A pesquisa CNT-Sensus divulgada nesta terça-feira (26) chamou a atenção da mídia sobretudo pela virada na avaliação da política econômica do governo: 47,5 de aprovação e 36% de desaprovação, quando dez meses atrás era o inverso, 46,3% de desaprovação e 40,6% de desaprovação. Mas a pesquisa traz outros dados importantes, principalmente sobre a reforma política, como em quais partidos os eleitores votariam.
Mais da metade (53,2%) dos entrevistados não ouviram falar da reforma política. É um dado chocante, comparado com apenas 20,2% que não ouviram falar da crise aérea, e 23,3% que não ouviram falar do Caso Vavá. Indica que os meios de comunicação se voltam para o episódico, enquanto a reforma – que poderia ampliar a democracia e combater a corrupção pelas suas causas – marca passo e pode naufragar. O caso Renan foi piedosamente omitido na CNT-Sensus, mas com certeza e percentagem de desconhecimento seria ainda menor.
A opinião de quem acompanha o debate
Mas a parcela que acompanha o debate da reforma política (19,8%), ou pelo menos ouviu falar dela (27,0%) deu sua opinião. O gráfico acima, por exemplo, mostra como eles votariam no caso de ser aprovado o sistema de lista fechada por partidos políticos. Em resumo:
– 43,0% não declararam um partido de sua preferência.
– 13,2% deram apoio a um dos quatro partidos da oposição (PSDB, DEM (ex-PFL), PSOL ou PPS.
– E 43,8% indicaram o voto em um dos partidos da base do governo Lula, com destaque para o PT (21,4%) e o PMDB (10%).
Os resultados da pesquisa dão a entender que a opinião pública está contra as duas principais mudanças em discussão na reforma política. O financiamento público de campanha tem o apoio de apenas 18,7% e a rejeição de 75,2% (sempre tomando por base apenas os entrevistados que pelo menos ouviram falar da reforma). E o voto em listas partidárias tem o apoio de 16,5% e a reprovação de 74,0%.
Perguntas confusas e talvez tendenciosas
Estes resultados podem ter sido influenciados pela maneira como o insituto Sensus formulou as perguntas. A primeira delas foi: “O Sr(a) é a favor ou contra o financiamento exclusivo de campanhas eleitorais através de fundo legalmente constituído com recursos públicos?” E a segunda: “O Sr(a) é a favor ou contra a alteração do sistema de votação nas eleições legislativas, passando o eleitor a votar em lista fechada do partido político, ao invés de votar em um candidato?”. Nos dois casos, são perguntas confusas e talvez tendenciosas.
Mas a pesquisa reflete também um debate público reduzido sobre o tema. Os cidadãos foram estimulados a discutir as últimas peripécias do Caso vavá e do caso Renan, mas não a examinar os prós e os contras de mudar o sistema político-eleitoral.
A pergunta tendenciosa que não funcionou
Um terceiro problema é que a reforma política aparece como um problema distante, longe dos interesses diretos do cidadão, o que favorece a confusão. Tanto assim que, quando a pesquisa tentou induzir uma resposta, mas tratando de um problema concreto e conhecido dos entrevistados, a pergunta tendenciosa não funcionou.
A pergunta tratava do controle público sobre o conteúdo das concessionárias de TV. E foi redigida de forma extremamente capciosa: “O Sr(a) é a favor ou contra a censura prévia a programas de TV?”. Mesmo assim, os resultados contrariaram a intenção de quem formulou a pergunta: 57,9% responderam “a favor”, para 35,9% “contra”; e os que não souberam responder foram apenas 6,3%.
Outro quesito na mesma área de perguntas mostra que a internet já é a terceira mídia mais utilizada no Brasil. Ela aparece com 9,4% das preferências, atrás da TV (69,3%) e do rádio (14,0%), mas na frente dos jornais (5,4%), revistas (0,9%) e outros (0,5%).
Para ver a íntegra do relatório da pesquisa CNT/Sensus, acesse o endereço eletrônico http://www.cnt.org.br/arquivos/downloads/sensus/relat89.pdf.
Por Bernardo Joffily.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.vermelho.org.br.