Brasília – As trocas comerciais entre Brasil e Argentina continuam caindo fortemente. Mantendo tendência verificada desde outubro do ano passado, as exportações brasileiras para o país vizinho recuaram 46,5% no primeiro bimestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008, ficando em US$ 1,33 bilhão. As importações de produtos argentinos caíram 41,1%, somando US$ 1,27 bilhão.
Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 10% das vendas do Brasil para a Argentina estão afetadas pelas barreiras comerciais impostas pelo governo de Cristina Kirchner, como medidas antidumping e licenças não-automáticas com prazos superiores aos 60 dias autorizados pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Em valores anualizados de 2008, isso representaria hoje US$ 1,5 bilhão de exportações.
As medidas protecionistas do país vizinho serão tratadas por técnicos dos dois países na próxima semana e, ainda neste mês, pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, durante visita de trabalho da líder argentina ao Brasil. O assunto foi tema de reunião entre ministros dos dois países, em reunião em Brasília no dia 17 de fevereiro.
De acordo com o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, caso as negociações não avancem, o Brasil poderá questionar as práticas protecionistas argentinas na Organização Mundial do Comércio (OMC). “Todo protecionismo será castigado”, disse Barral, parodiando o dramaturgo Nélson Rodrigues. “O Brasil é o país que mais reclama na OMC e vai continuar levando para os foros internacionais o que for necessário”, afirmou.
Mas não são apenas as barreiras comerciais que preocupam o governo brasileiro. O Brasil também está de olho na invasão de leite em pó argentino e abriu investigação, há 15 dias, para verificar práticas desleais de comércio, como triangulação e subfaturamento. No primeiro bimestre do ano, as importações de leite argentino cresceram 11,7% em quantidade e 42,2% em valores (devido a uma queda de 34,7% no preço). “Estamos avaliando qual pode ser o impacto disso e por que esse aumento foi tão abrupto”, informou o secretário.
As maiores quedas, em quantidade, foram verificadas nas importações de automóveis (51,6%), máquinas e equipamentos (50,4%), trigo e outros cereais (49,2%), químicos diversos (48,4%) e combustíveis minerais (38,8%). Com relação às exportações do Brasil para a Argentina, destaque para o crescimento das vendas de siderúrgicos (8% em quantidade e 39,3% em valores graças a uma alta de 28,9% no preço). Os maiores recuos, em quantidade, ocorreram nos setores de ferro fundido (83,2%), borracha e obras (69%), automóveis (61,3%), elétricos e eletrônicos 956,9%) e máquinas e equipamentos (56,55).
Na avaliação de Barral, o recuo nas trocas comerciais não foi afetado apenas pelas barreiras comerciais impostas pela Argentina mas também por fatores como queda da demanda argentina por alguns produtos (como papel, cujas exportações brasileiras caíram 37,6% em quantidade e 34,1% em valores), integração de cadeias produtivas (como no caso do setor automotivo) e efeito cambial.
Com a retração, a fatia da Argentina – segundo principal parceiro comercial do país – nas exportações brasileiras encolheu de 10,1% para 6,7%, e a participação do Mercosul caiu de 12,2% para 8,7%. Em relação às importações brasileiras, a fatia argentina caiu de 9,4% para 7% e a do Mercosul, de 10,6% para 8,7%.
Também caiu a participação dos Estados Unidos, maior parceiro comercial do Brasil, nas exportações brasileiras – de 15% para 12%, devido a um recuo de 38% nos embarques brasileiros para o mercado norte-americano. Já as compras de produtos americanos pelo Brasil cresceram 3,4% no primeiro bimestre – graças, segundo Barral, a operações intrafirmas. Com isso, os Estados Unidos ampliaram sua fatia no total de importações brasileiras de 14,8% para 19,6%.
Também cresceu a participação da China na balança comercial brasileira. Como mercado de destino de produtos brasileiros, a fatia do país asiático passou de 5,4% para 8,6% no primeiro bimestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado, conseqüência de uma ampliação de 23,3% nas exportações do Brasil para aquele país. Já as importações de produtos chineses passaram a representar 13,2% do total de compras do Brasil no exterior, contra uma fatia de 11,8% em janeiro e fevereiro de 2008, apesar de uma queda de 12,4% nas importações de produtos chineses. Nesse caso, o que preocupa o governo brasileiro é a entrada cada vez maior de produtos têxteis.
Em janeiro e fevereiro, as importações desse tipo de produto cresceram 80,6% em quantidade e 84,2% em valores. Segundo Weber Barral, vários itens tiveram queda enquanto outros chegaram a ter aumentos de 6.000%. Como no caso do leite em pó argentino, o governo está investigando a eventual prática desleal de comércio por parte dos exportadores chineses de têxteis.
Por Mylena Fiori – Repórter da Agência Brasil.
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Balança comercial se recupera e tem saldo positivo de US$ 1,7 bilhão em fevereiro
Brasília – O saldo da balança comercial (exportações menos importações) ficou positivo em US$ 1,767 bilhão em fevereiro, valor maior do que os US$ 850 milhões registrados no mesmo período de 2008. A informação é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Em janeiro, a balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 524 milhões (valor ajustado pelo ministério, que anteriormente divulgou US$ 518 milhões), o primeiro resultado mensal negativo desde março de 2001.
Com o resultado dos dois meses, o superávit comercial no acumulado do ano está em US$ 1,243 bilhão, valor 29,9% menor do que o referente ao mesmo período de 2008 (US$ 1,772 bilhão).
Em janeiro e fevereiro, as exportações somaram US$ 19,370 bilhões e as importações, US$ 18,127 bilhões. Somente no mês passado, as vendas brasileiras ao exterior chegaram a US$ 9,588 bilhões e as importações, a US$ 7,821 bilhões. Uma das vantagens do saldo positivo da balança comercial é a entrada de moeda estrangeira no país, o que ajuda a financiar as contas externas. Além disso, pode haver geração de empregos no país exportador.
Às 15h30, o secretário de Comércio Exterior do ministério, Welber Barral, concederá entrevista coletiva para comentar o desempenho das operações de comércio exterior do Brasil em fevereiro.
Por Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil.
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Secretário considera animador resultado da balança comercial em fevereiro
Brasília – Apesar da crise econômica internacional e da queda das vendas do Brasil para o resto do mundo em relação às do ano passado, as exportações mantiveram, em fevereiro, tendência de crescimento em relação ao mês anterior. O resultado de US$ 9,58 bilhões é 20,9% inferior ao de fevereiro de 2008, mas representa acréscimo de 14,4% ante janeiro de 2009, apesar do carnaval e do menor número de dias úteis do mês.
Os números animaram o governo brasileiro. “Esse resultado, num momento de crise, é um sinal muito bom, principalmente comparado com janeiro”, disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. “Há uma queda de exportações que reflete uma crise mundial, mas parece haver uma luz no fim do túnel quando vemos o dado de mais curto prazo.”
Na comparação com janeiro deste ano, as vendas que mais cresceram foram as de petróleo (81,3%), aviões (68%), celulares ( 58,2%), autopeças (55%), motores e geradores (49,4%), bombas e compressores (35,15), carne bovina (28,7%), café (25,9%) e soja em grão (22%). Em relação a fevereiro de 2008, apesar da queda nos preços internacionais, aumentaram as exportações brasileiras de milho, alumínio em bruto, soja em grão, combustíveis, algodão e frango industrializado. Caíram, entre outros, os embarques de motores de veículos 55,1%), autopeças (36,1) e automóveis (34,4%) – reflexo da crise mundial do setor automotivo, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
As importações registraram em fevereiro movimentação inversa à de anos anteriores. Em vez de aumentarem em fevereiro em comparação com janeiro, como vinha ocorrendo, as compras feitas noutros países encolheram 11,5%, totalizando US$ 7,82 bilhões. As maiores quedas foram nos segmentos de matérias primas para agricultura (43,1%, devido a recuos na quantidade importada e no preço), petróleo (36,5%, também com retração na quantidade e no preço) e equipamentos móveis para transportes – aviões e caminhões (-41,9%, apesar de aumento de 27,6% na quantidade, em razão da baixa de 54,5% no preço).
Na comparação com fevereiro de 2008, a retração nas importações foi de 30,9%. Por segmento, os setores onde as compras brasileiras mais encolheram foram petróleo (47,8%, devido a uma queda de 52,3% nos preços), matérias primas para agricultura (recuo de 75,7%, apesar da alta de 66,6% no preço), produtos alimentícios primários (recuo de 49,6% e produtos minerais (-47)
“O que tem ocorrido é uma contínua queda das importações. Têm caído bens de consumo, mas outros itens, como bens de capital, têm-se mantido, o que é importante para o investimento no Brasil”, ressaltou Barral. Para ele, a queda nas importações não traduz, necessariamente, o desaquecimento da economia brasileira.
O secretário disse que é preciso analisar quais são os setores que estão diminuindo as importações e por quê. No caso da indústria de insumos, por exemplo, a queda nas compras do exterior reflete uma substituição pela produção nacional. “A produção nacional se tornou mais competitiva com relação ao produto importado em razão do efeito cambial, o que é uma tendência natural da adaptação do câmbio e da demanda no Brasil.”
Barral ressaltou ainda que não há redução de itens essenciais para o país, como máquinas industriais. Nesse segmento, o volume de importações caiu apenas 0,3% em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2008 (considerando-se a quantidade) – o que, na avaliação do governo, demonstra estabilidade do setor. Na comparação com janeiro de 2009, houve crescimento de 8,3% nas compras de máquinas industriais. O resultado contraria recentes pesquisas da indústria, que apontam tendência de redução de investimentos em 2009.
O recuo nas importações não preocupa o governo. Pelo contrário. A retração, disse Barral, tem efeito positivo na balança comercial brasileira, cujo superávit caiu nos últimos dois anos. Em janeiro deste ano, a balança chegou a apresentar saldo negativo de US$ 523,7 milhões. Apesar da aparente recuperação, o governo reluta em fixar metas de comércio para 2009. “Há um clima de muita instabilidade, especialmente com relação aos mercados compradores. A crise é lá fora, não é no Brasil, e isso faz com que estejamos avaliando, ainda, a demanda nos principais países compradores”, afirmou.
Por Mylena Fiori – Repórter da Agência Brasil.
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