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Cobrança por metas no Bradesco afeta qualidade do atendimento; e ainda, banco é acionado por assédio moral

Bancários são obrigados a cumprir tarefas de qualquer jeito para evitar a pressão

São Paulo – A explicação para o Bradesco aparecer na lista das cinco instituições financeiras mais reclamadas no Banco Central (BC) pode ser a cobrança que os funcionários estão sofrendo no local de trabalho. No último ranking divulgado pelo BC, o banco ficou na quinta colocação.

“Os bancários do Telebanco, agências e departamentos sentem-se tão pressionados que a situação obriga-os a realizar as vendas a qualquer custo. Essa forma de trabalhar vem gerando muita reclamação”, afirma o funcionário do banco e diretor do Sindicato Rubens Blanes.

Além disso, tem a terceirização, que está aumentado no Bradesco, e que também afeta a qualidade do atendimento, já que os terceirizados não têm os mesmos direitos da categoria bancária. “Se muitos clientes soubessem que o atendimento é feito por não bancários, eles cancelariam o vínculo com o Bradesco”, adverte Blanes.

Outro problema causado pela pressão é o aumento de erros nas operações bancárias e conseqüentemente o número de estornos realizados. “O fim da pressão e do assédio moral, que vem dessa forma de cobrar metas, é uma das principais reivindicações desta campanha salarial”, lembra o dirigente sindical.

Da redação – 21/08/2008.

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Bradesco acionado por assédio moral

Autor da ação civil pública é o Ministério Público do Trabalho da Bahia

São Paulo – O assédio moral no Bradesco é objeto de ação civil pública por parte do Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT). A partir de depoimentos colhidos de testemunhas em ação trabalhista individual, o MPT constatou que a prática do assédio dava-se a partir do abuso de poder e de manipulação perversa. A entidade propôs a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta, mas o Bradesco recusou.

De acordo com o procurador do trabalho Manoel Jorge e Silva Neto, responsável pela ação, empregados do banco relatam que o gerente agia de modo agressivo, gritando com os subordinados, o que desestabiliza o andamento do trabalho. Silva Neto acrescenta, ainda, que o Bradesco omitiu-se, ao não tomar providências. “Tal responsabilidade decorre, ofuscantemente, da prática de assédio moral na empresa”, alerta o procurador.

A ação do MPT requer desde a elaboração de um diagnóstico do meio ambiente psicossocial do trabalho no banco, com implementação de normas saudáveis de conduta, campanhas de conscientização e palestras semestrais, até a criação de canais internos de denúncia e acompanhamento de conduta dos empregados envolvidos.

No âmbito externo, o MPT determinou a publicação de 12 notas nos três jornais de maior circulação da Bahia, três a cada final de semana, em edições de sexta-feira, sábado e domingo, além de uma campanha veiculada durante seis meses, nas três emissoras de televisão mais assistidas no Estado, com duração mínima de um minuto, seis vezes por dia.

O conteúdo da campanha deverá ser o esclarecimento de que “a prática do assédio moral, que se caracteriza por humilhações, xingamentos e desrespeito contínuo a trabalhadores subordinados, ofende o Princípio Fundamental do Estado brasileiro inerente à dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da Constituição Federal), competindo a todas as empresas, de forma geral, e também ao Poder Público, a adoção de providências destinadas a banir a terrível prática do contexto das relações de trabalho no Brasil, razão por que, nesta oportunidade, apresenta desculpas a todos os seus trabalhadores que foram vítimas de assédio moral”.

O procurador pede ainda a condenação do Bradesco em R$ 100 mil por dano moral coletivo e multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento das obrigações. Os valores devem ser remetidos ao FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador). A ação foi distribuída para a 7ª Vara do Trabalho de Salvador e tem audiência marcada para 10 de setembro.

Por Carlos Fernandes – 19/08/2008.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.

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