se tiver que cobrar algo de alguém, que sejam cobrados os bancos e não nós, que somos vítimas disso”, afirmou.
Nos postos de combustíveis, os problemas se acumulam, principalmente porque no começo da greve muitos empresários trocaram cheques para seus clientes. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis), Roberto Fregonese, disse ontem que a maior dificuldade é não poder depositar e compensar os cheques recebidos. Segundo ele, com os bancos fechados, algumas companhias de petróleo estão aceitando que os postos façam o pagamento das faturas em suas sedes.
A incerteza dos rumos da greve aflige o empresário Dejanuzi Reis, proprietário de posto de gasolina. “Está tudo parado, não sabemos se nossos fornecedores vão cobrar ou não os juros por esses dias sem pagamento”, diz. Ele conta que está prestes a perder um bom negócio por causa da greve. Há pouco tempo, o empresário consolidou a venda de um imóvel que seria pago por um financiamento pela Caixa Econômica Federal. Com esse dinheiro ele compraria outra casa. “Já posso contar com o negócio perdido. O vendedor não vai esperar eu receber o dinheiro do meu imóvel”, lamenta Reis.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), regional do Paraná, Luis Antonio Sebben, disse ontem que a venda de automóveis nas grandes concessionárias não está sendo afetada pela greve dos bancários porque nestes locais funcionam postos de atendimentos de financeiras e, em caso de pagamento à vista, as transferências são feitas eletronicamente. Já nas pequenas revendas de automóveis, que não têm suporte financeiro, as vendas diminuíram.
Na avaliação do presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Cláudio Slaviero, a greve dos bancários, “embora tenha um motivo justo”, é inoportuna e acaba afetando com maior intensidade os estabelecimentos que vendem produtos de maior valor, como bens de consumo duráveis.
Fonte: Gazeta do Povo – Mirian Gasparin e Érica Busnardo
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Por Mhais• 24 de setembro de 2004• 09:19• Sem categoria
Cheques se acumulam e vendas caem com a greve
Comerciantes não conseguem dinheiro para pagar fornecedores
Entrando hoje no nono dia, a greve dos bancários provoca estragos no comércio paranaense. As pilhas de cheques se acumulam nas mãos dos lojistas, que não conseguem transformá-los em dinheiro para honrar compromissos com fornecedores. Para piorar a situação, muitos já começam a registrar queda nas vendas. “Impedidos de cumprir seus compromissos financeiros, a última coisa que os consumidores pensam é em compras”, afirma o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa, Márcio Paulike.
Diretor de uma grande empresa de eletrodomésticos, Paulike cita um aspecto curioso no comportamento do consumidor, nascido com a greve. Há quem tente tirar vantagem da situação, comprando produtos com cheque, especialmente celulares. A compra é feita à vista, mas o cheque não pode ser compensado. “Eles ganham os descontos e pelo menos uma semana de prazo no pagamento”, diz o diretor.
Paulike também enfrenta problemas com o pagamento dos fornecedores e descarta pagar juros por atraso. “É injusto sermos cobrados por algo que não depende de nós. Se tiver que cobrar algo de alguém, que sejam cobrados os bancos e não nós, que somos vítimas disso”, afirmou.
Nos postos de combustíveis, os problemas se acumulam, principalmente porque no começo da greve muitos empresários trocaram cheques para seus clientes. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis), Roberto Fregonese, disse ontem que a maior dificuldade é não poder depositar e compensar os cheques recebidos. Segundo ele, com os bancos fechados, algumas companhias de petróleo estão aceitando que os postos façam o pagamento das faturas em suas sedes.
A incerteza dos rumos da greve aflige o empresário Dejanuzi Reis, proprietário de posto de gasolina. “Está tudo parado, não sabemos se nossos fornecedores vão cobrar ou não os juros por esses dias sem pagamento”, diz. Ele conta que está prestes a perder um bom negócio por causa da greve. Há pouco tempo, o empresário consolidou a venda de um imóvel que seria pago por um financiamento pela Caixa Econômica Federal. Com esse dinheiro ele compraria outra casa. “Já posso contar com o negócio perdido. O vendedor não vai esperar eu receber o dinheiro do meu imóvel”, lamenta Reis.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), regional do Paraná, Luis Antonio Sebben, disse ontem que a venda de automóveis nas grandes concessionárias não está sendo afetada pela greve dos bancários porque nestes locais funcionam postos de atendimentos de financeiras e, em caso de pagamento à vista, as transferências são feitas eletronicamente. Já nas pequenas revendas de automóveis, que não têm suporte financeiro, as vendas diminuíram.
Na avaliação do presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Cláudio Slaviero, a greve dos bancários, “embora tenha um motivo justo”, é inoportuna e acaba afetando com maior intensidade os estabelecimentos que vendem produtos de maior valor, como bens de consumo duráveis.
Fonte: Gazeta do Povo – Mirian Gasparin e Érica Busnardo
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